Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

Amargas considerações

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1784 – 3 de Maio de 1985

 Amargas considerações

 

Pela sua brutalidade a notícia atingiu-nos como uma bofetada ou um insulto, e ofende

“Adolescente ladrão mata-se por medo”

Adolescente, tanto quanto me parece – quer dizer: - Rapazinho ou rapariguinha que, não sendo já “meninos de mãe” – também ainda estão longe de ser adultos.

Que sociedade é então a nossa, que permite acusar assim uma criança?

A adolescência sendo uma etapa de crescimento na vida das pessoas é porventura, a mais vulnerável, a mais difícil, a mais sujeita a perturbações de toda a ordem.

                     

É na adolescência que todas as funções latentes no ser humano rompem a sua letargia e se anunciam e denunciam com a força e o vigor que a Primavera também tem para criar folhas e flores em qualquer ramo despido.

Na adolescência quebra-se todo o harmonioso equilíbrio da infância. É a voz que muda, é o corpo que cresce, cresce e perde o jeito da inocência, surpreende e quase assusta. É toda um caminho de dúvidas, anseios, descobertas, até reencontrar um novo equilíbrio.

  

Como pode então, alguém que já fez esse percurso, alguém que já atingiu a fase perfeita de adulto – rotular assim de forma tão gelada e definitiva outro alguém que vai ainda nesse bocado de caminho da existência tão perturbador e misterioso.

Um menino que sonha – nunca é um ladrão – é apenas um criança – em fase de formação – que precisa ainda mais de segurança do nosso ombro para chorar, meditar, confiar, aprender, ser confortado no erro e aceitar a penitencia quando esclarecer já não basta.

       

Um adolescente de 13 anos que rouba e por medo e vergonha, a seguir se mata – e alguém cujo comportamento nos acusa.

É alguém em crise, que precisou de nós e não nos encontrou no ponto certo.

Nós adultos é que traímos a sua confiança, o seu direito à esperança, a sua fé na Vida.

  

Uma criança que se mata por medo dos adultos é agluém que ao reconhecer que errou – descobriu – que nós valemos tão pouco que temos maior bitola para a ameaça e o castigo do que para o Amor e o Perdão.

 

Maria José Rijo

 

 

estou:
música: Amargas considerações - 1985

publicado por Maria José Rijo às 20:36
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7 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 6 de Agosto de 2009 às 22:37
MAis um texto cheio de significado.
Como aliás são todos os seus textos.
Gosto da imensa facilidade com que a tia
fala e conta dos factos da vida como o que
hoje nos mostra.
A sua lucidez e humanismo chega a arrepiar-me.

Espero e desejo as suas melhoras.
Muitos beijinhos

Gisa


Tia morreram todos os meus gatos com uma
doença que nem sei muito bem dizer o que é.
Não vou querer mais nenhum - são só
desgostos.

Beijinhos


De Aristeu a 6 de Agosto de 2009 às 23:12
Minha querida Tia
Fiquei muito preocupado, muito mesmo.
Por favor não faça isso, não se deixe assim ficar
sem se tratar, sem tratar da sua saúde...
Fico eu doente só de a pensar doente e eu longe...
mas também já lá vai o tempo em que eu estava
um pouco mais próximo de si...

Por favor tia não faça isso, está bem?
está bem tia.
Gosto muito de si
Beijinhos

Aristeu


De Avelino a 6 de Agosto de 2009 às 23:20
Cara Amiga
Hoje vim eu é que a Dolores está ali com uma
enorme colica de rim e nem consegue quase
levantar-se da cama.
Já está medicada mas não está bem.
Pediu-me para vir eu falar consigo e fazia já muito
tempo que não vinha por aqui.
O trabalho é demasiado e o tempo é curto.
Li atentamente as ultimas postagens e os
comentarios e suas respostas.
Devo confessar-lhe que fiquei preocupado, a
Dolores estava muito angustiada por si, e ainda
anda - e ela que me não ouça.
Não deixe de cuidar de si.
Saiba que é muito importante para nós.
As suas melhoras.

Avelino


De Ana Maria Lourenço a 7 de Agosto de 2009 às 21:50
Minha boa amiga
Realmente a Senhora tem mesmo um dom.
Escreve formidavelmente e tem sempre temas
com grande impacto.
Este assunto foi muito falado na época, recordo-me
do choque que foi. Realmente foi doloroso demais.
As crianças t~em de ser tratadas como deve de ser
para elas se tornarem seres humanos com almas
boas, generosas e amgas para também serem
felizes.

Obriado por mais este artigo.
Parabens

Ana Maria Lourenço


De Maria José Rijo a 12 de Agosto de 2009 às 23:52
Ana Maria Lourenço
Que engraçado ter-se lembrado deste drama!
Sabe que me arripia ver - a ligeireza - como mita gente ainda olha o problema da formação das creanças?
Um abraço
maria José


De Xavier Martins a 8 de Agosto de 2009 às 21:42
cara Maria José
Realmente os seus textos primam pela elegancia
no trato de cada assunto.
Pela distinção com que aborda cada texto.
Os meus sinceros Parabens pela forma como o faz.

Os meus sinceros Parabens

Xavier Martins


De maria José a 12 de Agosto de 2009 às 23:58
Xavier Martins
não me esqueço de si, meu amigo,...mas não tem sido tão fácil como eu pensei adaptar-me às novas realidades.
obrigada sempre pela sua presença e aprêço
maria josé rijo


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