Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Uma saudade nova

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.888 – 15 de Maio de 1987

 Uma Saudade nova

 2827151379_2aa3f80167_o.jpg 2827151379_2aa3f80167_o.jpg image by banithor

Há cinquenta anos – meio século – calcule-se! (ou foi ontem?) fui caloira no liceu de Beja.

Neste fim de semana correspondendo ao apelo de outros “meninas e meninos” desse tempo e de outros mais recuados e mais recentes, lá fui misturar-me naquela confusão de abraços, beijos, risos e lágrimas que percorrem algumas ruas da cidade atrás duma Banda, depois de rezada uma missa por alma de Professores e Alunos já falecidos. O destino do cortejo era o liceu onde fomos almoçar em mesas floridas de violetas (queriam significar saudade, creio) mais de mil presenças entre velhos e novos!

                

Alguns já vão com filhos e até netos que frequentam agora o “nosso Liceu”. Só que agora já não se chama assim! Agora é Escola Secundária”! – Não sou capaz de descobrir qual é a vantagem da mudança. Talvez por isso fiquei a pensar que há um certo convencimento de que, em se mudando o nome às coisas já se pode fazer acreditar que delas se mudou a essência e não apenas a fachada!

      BejaLiceu

Enfim se eu tivesse frequentado uma Escola Secundária – estaria actualizada e estaria em condições de entender esta estratégia! – Mas andei num liceu e isso não me facilita a decifração destes enigmas. É tarde para alterar as coisas – porque essas, são mesmo o que são!

                      

De qualquer modo, se voltar ao passado é impossível, voltar aos locais do passado, às vezes, se consegue, como agora aconteceu.

 Rever amigos e lugares tem os seus perigos, é certo. Há sempre uma mistura de medo e riscos no gozo que sempre se deseja e a mentira e a verdade envolvem-se tão profundamente como os sentimentos se confundem.

      

Uma amiga deu-me uma selecta, já em desuso, onde filhos de antigos colegas aprenderam um poema meu nela incluído. Contou-me da alegria que sentiu em falar aos seus alunos da infância que vivemos juntas.

             

Um velho Liceu, uma velha amiga, uma velha selecta, um velho poema – de tanta coisa velha, colho afinal aquilo de que hoje falo – uma Saudade nova, nova e viva como só a Saudade sabe ser!

 

Maria José Rijo

 

estou: Liceu de Beja
música: Maria José Rijo - 15 de Maio de 1987

publicado por Maria José Rijo às 23:35
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4 comentários:
De Flor do Cardo a 21 de Maio de 2009 às 00:26
As recordações dão-nos sempre
alegrias, saudade e sempre uma pintinha de
saudades e mágoas...

É disto que somos feitos.
Adorei o seu texto, também eu participei nalgumas
festas desse tipo do meu Liceu.
É mesmo assim.
Comovente no rever amigos, professores (poucos)
mas faz-nos bem a isto em que nos tornamos.

Gostei do seu texto minha amiga.
Sempre esta sua elegancia no seu escrever...

Os meus Parabens

Luciano


De maria José a 22 de Maio de 2009 às 21:03
Meu velho e querido Amigo
Ontem fui apanhar o raminho da espiga.
Minha Mâe, juntava às espigas para o pão, à oliveira para a paz, às papoilas para a alegria, aos malmequeres amarelos para o oiro e aos brancos para a prata, a flor de romãzeira para haver saude.
Assim lá fomos, a Paula e eu, cumprir o ritual de quinta feira de Ascenção.
Não consegui fugir à consciência de que se toda a gente colhesse espigas, a razia era como nos pinhais pelo Natal.
Daí que tivessemos apanhado uns molhinhos de flores coloridas com umas espigas raquiticas que nem sabemos de que erva são.
Vale a intensão e a repetição do gesto que herdamos e gostamos de reviver.
Rematei apanhando um molho de saudades do campo( são lilazes e perfumadas) que minha Mãe me ensinou a identificar e pus no meu oratório.
Sei que sabe como foi, porque sabe como é...
Um abraço grande e amigo
maria José


De Dolores a 21 de Maio de 2009 às 22:07
Querida tia
Passei para ler o seu texto que ontem não consegui
aqui vir - estava tão cansada que não tive como.
Hoje já vim e como sempre a tia tem textos
maravilhosos. Adoro a sua sensibilidade e a sua
forma de se exprimir.

Obrigado tia por existir
Beijinhos

Dolores


De Aristeu a 21 de Maio de 2009 às 22:29
Oh minha querida tia
Gosto tanto tanto desta sua forma de escrever.
Gostava tanto de eu próprio ter esta facilidade
de escrever , assim, como a tia.

A sua escrita torna-se gratificante para mim
porque me ensina, me motiva, me dá esperança
e grande prazer de ler cada um dos seus
artigos de opinião.

Obrigado tia por ter este blog que faz as minhas
delicias.

Com muita amizade e carinho

Aristeu


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