Terça-feira, 19 de Maio de 2009

As Gralhas

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.955 – 26 Agosto de 1988

 As Gralhas

 

Quando aquele “pôs” com Z de arroz, e circunflexo chapéu de chinês – a que a minha péssima caligrafia teria dado lugar – me saltou aos olhos, lembrei-me que poucos dias antes acompanhando umas provas tipográficas que cuidadosamente revia, vinha uma carta, onde, o autor de determinado texto manifestava, no seu estilo inconfundível, a bem humorada esperança de “ter calado as gralhas todas”.

Confessava não ser a caçada fácil, mas que a ela procedera com toda a convicção. Esta maneira aparentemente despreocupada de falar de tarefas a que se procede com  consciência e rigor, fez-se recordar maneiras bem diferentes de outros escritores reagirem, perante situações semelhantes. Alguns houve, que quase entravam em pânico tomando a “gralha” como afronta pessoal.

Claro que há textos e “textos”, autores e “autores”, responsabilidades e “responsabilidades”, porém, há também, como é lógico, pessoas e “pessoas” porque tudo é relativo. Mas, em todas e quaisquer circunstâncias, cada atitude funciona um pouco como uma pista para se encontrar a maneira de ser  de quem a produz.

                     escrita.jpg

Assim, muitas vezes o comentário que se emite sobre qualquer assunto ou sobre outrem, fala mais claramente de quem o faz, do que daquilo ou daquele, que o motivou – ou – pelo menos, tanto de um como de outro.

E eu que nunca tinha pensado porque se chama gralha ao erro de tipografia deu-me para conjecturar, agora, nessa denominação.

               

Será que o ilustre correspondente, com seu ar de brincadeira me forneceu a ponta da meada? Capaz de ser. De qualquer forma tudo a que está fora da norma é tão gritante, tão chamativo, que bem poderá ter ganho a classificação de “gralha” pelo barulho que origina. Só que, ao que foge da norma e resulta belo, bom, ou admirável, que eu saiba, ninguém chama de “gralha”.

             

Quando tiver tempo vou averiguar.

 

Maria José Rijo

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 21:55
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8 comentários:
De Aristeu a 19 de Maio de 2009 às 22:31
As gralhas
que andam em tudo o que tenha letras...
Os jornais é um jardim de gralhas e onde menos
esperamos elas aparecem...
Sempre incomodas, a tirar graça ao que se quer
mostrar.
Mas então... faz parte do nosso dia a dia...

--

Excelente tia querida
mais um texto de qualidade.
Os meus Parabens
Muitos beijinhos

Aristeu


De Maria José a 22 de Maio de 2009 às 20:32
O Aristeu, é mesmo muito querido - com uma vida com tanto trabalho ainda arranja tempo para um bocadinho de conversa em cada dia com esta tia que saiu uma boa gralha - como se está vendo.
Por acaso quando vou para Juromenha, uma das aves que mais aparecem na estrada são as gralhas.Aí um destes dias passados estava uma na estrada a banquetear-se com um ouriço que tinha sido atropelado. Não fazia ideia que comessem carne pensava que isso era hábito dos corvos .
Era uma manhã de sol bonita e fresca e volta e meia lembro a circunstância.
Parecia uma mancha de sangue num tecido alvo.
Estranhas emoções por coisas de nada.
Beijinhos meu querido
Tia Zé


De Armando Franco a 19 de Maio de 2009 às 23:16
Minha Senhora
Uma visão muito interessante sobre o mundo das
gralhas no mundo da escrita.

Gosto muito do seu blog.
Sempre tão interessante.
Sempre belissimo a cada dia.

Parabens

Um abraço

Armando Franco


De Maria José a 22 de Maio de 2009 às 20:15
Armando Franco
Obrigada pela sua presença com comentário tão simpático.
Na verdade, às vezes, rir ou sorrir destes pequenos males que atormentam quem escreve também ajuda
ultrapassar os incómodos que, às vezes, também causam
Um abraço
Maria José


De Dolores a 19 de Maio de 2009 às 23:29
Olá tia
Hoje estava eu a dizer ao meu Avelino que se
estivesemos no mesmo País que a Tia - lhe
enviariamos uma cesta de cerejas. Destas belas
e grandes cerejas de Montpellier.
Iria certamente gostar.

Tia vi que estava a perguntar dos aniversarios
porque perdeu a sua agenda - pois então aqui
estão os nossos também:
- eu Dolores - 21 Março de 1962 - fiz 47 anos
- o Avelino - 18 de Agosto de 1958 - faz 51 anos
- a luizinha a 18 de Maio teria feito 23 anos
e a nossa princeza - nasceu em 6 de Setembro
de 2008 e tem 8 meses

É assim tia
Gostamos muito de si.
Desta sua familia Francesa

DOLORES


De Maria José a 22 de Maio de 2009 às 20:07
Meus Queridos
Alguma fada escutou os vossos desejos e recebi uma linda caixa de carnudas cerejas vermelhas como papoilas e gostosas, como elas são, quando são perfeitas.
Assim que , comendo-as, consigo esquecer a gula e ligar a elas lembranças de vida bonitas e vivas como elas são.
Obrigada pelas datas.Estes contactos são tão virtuais que estas pequenas coisas me fazem pensar que vos conheço na realidade.
Saude, força e um abraço muito, muito.
beijinhos - tia zé


De João Trinité Rosa a 20 de Maio de 2009 às 23:25
Querida Tia,

Aproveito a caixa de comentários do seu blog para lhe fazer chegar um grande beijinho e também para dizer que tem corrido tudo muito bem aqui por Londres, onde ja estou há quase duas semanas.

Envie-me um email para poder guardar o seu e assim podermos conversar de vez em quando.

Beijinhos

João


De Maria José a 22 de Maio de 2009 às 19:58
Meu amor querido - já tinha desejado muito que comunicasses comigo. Não disse nada porém, porque isso de doutoramentos, mudar de país e de casa e de costumes tem seus custos de habituaçãoe e não queria preocupar-te com mais essa obrigação. Depois há ainda a circunstância de que atraves da Avó e de Francisquinha ir sempre sabendo de ti.Sei que o Pedro pensa ir aí um destes fins de semana e que a Xica está doida por ir com eles.
Eu, como de costume vou estando no meu canto aguardando as vossas visitas que sempre acharei poucas e vivendo da consolação de ter o afilhado mais querido do mundo - beijinhos - tia Zé
Manda os teus contactos - sem receio - por este meio - para podermos falar mais.a vontade, que, como é lógico, não os poremos on-lein
Saudades - muitas.


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