Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Instantâneo de Verão

Á Lá MINUTE

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.896 – 10 de Julho de 1987

 Instantâneo de Verão

 

Junho!

Beira-mar!

A água sem ondas, crispada apenas por um ventinho miúdo, atrevido.

Gente e gente, à vontade. Brinca-se no areal. Os mais velhos, atentos, olhos no mar, vigiam os colchões e as pranchas onde os mais miúdos se deixam embalar, pelo vai e vem da água, gozando o sol.

           IMAGENS, tarde

Chegam continuamente estrangeiros de corpos brancos, leitosos, que se olham e olham, fazendo comentários entre si e se instalam com equipamentos dignos de filmes de ficção científica.

À tardinha, estarão corados como lagostas cozidas, (apesar de unturas cheirosas) mas, ainda sorridentes, que a descoberta do sol depois da noite de avião até Faro, de onde o táxi os veio despejar, ali, à nossa frente, nas casas da praia – encasacados – como quem traz o Inverno na pele – não é coisa que um vulgar escaldão ofusque.

De tudo quanto viram no catálogo só lhes faltará o “Galo de Barcelos” – o resto é mostruário completo do que a propaganda impinge.

Vai para Portugal? – Leve – compre – use – experimente…

Fica-se a olhar. É um deslumbramento.

Uma família ocupa um barco de borracha – enorme – lindo – novo. Atam-lhe um segundo – miniatura deliciosa do primeiro e vão em fila.

             

Penso no “tio Patinhas” com os sobrinhos. Olho e vejo cifrões. Pai, mãe e caçulinha a bordo da embarcação chefe.

O “Herdeiro” – (9-10 anos) – soberanamente ocupava a miniatura a reboque.

Paralelamente à praia, deslizam como guarda avançada de um cortejo – que não há – sérios e lentos.

Percorrem alguns metros. Todos os olham. Fazem uma viragem, passam segunda vez e retiram o barco grande da água.

            

Fica o “herdeiro” sozinho, remos nas mãos para ensaiar a aventura da primeira “navegação”.

Qualquer coisa lhe falha. Deixa o barquinho abandonado uns instantes e vem a terra.

 O vento que ainda não amainara – parecia espreitar – cresce, rodopia, toma conta da situação, empurra, brinca, fa-lo voltear roçando a água e perante o silêncio constrangido de toda a gente que olha fascinada – afasta o barquinho azul – e fá-lo voar bordejando o mar como se fora um pássaro enorme – como se fora uma gaivota picando, de quando em quando para pescar – até se perder na distância.

 

Quietos, sem palavras, todos olhamos como só se olha o que parte e não regressa.

 

Maria José Rijo

 

estou: Instantâneo de Verão

publicado por Maria José Rijo às 21:52
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3 comentários:
De Giane a 11 de Julho de 2009 às 04:46
Beira mar.
Na praia paramos para ver o vai e vem das ondas.
Na areia, observamos quem vai dourar-se ou como a gente observar a paisagem.
De qualquer jeito é maravilhoso estar ali.
Boas férias!

Beijos mil!!!


De Maria jose a 13 de Julho de 2009 às 19:21
Giane- que tal se estivesse por aqui à conversa connosc?
Um abraço - Maria José


De Giane a 16 de Julho de 2009 às 04:09
A distância é corpo, mas - ainda bem - não é alma.

Adoraria, quem sabe, um dia?

Beijos mil!!!


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