Domingo, 24 de Maio de 2009

RIEN de RIEN

Á LÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.865 – 5 de Dezembro de 1986

 RIEN de RIEN

 

Uma das maneiras, mais pobres e mais tristes, de querer parecer que se tem dimensão de vulto, é a meu ver, cortar tudo quanto é possível da real estatura humana, daqueles que se tomam como ponto de referência.

É de tal modo conhecido, que é impossível contar, imparcialmente, a história, que ás vezes só cinquenta anos, e mais, depois dos acontecimentos que se narram, se consegue uma visão mais correcta e objectiva sobre os factos que se descrevem. De qualquer forma, entre narrar e historiar, vai sempre a distância que medeia entre a fotografia e o retrato. Interpretar, depurando de toda a paixão, despeito, desilusão, ressentimentos, êxitos e frustrações, que sempre fazem parte da densidade emocional das atitudes humanas – porventura as mais bem intencionadas – de quem conta o que viveu – é função da história.

             

Por isso, manda o bom senso e o bom tom que se defenda e cultive o tal sentimento de pudor e dignidade … que não obrigando ninguém a mentir – aconselha com sábia prudência, cada um, a calar os seus próprios heroísmos e, deixar ao tempo com o seu distanciamento o cuidado de iluminar com isenção e justiça, o que mostrado no auge da contenda, tanto afogueia a face que, a todos os olhares, dará de quem acusa um ar duvidoso que compromete a imagem que se pretende erguer.

      

Ocorreram-me estas considerações ouvindo cantar Edith Piaff que chegou a ribalta da fama com a sua voz inconfundível de mulher formada na “universidade” das vielas e sem se comparar a ninguém – assumiu o seu passado de miséria e dor, a sua figura miúda,

o seu aspecto frágil, a sua magreza, a sua fealdade – o que sofreu e o que terá feito sofrer – e, sem ressentimentos, só nervos e alma sem desistir da esperança – cantou – e da

             

sua pequenez humana talhou com a sua voz bela e sofrida a dimensão da sua individualidade com a coragem duma canção que vale por uma biografia:

 

.

                        

Rien

Rien de rien

Je ne regrette rien

 

 

Maria José Rijo

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 20:14
| comentar | Favorito
partilhar
8 comentários:
De Gustavo Frederich a 24 de Maio de 2009 às 21:16
Excelente minha Tia
Edith Piaff - uma boa escolha para motivo de
conversa.
Adoro este rien de rien:

Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien.
Ni le bien qu'on m'a fait,
ni le mal, tout ça m'est bien égal.

Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien,
C'est payé, balayé, oublié,
je me fous du passé.

Avec mes souvenirs,
j'ai allumé le feu.
Mes chagrins mes plaisirs,
je n'ai plus besoin d'eux.

Balayés mes amours,
avec leurs trémolos.
Balayés pour toujours
je repars à zéro...

Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien.
Ni le bien qu'on m'a fait,
ni le mal, tout ça m'est bien égal.

Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien.
Car ma vie, car mes joies,
Pour aujourd'hui
ça commence avec toi.
------
em Portg.
------
Não, De Jeito Nenhum

Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Nem o bem que me fizeram,
Nem o mal, tudo me parece igual

Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Está pago, varrido, esquecido
Eu estou farta do passado

Com minhas lembranças,
Eu alimentei o fogo
Minhas aflições, meus prazeres
Eu não preciso mais deles

Varri meus amores
Junto a seus aborrecimentos
Varri por todo dia
Eu volto ao zero

Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Nem o bem que me fizeram,
Nem o mal, tudo me parece igual

Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Minha vida, Minhas jóias
Hoje
Começa com você
-------

No meu atarefamento de mudança - realmente a
tia tem razão - a mudança trouxe-me uma tristeza
especial.
As suas palavras são reflexo da verdade.
Adoro-a minha tia querida

beijinhos

Gus




De maria José a 25 de Maio de 2009 às 12:39
meu sobrinho querido - hoje, estou verdadeiramente magoada pela vida.
Deixo-lhe um beijinho grato pelos poemas que já , de todo, não recordava.
Tal como eu, meu marido, apreciava imenso a Piaff,a Gréco, a Babra a Nana Mouskouri, o Jacques Brel e alguns poucos mais que ainda hoje persistem na minha lembrança.
Felicidades para a sua mudança, torço por si
Beijinhos tia Zé


De Julieta Malaquias a 24 de Maio de 2009 às 22:28
Lindo.
Eu gosto imenso de Edith Piaff uma voz magnifica
e a Senhora aqui mostra-nos um pouco dela.

Muitos Parabens
Por ter este blog on line e assim o mundo ter
acesso aos seus artigos de opinião e também
a sua linda poesia.
Adoro andar por aqui e descobrir as suas
maravilhas.

Os meus Parabens

Julieta Malaquias


De maria José a 25 de Maio de 2009 às 12:43
Julieta Malaquias - que bom ter a sua companhia.
Se por "aqui" anda a gosto... que mais poderei fazer do que agradecer de todo o coração?
Obrigada por ter vindo
Maria José


De Aristeu a 24 de Maio de 2009 às 23:31
excelente tia
Realmente a minha tia tão querida
tem artigos fabulosos, digam lá o que digam.
O meu Pai diz que os seus artigos eram sempre
muito comentados porque a sua lucidez é
extraordinária.

O senhor Luciano, o meu Pai, afirma muitas vezes
que este meio de levar os seus artigos foi uma
feliz e necessária ideia - o que eu também
concordo.
Os seus textos/artigos/poesia e tudo o mais tem
mesmo de ser levado para longe, normalmente
onde se vive as pessoas não sabem dar o valor
necessário ao que se tem defronte dos olhos -
estas eram palavras do tio Américo.

Sabe tia que o Primo Julião - o primo do Tio Américo
apareceu cá em casa - no sábado passado - porque
queria render as homenagens ao primo.
A história repetiu-se e ele ficou decepcionado
pela cremação - mas nós achamos e o Tio Américo
comungava da mesmo opinião - a cremação é tão
mais simpatico do que esses cemiterios cheios de
sepulcros...
Bom - o primo Julião resolvei por cá focar uns
tempos - aceitando o convite do meu Pai.

Portanto temos visistas.
Beijinhos minha tia querida

Aristeu


De maria José a 25 de Maio de 2009 às 13:08
Meu querido sobrinho
Na verdade concordo inteiramente com a cremação.
Tenho esse pedido escrito para meu destino final.
Alem do mais, correndo o Guadiana à minha porta em Juromenha, que melhor fim de linha do que acreditar que as minhas cinzas chegarão - com ele - ao mar, não vejo!
Talvez assim consiga o que vivendo não se consegue, perceber o percurso.
Mas... como o rio, vamos em frente
Penso que para o eu amigo Luciano vai ser bom ter nova companhia.
Sabe que o nome, Julião - não sei porquê me pareceu como se fosse um nome antigo, de alguém que soubesse imensas histórias do passado, de parentescos ,romances e curiosidades como um personagem de Eça - ou um retrato que se acha no fundo de uma gaveta e não sabemos de quem é, mas que nos impressiona pelo porte, pelos bigodes, pelo fulgor do olhar.
Veja lá se não sou louca! - Mas o nome seduziu-me como uma lembrança de coisas que não se sabem mas, se sonham.
Que a visita vos dê prazer,e não me ache mais tonta do que a conta.
Beijinhos, meu querido
Tia zé


De Augusta Silva Torres a 24 de Maio de 2009 às 23:41
Minha qerida Amiga
Hoje não consegui passar ao lado sem comentar.
Aliás eu quero comentar todos os dias - mas
nem todos os dias tenho saude para eu propria
poder ler os artigos.
Estou muito debilitada desde que o meu netinho
morreu - aliás esse foi o motivo de me ter
afastadi um pouco deste mundo fanrtastico da net.
MAs o meu menino morreu num acidente de moto.
O meu Antoninho com 17 aninhos ...
Estou tão triste minha amiga, tão triste...

beijinhos querida amiga

Augusta Silva Torres


De maria josé a 25 de Maio de 2009 às 12:16
Minha querida amiga
Por estranho que pareça tenho-me lembrado imenso de si e registado com preocupação a sua ausência.
Tenho até sentido um certo receio de perguntar o motivo do seu silêncio porque, como sabe, nas nossas idades, nem sempre são agradáveis as respostas.
Ora, ontem, precisamente ontem quando me estava a deitar decidi que hoje, sem falta, tentaria saber de si.
Hoje, abro o computador e dou com a tragica notícia que, a essa mesma hora em que eu a recordava me comunicava pela net
Que poderei eu ter para lhe oferecer como conforto, para essa coisa contra- natura que é ver morrer as nossas crianças? - nada.! - Absolutamente nada.
Abraço-a, choro consigo porque sei, infelizmente sei, que nada cobre essas ausências. Só a Fé ajuda .
Muitas vezes me enterneceu a descrição da escolha de músicas, e todo o mimo que dele recebeu e, não era vulgar em netos destes tempos.
Talvez por ser um anjo tenha regressado ao seu espaço próprio - à mão de Deus.
Talvez... beijinhos com muito carinho
Sua amiga - Maria José


Comentar post

.Maria José Rijo


. ver perfil

. seguir perfil

. 55 seguidores

.pesquisar

 

.Dezembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


.posts recentes

. Apresentação do Livro de ...

. O Natal e os Poetas - 201...

. São Mateus 2017

. Participação - Programas ...

. Programa de São Mateus 20...

. Carta aos meus queridos A...

. Aniversário do Linhas - 2...

. Viagem a Fátima

. Reportagem do Jornal Linh...

. Parabéns Avelino

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@