Domingo, 9 de Agosto de 2009

Tempo de Avó

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.848 – 1 Agosto de 1.986

 Tempo de Avó

 

Por estranho que pareça… foi na praia… olhando em redor que outro dia me lembrei de Maria Antonieta, de França.

            

Já perdi o conto aos anos em que li a biografia que dela fez Stefan Zweig, que foi um dos autores mais lidos pela

 

juventude do meu tempo. Já se me esvaíram, também, da memória, os dados históricos que, porventura, nessa obra possa, então ter adquirido.

Algumas cenas porém, pelo seu conteúdo humano, retive-as na lembrança e foram dados tão marcantes da minha sensibilidade que, por vezes, ressurgem das sombras e posso revê-los como que colhidos de fresco.

 

Foi assim agora. – Ao meu redor exibiam-se este ano, um número muito maior de troncos desnudados, do que era usual. A inflação neste campo atingiu percentagens que nenhuma estatística refere com precisão.

Serão agora as mulheres e mais triste ainda, as adolescentes – a disputar também o uso apenas do calção para as delícias da praia toda a possível contabilidade cai pela base!

Sem intenção formada para tal, dei comigo – em tempo de avó – a avaliar este sinal de “progresso” na evolução que tem sofrido a noção de recato e pudor. Achei–me então a recordar as velhas paginas que contam a ultima humilhação

                

da Rainha, que sofrendo perdas de sangue e querendo aparecer decente perante a morte se viu obrigada a agachar ao lado do catre para mudar de camisa. Fez-lhe de biombo com o corpo a caridade da camponesa que a tratava na prisão, já que o soldado que a guardava à vista - não se podia afastar. Porém a prisioneira, como mulher, tem vergonha de deixar roupa manchada aos olhos de estranhos e faz com ela um pequeno embrulho que oculta num buraco da parede.

 

Será que as mulheres mudaram assim tanto?

Será?

 

A meus pés um mar

Na praia...

 

– recordo agora Nemésio

“doce e arável como terra de pão”

– murmurava… murmurava!...

“movimento do mar que coaste em mim!”

 

Escuto… olho… pouco ou nada entendo.

 

 

Maria José Rijo

 

estou: Tempo de avó

publicado por Maria José Rijo às 18:35
| comentar | Favorito
partilhar
5 comentários:
De Armando Franco a 9 de Agosto de 2009 às 18:44
Muito boa tarde miha Senhora

Mais um excelente texto. Devo confessar-lhe
que estou sempre - como se costuma a dizer -
por detraz do monitor esperando um texto/artigo
seu para ler e me deliciar.

Talvez não se aperceba mas tem aqui textos
- muitos textos - muito importantes -
A sua forma de escrever é uma delicia para quem
gosta de ler.
Um torrãozinho de açucar.

Os meus Parabens por este belissimo blog.
Seu admirador

Armando Franco


De Maria José a 12 de Agosto de 2009 às 23:40
Armando Franco
São presenças como a sua que, com a generosidade dos seus comentários, me fazem sacudir a inércia e voltar a escrever
Bem hajade todo o coração
Maria José Rijo


De Manuel Henriques a 9 de Agosto de 2009 às 22:36
Excelente texto
Gosto imenso do seu blog e venho cá todos os dias.

Gosto muito da sua sensibilidade e da forma - que eu
acho muito especial - de encarar a vida e os
probemas da vida.

Os meus Parabens
Por este blog.

Cumprimentos
Manuel Henriques


De Maria José a 12 de Agosto de 2009 às 23:47
Manuel Henriques
Fico feliz por pensar que algumas pessoas gostam de me oferecer um pouco do seu tempo lendo o que escrevo.
Esta é uma maneira também e conviver e de alargar o nosso circulo de amigos
Obrigada
maria José Rijo


De Aristeu a 9 de Agosto de 2009 às 22:44
Minha queridinha Tia

Espero que esteja melhorzinha e por favor
além de se cuidar tenha cuidado com o calor.
Beba muita água para não se desidratar.
Não a quero adoentada - é que preciso de si.

Por aqui estamos agora num periodo de grande
calma, Graças a Deus.
A Magnolia está tão mais dedicada a nós que
estou ainda... mas pronto posso dizer que agora
estamos a sentir-nos um pouco mais felizes.
Ela é muito querida com o Sr. Luciano e o
Gilinho é mais simpatico.

Ela tem imensa curiosidade sobre si porque vê
as muitas fotos que temos. No quarto o Gilinho
fez uma do tamanho A4 - com a tia e ele - como
se estivesse a seu lado.
Coisas que ele pede a um amigo fotografo para
fazer - com as fotos que gosta do blog.
De modo que entre uns e outros a Magnolia
esta a conhecer a Tia Maria José Rijo - escritora
e poetisa.
Ela agora anda a ler os poemas todos e está a
gostar.
Depois conto outras coisas.

Muitos beijinhos Tia querida

Aristeu


Comentar post

.Maria José Rijo

.pesquisar

 

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
19
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


.posts recentes

. Programa de São Mateus 20...

. Carta aos meus queridos A...

. Aniversário do Linhas - 2...

. Viagem a Fátima

. Reportagem do Jornal Linh...

. Parabéns Avelino

. Parabéns Luciano

. CONVITE

. Cá Estou ... - 2

. CORAL PÚBLIA HORTÊNSIA DE...

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@