Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Parece de propósito...

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.701 – 14 - Março - 2003

Conversas Soltas

Parece de propósito...

 

Não resistindo ao impulso do meu coração, ainda há bem pouco tempo, atrevi-me a erguer a minha voz, aqui neste espaço, em defesa da integridade da nossa Praça mais nobre.

Salta à vista que toda ela, funciona como se fora um adro grandioso, com a Sé entronizada no topo superior. Daí se pode usufruir num olhar abrangente todo o movimento citadino em seu redor. É a vista do casario, o acoitar da passarada nas árvores à noitinha, o eco das vozes dos transeuntes, o olhar apelativo de atenção dos mais velhos, que, sentados, nos bancos, ao sol aquecem corpo e alma como espectadores duma realidade de vida de onde a idade e a reforma já os afastou.

São os quiosques circundados de cadeiras abarrotando de gente nos dias bonitos, os táxis enfileirados à espera dos fregueses... Tudo isso, com alterações não muito significativas, compõe um cenário, que desde há mais de meio século, faz o palpitar daquele espaço, a que bem poderemos chamar de:- o coração da cidade.

E, porque é um espaço aberto, amplo, buliçoso e limpo, nos dá a consoladora impressão de que a poluição ainda lá não assentou arraiais de forma definitiva...

Elvas Praça da Republica  por FelixBenavi.

Porém, recentemente, alguém, não importa quem! – Teve a ideia peregrina de alterar tudo para, com gastos e meios espalhafatosos, arranjar forma de levar para aquele –( quase santuário de paz – atendendo ao desconforto do transito no centro de algumas cidades – assim se lhe poderia chamar )- local  o fulcro capaz de lá criar a máxima poluição possível.

Um pouco a medo, dei a minha modesta opinião, só para não me sentir cúmplice do desvario...

Big Ben Picture

Porém, escutando hoje, como em Londres, se tenta desesperadamente, afastar a poluição do centro da cidade, e, em Lisboa, mesmo timidamente já se está lutando também para afastar o mesmo flagelo de alguns bairros, cabe aqui perguntar quem estará certo, e quem estará errado!

Ainda é tempo.

Melhor, ainda seria tempo se...fosse impensável acreditar que há frases tão destituídas de critério de justiça, de bom senso, civismo, respeito pelas instituições e mais considerações que me recuso a formular – que só pudessem ser contadas como anedotas de mau gosto...mas que, por vergonha e desgraça nossa, e para descrédito de pessoas e instituições são ditas em órgãos de decisão política, e correspondem ao comportamento real e à formação (?) de quem as profere.

     

Não é difícil inferir que, com tal gente, é impensável acatar pareceres, que não os próprios.

Daí que possa dizer-se:

Se o intento é mesmo deixar o Zé de boca aberta de espanto e queixo caído, já se conseguiu a mesma finalidade pensando na diferença de critérios com que comparativamente se tomam decisões tão opostas para o bem das cidades.

Numas, afasta-se o flagelo da poluição do centro, noutras promove-se como bandeira de progresso esse mal que todos querem esconjurar.

Esta é mais “uma gota de água”, que como outras igualmente bem intencionadas, irá cair em cesto roto...

Mas, por onde passar, embora pouco, há-de molhar...

Confiemos...

Pessoa muito respeitável e amiga, alertou-me para um intervenção na rádio, de que não dei conta, em que o Dr. João Carpinteiro terá feito simpáticas referências ao meu trabalho na Câmara, quando fiz parte do seu elenco. Venho, também publicamente agradecer-lhe, não as referências, como tal, mas o sentido de justiça e amizade que o faz não duvidar da total lealdade com que, servindo a Cidade, o tenha servido, também a ele, o melhor que sabia. Obrigada. 

E, para terminar, nesta mesma onda, um aceno de comovida gratidão para um leitor, que gostaria de conhecer, Helder Sabino, que gosta e, de uma forma geral concorda com o sentido das minhas crónicas. Pois fique ciente que o que me vai ainda dando força para remar contra a maré, é acreditar que há muita generosidade em corações como o seu, e que vale a pena partilhar com gente assim, a nossa fé na Vida e no ser humano, apesar dos pesares...

 

Maria José Rijo

estou:

publicado por Maria José Rijo às 20:30
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7 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 8 de Maio de 2009 às 21:53
Olá venho deixar um beijinho
e desejar um Feliz Fim de semana.
Parece que o calor voltou. Fico feliz adoro o calor.
Beijinhos tia

Gisa


De Maria José a 15 de Maio de 2009 às 19:35
Gisa - minha Querida - então por onde anda?
espero e desejo que a sua ausência apenas queira dizer que tem estado ocupada com coisas agradáveis
Quando puder apareça - é sempre bem vinda
Beijinhos tia Zé


De Xavier Martins a 8 de Maio de 2009 às 21:58
Cara amiga
mais um excelente texto. Os meus Parabens por esta
lucida opinião.
Concordo consigo, muitos não o farão - mas se todos
tivessemos a mesma opinião... Deus nos livre disso...
seria o caos do mundo - se assim já o é... se todos
gostassem de negro - já viu como o mundo seria
sempre de noite?
Basta imaginar e sorrir.
Parabens por mais esta opinião.
Sempre interessantes e L U C I D A S.

Um abraço
Feliz Fim de semana.

Xavier Martins


De Flor do Cardo a 8 de Maio de 2009 às 22:30
Minha boa amiga Maria José
O meu muito obrigado pela sua ajuda - mesmo de
longe as suas palavras - são cheias de força - de
vida e alegria, talvez dessa alegria que não tem
para si - é sempre assim !
Mas eu compreendo-a muito bem.

Este texto é muito interessante, é claro que concordo.
Também eu não gosto daquela obra da praça -
também não gosto do viveiro de trutas - e mais
algumas - mas minha amiga sabe eu perdi já o
interesse por essa cidade - cheguei à conclusão
que não vale a pena - o futuro o dirá -
Pérolas a Porcos - como diria o meu Pai.

Sabe que aqui em Brasilia - uns amigos do Aristeu -
apareceram de sorpresa - é que andavam numa
viagem pela europa - e estiveram em Elvas.
Imagine a surpresa.
Estiveram no Posto de turismo da cidade - por
3 ou 4 vezes, e foram atendidos por umas simpaticas
funcionárias, de sorrisos nos lábios que lhes indicaram
todos os monumentos que poderiam ver.
Adoraram o Museu da Fotografia e disseram que
conversaram com o Dr. João Carpinteiro - que lhes
mostrou o Museu.
Eu conheço-o de menino e concordo que é uma
simpatia. Não sei o que seria do Museu sem ele -
para mim ele é a alma do Museu.
Não acha Maria José?
Resumindo - gostaram muito da cidade e ficaram
apaixonados pelas muralhas, os fortes e o Aqueduto.
Como qualquer um fica.

Como vê já estou melhorzinho, e muito grato pelas
suas palavras generosas.
O meu Amigo não quereria que eu ficasse triste.
Deixou-nos uma carta e fez o que fez por pensar
que estava a dar trabalho...
enfim...

Um grande abraço e feliz fim de semana.
Com amizade e admiração

Luciano


De Maria José a 15 de Maio de 2009 às 20:55
Meu querido Amigo
quero-lhe contar que o Dr. João Carpineiro pertence àquele pequeno grupo de amigos que telefona todos os dias para saber se estu bem de saude.
Como é lógico pergunto-lhe pelo movimento do Museo e, assim tive conhecimento da visita desse grupo de brasileiros . Já lhe contei das referências o que lhe deu alegria.Aquele Museu é o sonho de uma vida - que - por sua vez - lhe consome a vida.
O meio não está muito atento a estas minúcias.
Pode ser que surja alguém que lhe reconheça o justo mérito e patrocine eventos que o possam tornar apetecivel a um publico mais vasto, como merece.
Conforta-me saber que está vivendo com mais coragem e abraço-o feliz por isso - maria josé


De entremares a 9 de Maio de 2009 às 15:47
Li com interesse as opiniões que expressou em torno da praça da república, no seu contexto histórico, parecendo-me correcto que manteha a coerência de outras opiniões semelhantes, no que respeita ao património da cidade.
No entanto, permita-me discordar na interpretação que faz do foco de poluição, e ainda mais das comparações alusivas a Londres ou outras cidades de dimensão não comparável à nossa. Com efeito, a poluição gerada pelo povoamento ( e não só automóvel ) de qualquer centro urbano está a atingir níveis impensáveis, nalguns casos perigosos até para a saúde. No entanto, não convém misturar as várias realidades que aborda no seu comentário, pois que pertencem a “mundos” completamente díspares.
Em primeiro lugar, a praça da república não será certamente o local de maior poluição ambiental da cidade – mesmo a rotunda principal da cidade, defronte do tribunal, ultrapassará facilmente a praça nesta matéria; e ainda podemos falar da zona industrial ou da rua de Olivença, qualquer delas com um trânsito poluente bem mais significativo.
Em segundo lugar, é verdade que algumas grandes cidades estão a tentar levar à prática planos de contingência, ora limitando o trânsito de pesados, ora promovendo a circulação em dias alternados ou, como o caso de Londres que focou, impondo taxas de circulação automóvel. Não me parece que qualquer medida deste género, aplicada à nossa cidade, fosse prática, ou até desejável.
Em terceiro lugar, diz-nos a experiência que a utilização do subsolo tem provado aliviar a densidade de movimentos citadinos – não fosse o metropolitano o melhor dos exemplos – e como tal, todas as grandes cidades optaram por criar uma rede de parques subterrâneos que, tanto quanto se saiba – não desfearam a traça das mesmas. A praça dos Restauradores em Lisboa, a praça do Louvre, em Paris ou a lateral do Hyde Park, em Londres são meros exemplos.
Por último, a praça da república, enquanto centro nevrálgico da cidade, dificilmente poderá ser um “quase santuário de paz”; bem pelo contrário, a cidade de Elvas, cada vez mais virada para fora dos seus próprios muros, precisa de voltar a descobrir os encantos e pormenores do seu burgo histórico, cativando com meios de acesso e permanência mais fáceis todos aqueles que a prentendem (re)visitar.
Esperemos que o discernimento de todos permita que Elvas progrida sempre na direcção certa. Lembro-me bem de ver toda a superfície da praça transformada em parque de estacionamento, com uma estação de transportes públicos e muitos autocarros da Rodoviária Nacional a entrar e a sair constantemente da mesma.
Não lhe parece, sinceramente, que a qualidade do ar que todos respiramos naquele local, está bem melhor agora?
Um bom fim de semana para si, e a continuação de boas e lúcidas observações a esta cidade magnífica.

Rolando Palma, Elvas


De Maria José a 15 de Maio de 2009 às 20:02
Rolando Palma - gostaria de há mais tempo ter vindo conversar um pouco consigo. mas, quem tarda ainda chega e, foram válidos os motivos porque me atrasei.
Creia que me conforta encontrar no meu caminho quem tem a honestidade de uma postura cívica como a sua.Ninguém é obrigado a concordar com os nossos pareceres, mas,embora isso nos agradasse, não é menos salutar encarar pareceres diferentes expostos com inteligencia e correcção como é o seu caso.
Eu não pretendi dizer que a Praça é o local mais poluido, nem me ocorreram na altura comparações- só pretendia, e mantenho essa convicção , que tivesse sido escolhido outro local para uma obra, útil, só mal situada na minha opinião.
Obrigada por se ter dado a conhecer e obrigada por ter iluminado estes e outros ângulos .
Os meus cumprimentos e bom fim de semana
Maria José Rijo


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