Domingo, 10 de Maio de 2009

Os meus sobrinhos

 

 

Á Lá Minute - Jornal Linhas de Elvas - Nº 1939 - 6 Maio 1988

 

 

 

Houve em tempos, na televisão, uma série intitulada – “Os meus sobrinhos e eu”.

Era uma história idílica, quase conto de fadas. Narrada por episódios, cada um tão apaixonadamente “falso” como os outros, mas que fazia sonhar.

 

Duas crianças, uma rapariga e um rapaz, um mordomo e um tio eram os pilares em que todo o enredo assentava.

O mordomo afectuosamente cúmplice, era eficientíssimo; o Tio, rico como creso, era compreensivo, tolerante, afável, e a menina e o menino eram lindos, saudáveis, inteligentes, divertidos e simpáticos – enfim! – A cada um dos intervenientes não faltavam nem uma só das virtudes ideais, nem a cada uma das situações faltava a solução a tempo, sempre certa, humaníssima, perfeita e feliz como nos contos de encantar.

Sempre que podia, lá ficava eu, a seguir ao almoço, frente à televisão a assistir ao desenrolar das pequenas histórias, a deliciar-me com a representação dos garotos e a suspirar de pena por a vida não ser assim em tons de azul e rosa, sem violência, roxo e negro.

 

Ora eu, tenho um “bando de sobrinhos, meninos e meninas de verdade, com problemas, dificuldades, nem bonitos de encantar, nem feios de meter medo. Gente normal, caras engraçadas, olhos curiosos, ávidas de viver. Alguns, agora, já borbulhentos com vozes esquisitas de mudança, outros ainda infantis e inocentemente ternos.

 

Há também as que ainda gostam de bonecas, mas já se fazem de mulheres metidas em incríveis mini-saias, cheias de laços e pulseiras e penteados como quem acabou de acordar e há um mês que perdeu o pente e a escova do cabelo!

Coisas reais e verdadeiras do dia a dia deste tempo que me ultrapassa, e a que eu assisto com o mesmo gosto e o espanto que me provocam as séries de ficção.

Ás vezes fico a olhá-los e a pensar: “Os meus sobrinhos e eu…” e quando se salienta pela argúcia, sensibilidade, dito de inteligência ou gentileza não resisto. Gosto de contar.

Agora, foi o Ruca. Ultimamente tem descurado os livros. É pena porque tem imensa capacidade.

Talvez reconhecendo-o alguém lhe tinha dito: - “O saber é a luz da vida”.

Com humor irreverente dos seus inteligentes 13 anos respondeu: - “Não estude! -  Poupe energia!”

 

Quando me contaram, ri com vontade. Não são idílicos – são verdadeiros.

Com qualidades e virtudes, são como são, e quando os abraço e os ouço rir o espaço do sonho alarga-se à minha frente.

São crianças - o melhor que a vida tem.

 

Maria José Rijo

estou:
música: Os meus sobrinhos - 1988

publicado por Maria José Rijo às 21:03
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4 comentários:
De Manuel Henriques a 10 de Maio de 2009 às 22:37
LINDO
Este seu texto - sobre os seus sobrinhos
é muito lindo.
Gostei imenso. Como sempre, aqui neste
lugar tão especial - o seu cantinho na rede
é um lugar muito especial.
Gosto muito de aqui passar e ficar e ler tudo.
Nem sempre escrevo mas acho bem que as
pessoas escrevam e mostrarem que gostem.

Adorei o texto de hoje.
Parabens mais uma vez

MAnuel Henriques


De maria José a 15 de Maio de 2009 às 19:30
Manuel Henriques
Obrigada pela sua visita e pelo seu comentário. Não avalia como é reconfortante para mim sentir que outras pessoas, como eu, valorizam as pequenas coisas desta vida.
Um abraço amigo grato - Maria José


De Aristeu a 10 de Maio de 2009 às 22:52
Oh Tia
O texto é uma maravilhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Mas acho que em todas as fotos falta uma
aquela em que estamos os dois.
Não acha??
Mas está bem...
está perdoada... fica para a próxima...
Mas agora a sério Tia - é um texto muito bonito,
quase uma reminiscencia.
Parabens por mais esta maravilha.

O meu Pai está mais calminho e agora dedica-se
mais a leitura e está mais interessado - embora
eu saiba que a vida já não tem grande sentido...

Tiazinha
beijinhos

Aristeu


De Maria José a 15 de Maio de 2009 às 20:36
Eu sempre recomendei ao menino que não devia afastar-se de mim se queria ficar no retrato!
Vê o resultado! Vê!
Só o tenho no coração...
Beijinhos - tia Zé


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