Domingo, 3 de Maio de 2009

Neste Mês de Maio

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.940 – 13 de Maio de 1988

 

 

 

Uma das formas de Poesia que mais me agrada e que considero muito difícil – é a quadra.

Rimar quatro versos de sete sílabas qualquer pessoa consegue, porém, não é a isso que se pode chamar propriamente quadra.

Não são os versos alinhados, certinhos na rima de redondilha maior ou menor, que só por essa circunstância, se tornam numa quadra de verdade.

 

“Uma quadra é conseguir

Em quatro versos somente

Dizer o nosso sentir

No sentir de toda a gente”

 

Como muito bem disse um autor, cujo nome não cheguei a saber, e que assim ganhou um primeiro prémio nuns jogos florais (Luso-Espanhóis) – creio.

Quadras belas há imensas, todos o sabemos, mas de uma maneira geral, ninguém sabe quem são os seus autores. Não refiro casos como o do poeta António Aleixo que encontrou, felizmente, quem compilasse a sua obra.

               

Refiro a quadra que corre de boca em boca, anónima, solta e livre, tão sentenciosa no seu jeito popular e tão perfeita, tão de toda a gente, que cada qual a sente e diz, como se sua fora.

Um poema, qualquer que seja, por via de regra quando se diz, juntar-se-lhe o nome do autor.

À quadra não.

            soldado desconhecido por Holy Joe.

A quadra é como o soldado desconhecido que é citado apenas globalmente como – tropa – esquadrão, unidade, ou, o que quer que seja sempre com significado colectivo.

A quadra é também um pouco assim leva consigo a força do sentimento, a chama, a semente, o conceito de beleza, a filosofia poética da alma do povo, e daí, que se designe apenas por: - Quadra Popular – e tanto a enobreça e lhe baste.

                   borboleta-na-mao1

Gosto de quadras e gosto das cantigas ao desafio onde elas surgem espontâneas, ingénuas e toscas, ou cheias de subtilezas criticas, de brejeirices e humor, outras vezes.

                    

Gosto de quadras quando elas vão à raiz da vida e soltam os sentimentos profundos que se abrigam no coração dos homens, que deles não falam por pudor, mas que na poesia, como no pranto livremente se expandem.

Por isso, quando na solidão dos campos do Alentejo, um homem ergue a voz e canta:

 

Ó minha Mãe, minha Mãe

Ó minha Mãe, minha amada

Quem tem uma Mãe tem tudo

Quem não tem Mãe não tem nada.

 

Não se saberá, ao certo, se é oração ou canto que se escuta, mas saberemos, sem dúvida, que é o eco de um profundo sentimento de amor que repercute através dos tempos.

 

Maria José Rijo

 

 

estou: 2 de Maio de 2009
música: Dia da Mãe

publicado por Maria José Rijo às 17:33
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11 comentários:
De Flor do Cardo a 3 de Maio de 2009 às 21:08
Minha boa amiga
Hoje e por muita inssistencia do Aristeu - eis-me aqui
a espreitar por esta janela linda - que é o seu blog.
Desculpe não ter aparecido nestes dias todos - mas
não tenho tido cabeça para nada.
Tenho apenas um cansaço imenso de viver.
Amiga a vida pesa-me imenso neste momento, uma
angustia vinda com mais esta recente perda -
deixou-me de gatas...
Acredite que não sinto nada de apelativo pela vida,
e ...
o Américo deixou uma lacuna enorme nas nossas vidas...

E consigo como vai a vida?
Lamento que não tenha escrito ultimamente. O
Américo dizia que a alma do Jornal Linhas estava
lá - em cada publicação - sempre que aparecem
as Conversas Soltas - porque sem estas conversas
o jornal é apenas um jornal como outro qualquer do
interior alentejano.
É uma opinião em que eu concordo plenamente.
Mas eu entendo a desmotivazão pela escrita...
E a sua mana? Está melhor?
Espero e desejo que sim.

Ficam aqui os votos de amizade
deste velhote que perdeu a vontade de viver...

Luciano


De Maria José a 3 de Maio de 2009 às 21:53
Luciano meu Querido Amigo- livrou-se de boa! se não me aparecesse por aqui hoje eu tinha mesmo que lhe ralhar!
Então deixa-me assim á sua espera ? - não sabe que fico logo preocupada?
Mesmo com sacrifício, mesmo só para se lamentar, faça o favor de escrever, está bem?
É bom para si, é bom para o Aristeu e para o Gilinho e para os amigos que lhe querem bem - e está a ver que estou na frente da fila, não está?
Lembra-se da Isabel Roque ? - também ela partiu no dia 30. Eramos amigas desde o colégio Luso- Britânico e assim fomos a vida inteira.
Tenho feito um esforço imenso para não sossobrar e, creia que esta nossa família também tem pesado muitíssimo nesta "obrigação"de continuar o caminho até que Deus queira.
Volto a repetir: - se achar que o ajuda venha até cá.
Quer que lhe diga quando for o lançamento do meu livro?
São ninharias , mas dá para cortar as obsessôes da mágoa em que nos afundamos.
A minha Mana está com a neta preferida e, eu estou de bombeiro de serviço - pronta para responder à chamada.
Eu sei como é tremendamente difícil encaixar todas as perdas que a velhice acarreta desde as capacidades fisicas até às ausências dos nossos mais profundos afectos... Sei! - mas quando me lembro de minha Mãe, em cada dia a agradecer a Nossa Senhora - a graça - de ainda distinguir a noite do dia - único sinal de luz que seus olhos conservaram... então, embora nem sempre o consiga - procuro ser mais valente.
Um abraço de todo o coração - Maria José


De Flor do Cardo a 4 de Maio de 2009 às 00:01
cara amiga
O meu filho foi-me tirar da minha cama para vir
(a correr) ler a sua resposta e escrever novo
comentario.
Eis-me aqui - com muito prazer - tenho também
que dizer.
Eu sei que estava a demorar, e sentia pena por isso,
mas a minha mente parece adormecida pela tristeza
que me invadiu.
Se me lembro da Isabel Roque, era muito amiga
da minha querida Luci, mas o que agora me
recordo é que nunca a Senhora, a Isabel e a Luci se
encontraram... creio que numa festa, mas já não me
recordo bem onde nem quando, mas recordo isto
que a minha Luci apreciava sempre o seu cabelo e
a forma suave e distinta da sua forma de vestir.
Ela repetia muitas vezes que eu era um pé de
chumbo, para dançar, e a Amiga e o Zé,
que dançavam elegantemente.
Coisas da minha memória...

Amiga - espero voltar brevemente...
Mas... o nosso mundo está a desaparecer e eu só
lamento não poder passar para os meus - tudo o
que os meus olhos viram e o que senti - passar-lhes
a minha sabedoria de vida...
Tudo o que vivi e senti - e não sei transmitir - vai
morrer comigo - e isso entristece-me...
Mas é a vida !!

Um abraço grande
Grato pelas suas amaveis palavras cheias de luz e
força

Luciano


De mARIA JOSÉ a 4 de Maio de 2009 às 19:47
meu Amigo
Já sabe! - enquanto não me disserem que voltou a sorrir - todos os dias lhe virei bater à porta.
Ainda que o ouça rsmungar: - safa que é maçadora1
Insistirei.
Um abraço da sua amiga maria josé


De Francisco Parreira a 3 de Maio de 2009 às 21:17
Excelente este seu texto.
Alias o seu blog todo ele é uma maravilha.
Os meus Parabens por este caminho que aqui
construiu.

Todos os dias venho cá a este seu dominio.
Gosto muito de ler os seus artigos de opinião.

Parabens

Francisco Parreira


De Maria José a 3 de Maio de 2009 às 22:06
António Piedade e Francisco Parreira - Obrigada por terem vindo especialmente hoje, a "esta casa" onde os Amigos são sempre bem-vindos e sempre têm lugar.
Este espaço é mesmo isso : - um lugar de encontro de quem se entende e se quer bem
Um grande abraço grato e amigo
Maria José


De António Piedade a 3 de Maio de 2009 às 21:25
Gostei imenso deste seu texto.
Realmente a Senhora tem uma alma muito
bonita e escreve primorosamente.
Hoje deixo-lhe aqui um beijinho

António Piedade


De Xavier Martins a 3 de Maio de 2009 às 22:08
Cara amiga
Fico sempre SEMPRE surpreendido em cada dia
com esta maravilha de textos/artigos que a
Senhora nos mostra em cada dia.
Tem um espólio Fantastico de opiniões diversas
e sempre com o mesmo nível.
Numa lucidez especialmente especial.

Os meus Parabens por mais este.

Um abraço

Xavier Martins


De Maria José a 4 de Maio de 2009 às 19:34
Xavier Martins
tenho tido um dia ocupado mas, vim dar uma espreitadela ao blog com o intuito de deixar aqui um abraço para "aquele rapaz do meu tempo" cuja tristeza me preocupa. Encontrei a sua presença a que já me habituei e muito aprecio e agradeço
Aqui fica também o meu abraço amigo - Maria josé


De Dina a 3 de Maio de 2009 às 23:35
1988...Meu Deus!! Passou uma vida inteira...
Quanto à quadra final...hoje foi um dia de saudade.


De Maria José a 4 de Maio de 2009 às 19:53
Dina, minha amiga querida
àmanhã tenho uma consulta em Évora. O costume - os olhos.
Depois, pelo telefone falaremos. Consigo tenho esse recurso - posso ouvi-la.
Beijinhos - sempre grata e amiga a maria José


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