Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Diz-se: - quem não aparece esquece

Jornal O DESPERTADOR

Nº 198 – 22 – Novembro – 2006

A visita – 5

Pintarroxo (Carduelis cannabina) por xicorreia. 

Diz-se que: - “quem não aparece, esquece”, mas nem sempre, mesmo tratando-se de um apotegma, a realidade o confirma.

Nem eu esqueci os meus fiéis leitores, nem por eles fui esquecida.

Para o confirmar, aqui estou de novo e, ao agradecer todas as provas de estima e apreço que me têm sido dispensadas, testemunho essa reciprocidade.

Lamento, apenas, não nos ter sido ainda possível organizar uma boa tertúlia onde todos nos conhecêssemos – ou reconhecêssemos – para que, apeada do pedestal onde me colocam e que não mereço, nem posso aceitar (e me constrange) para todos fossem patentes, as minhas dúvidas, hesitações, e tudo o mais que é comum a quem – porque - acredita que cada qual tem um caminho, o  seu, procura....

       

Entretanto, vamos tentar falar do que ultimamente nos tem unido - o nosso “Despertador”, que na sua edição de Quarta Feira, 25/10,  publicou um espectacular artigo da autoria de Mafalda Serrano, elvense de raiz, que de visita à nossa cidade fez da  evolução encontrada, na sua terra, um balanço, corajoso, honesto, e de uma lucidez, para nós, bem dolorosa, porque, irrefutável.

Bem gostaria que este juízo crítico não tivesse sido possível. Era sinal de que muitos dos atropelos cometidos não tinham acontecido.

Porém, quando penso na campanha que se fez para alertar sobre a morte da “galinha dos ovos de ouro” em relação ao turismo, que aconteceria com o desmantelamento da “Quinta do Bispo” – viu-se o descaso que a Câmara dele fez e a inutilidade de qualquer opinião que premiasse a qualidade em lugar da majestática ostentação e “pesporrência”, como classifica um senhor Ministro do nosso controverso Governo, as atitudes de um seu adversário político…

E, agora, está bem patente o resultado. É lícito pensar que por muito fabulosos que tenham sido os lucros, da venda dos terrenos, que podem ter levado a autarquia a apostar no desmantelamento do plano de salvaguarda de tão precioso património -  a todos os níveis –nada, agora, compense  o fracasso final.

Eurico Gama, Joaquim Tomaz Pereira, homens notáveis desta cidade, ao longo dos tempos bem preconizaram, a inteligente utilização da Quinta, mas, inutilmente.

Uma das piores consequências da decisão escolhida, foi o isolamento, “da funcionalidade,” do Forte de Santa Luzia, cuja obra – inteiramente projectada no mandato de 86//89 – o interligava à revitalização da Quinta e a outros projectos – que, assim, se perderam.

Mas... adiante, já que o estrago é irremediável.

 

Neste momento, depois de portas antigas de carvalho, de guarda - ventos e outras com vidros de cores e datas históricas gravadas, terem sido colocadas para o lixo, encostadas à parede exterior da “Secular Biblioteca”- como todos puderam ver!...

 - Depois de terem sido escavacados azulejos dos séculos XVII/XVIII – (no edifício do Colégio) – para alterar as dimensões de uma entrada aconchegante e bela de proporções equilibradas, nobre e sóbria que funcionava como um eixo de onde toda a vida do edifício irradiava...

- Depois...Depois...Depois... de em nome da Cultura se destruírem os seus testemunhos - os sinais com que ela se escreve - e a história a regista - como se para remodelar e ampliar, ( o que é altamente louvável) fosse necessário devastar...   

Deixo aqui uma interrogação: - o que é feito da “Sala Eurico Gama” – sabendo Elvas, em peso, que o ilustre escritor e historiador, deixou todo o seu espólio à cidade na condição – única – de que ele ficasse junto, numa sala, onde ele queria incluída uma estante, oferecida, ainda em vida, por ele próprio – com o nome de sua mulher?

...Onde está?

Sabendo-se que no seu lugar estão agora os elevadores???

 

Ai, “esta Elvas, esta Elvas”, que cultiva as aparências de grandeza e despreza as minudências com que se tecem as almas...

Interessante e de aplaudir a criação - por esta Câmara - dos marcadores, que dão a conhecer objectos valiosos do património museológico elvense. 

Quando foi lançada, a criação, no mandato de 86/89, de: “o compositor do mês”, o livro do mês, o facto histórico do mês, o objecto do mês etc. etc. (com colaboração de ilustres Filhos de Elvas) que ofereceram trabalhos seus para o efeito, incluído no programa: “levar a freguesia à cidade e a cidade à freguesia na procura de identificação e diferenças...”como está patente no programa cultural dessa época, a lembrança, dos marcadores - que aqui saúdo -  a ninguém , então, ocorreu.

Registo o facto porque é de elementar justiça, dar o seu a seu dono, e, o património das ideias não deixa de ser tanto ou mais respeitável do que outros, até porque as suas fronteiras não são delimitadas nem por muros nem por “lindas” ou arames farpados, mas, apenas, por rigor de consciências...

 

 

Maria José Rijo.

 

estou: O despertador- jornal
música: O Despertador - nº 5 - 198- 22-1-06

publicado por Maria José Rijo às 23:58
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8 comentários:
De Xavier Martins a 24 de Abril de 2009 às 00:36
Os meus Parabens!
Mais uma vez... mais esta vez ... mais todas as
vezes que textos HONESTOS como este aparecem
em defesa de valores.

Gosto, aprecio imensamente esta sua forma especial
como escreve.
Os meus sinceros Parabens

Deste seu admirador

Xavier Martins


De Maria josé a 24 de Abril de 2009 às 19:49
Xavier Martins - é tão agradavel ter quem goste do nosso trabalho que não resisto a vir aqui deixar-lhe um abraço grato, muito grato
Maria josé


De Adalgisa Alexandra a 24 de Abril de 2009 às 00:49
Lindas mesmo lindas as fotos do seu post de hoje.
Um grande beijinho

Gisa


De maria José a 24 de Abril de 2009 às 19:53
Gisa pense que estas belas fotos podem ser um convite a dizer: vem ver-me de perto! anda que vale a pena!
Beijinhos - tia Zé


De Gustavo Frederich a 24 de Abril de 2009 às 01:00
Caminhos insondaveis os de Deus...
Como estes caminhos que aqui me trazem todos
os dias...
Como este carinho que nasceu um dia ao ler os
seus belos poemas.

Pede que imagine...
tento, mas nem sei... só sei sentir como o tempo
que me foi dado - foi pouco - e da capital nem saí...
no entanto só o facto de estar nesse mesmo chão
que pisei- desse Portugal - onde vive - algo se
aproximou de mim- algo senti...
não sei muito bem o quê... mas foi como esses
verdes novos, acabados de nascer que agora as
árvores têm...
Sabe qual é esse verde - esse verde novo, como
pinceladas ainda molhadas de verde...

A saudade é também assim - pintada de sangue ao
nascer - depois vem o verde da vida...
nem sei o que digo - mas é um misto do que sinto
neste poema de viver.

Reiro-me... agradecendo a companhia ...
a sua companhia, na sua cadeira... eu imagino
os gatos no seu colo e a sua mão de artista a
afagar o seu pelo...
É bom sonhar...

Beijinhos tia
sempre grato

Gus


De Maria José a 24 de Abril de 2009 às 20:26
Gus - Se se tratasse de uma carta de verdade, como era de uso noutros tempos, agora eu poderia perguntar-lhe: - por favor veja se quando fui mudar o botão de rosa da jarrinha do meu canto, terei deixado sobre a cadeira de balouço o livro que ando a ler. Espero que sim. Agradeço que mo diga porque o poema que queria mostrar-lhe estava numa folhinha branca intercalada entre as páginas finais, mas não leia sem que eu lhe diga está certo? - talvez altere ainda algumas coisas.
Já sabe que quando me ponho a brincar com os gatos
já não faço nada com tino.
Beijinhos - tia Zé
Pronto! assim se poderia começar uma história.


De Aristeu a 24 de Abril de 2009 às 01:05
Querida Tia
... estou desolado, estamos todos...
O tio Américo regressou ao Hospital, tentou
suicidar-se, cortou as veias do pulso direito.
Agora está sob sedativos e dorme.
Desculpe o desabafo.

Beijinhos tia

Aristeu


De Maria José a 24 de Abril de 2009 às 20:49
Meu querido - creia, creia de verdade que não sei o que seria ou será certo dizer-lhe.
Se fosse aqui ao lado, ali em Vila Viçosa ainda poderia oferecer a minha companhia. Mas, lá tão longe! que palavras podem dar conforto ou apoio!
Dizer que gosto de si, que gosto de vós, que vos sinto como o que me resta de tempos passados e felizes? - mas isso é das certezas dos nossos corações.
Se desabafar o ajuda - aqui me tem sentindo e sabendo que com a sua generosidade e abnegação
está passando por uma prova que nos parecia impossível de acontecer.
Mas, será a Vida justa? - ou apenas imprevisível?
Não sei.
Sei que estou aqui longe,mas que vos quero muito
bem e que gostaria de estar perto se isso vos pudesse ajudar.
Também sei que o tio Américo quis, quis, desesperadamente evitar-vos sofrimento. Escolheu o rumo errado - é certo - mas não era tristeza que ele queria ver nos vossos olhos mas sim libertação das canseiras que a velhice arrasta consigo.
Um abracinho para ele com o carinho e a piedade que o seu gesto inspira.
Beijinhos para todos - tia Zé


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