Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

A escolha não é livre

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.973 – 13 Janeiro de 1989

 A escolha não é livre

 

Às vezes, muitas vezes, e por razões variadas pergunto-me: - Valerá a pena?

Depois fico a responder-me e a contestar-me ou a corroborar mentalmente os meus próprios argumentos e razões.

É uma espécie de malabarismo mental que permita, como num caleidoscópio, fazer e desfazer combinações diversas com os mesmos elementos.

Parece um jogo.

      

Que a vida é um jogo – aliás – diz-se à boca cheia.

Mas, que jogo? – Isso ninguém me contou e eu, sozinha ainda não decifrei o oráculo pois que até na “cabra-cega” e no “trapinho queimado” que se brinca com os olhos tapados, se sabe com quem se joga e se para ou recomeça a contento…

Enfim! – isto nem tem nada que ver com aquilo em que eu estava a pensar. Tem apenas ligação com o facto de não se saber como, ou porquê, se ligam coisas tão dispares e se enredam tão emaranhadas no nosso pensamento.

         

A consciência de perda que nos confere quando por uma opção se afastam de nós pessoas, se quebram hábitos e vínculos, que nos são caros, é que estava a magoar-me. O que nos conduz a essas deliberações que nos marcam e o que há nelas de inevitável era a minha preocupação.

Porque se opta por abrir a porta que nos “liberta” do caminho conhecido e fácil, onde é suposto acomodar a ideias de vida tranquila e feliz – como o pássaro saído do ninho quente e fofo – para se lançar no espaço aberto onde se torna o alvo, ainda mais, vulnerável, é o que, às vezes, muitas vezes me pergunto.

                 

Ás vezes, também, inesperadamente acontecem respostas – como agora.

- A guerra era o motivo da entrevista.

Árabes, Líbios, Israelitas… o drama pungente destes tempos conturbados.

Com um olhar de mágoa, num falar sereno e determinado o guerrilheiro respondeu: “Este sentimento de nos sentirmos um povo”.

 

A escolha não é livre – reconheço!

“É esta consciência de nos sentirmos gente”.

 

 

Maria José Rijo

 

estou:
música: A escolha não é livre

publicado por Maria José Rijo às 18:56
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8 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 21 de Agosto de 2009 às 00:27
Os seus textos são sempre tão perfeitos.
A Tia tem um dom verdadeiro de escrever
uma sensibilidade que arrepia.
Gosto imenso de todos e cada um dos seus
artigos.

Parabens por este e por todos eles.

Beijinhos

Gisa


De maria José a 23 de Agosto de 2009 às 19:18
Querida Gisa
Algumas vezes penso se continua a resistir à tentação de voltar a arranjar outro bichano.
Um grande amigo meu sempre me dizia que adoptar um animal de companhia era assinar um contrato para sofrer . Não deixa de ser verdade mas ,como todas as coisas, também esta tem direito e avesso.
Beijinhos
Tia Zé


De Amilcar Martins a 21 de Agosto de 2009 às 00:35
Minha Senhora
Mais um texto excepcional.
Gosto realmente da sua forma de escrever.
Tem um sensibilidade que me arrepia mas que eu
tanto admiro.
Os meus Parabens

Amilcar Martins


De Maria José a 23 de Agosto de 2009 às 19:29
Amilcar Martins - curiosamente, há um amigo meu que diz arrepiar-se com a minha lucidez.
Sabe que isso me confunde um pouco?
Hei-de pensar bem nisso.
Já li,escrito não sei por quem, que a coisa mais séria que há - é o riso.
Talvez que a mais inesperada seja a verdade - como nós a entendemos - claro!
Um abraço grato
Maria José


De entremares a 22 de Agosto de 2009 às 18:43
Médio Oriente, ano de 2099.

Do alto da torre de vigia, o soldado de turno observava o campo de refugiados, enquanto colocava na boca mais uma pastilha para entreter a paciência.
Àquela distância, a multidão de pequenos pontos movia-se desordenamente, em todas as direcções, em pequenos ou grandes grupos, levantando espirais de pó que o vento dispersava rápidamente.
Consultou o relógio de pulso, pela milésima vez em poucos minutos – ainda faltava quase uma hora para ser rendido de turno – e encetou nova ronda, em direcção à torre número dois, no extremo norte do campo.
Tarefa monótona, aquela.
Todos os dias, duas horas por dia, cinco dias por semana, cinquenta semanas por ano... há quanto tempo fazia ele aquela patrulha ? Dois anos, dois anos e meio ?
Ajeitou melhor a arma a tiracolo, voltou a colocar o capacete azul ( uso obrigatório, mesmo que o termómetro, naquele deserto, acusasse quarenta e tantos graus ) e rumou vagarosamente pelo passadiço de betão, que contornava toda a zona sul do campo, em direcção à torre número dois.
O campo de Al Arudah localizava-se na margem oriental do Mar Morto, numa zona que outrora fora a Jordânia. Mais conhecido por campo nº 27, albergava quase dez mil refugiados, todos eles de ascendência judaica, que para ali haviam sido deslocados após os terríveis conflitos da década de setenta – ele ainda não era nascido nessa altura – os conflitos que haviam colocado um fim na existência de algumas nações, como Israel, a Palestina, a Jordânia ou o Líbano.
O seu pai, militar de carreira das tropas internacionais, participara nessa guerra e levara para casa como recordação uma mão mutilada e muitos estilhaçoes metálicos enterrados na carne, que o acompanhariam para sempre.
Trinta anos depois, ali estava ele, a vigiar um dos muitos campos de refugiados ( quantos eram ao certo ? ) da zona ONU 4, a zona dos sem pátria que as Naçoes Unidas administravam. Como o pai lhe dissera um dia “ o que as Naçoes Unidas criaram, também desfizeram “ e por isso mesmo ali estava ele, servindo de espectador a uma realidade de despojos de guerra, que se prolongava há mais de um século.
Mas apesar de já não existirem os países, ainda existiam as pessoas... e por isso fora necessário criar aquele conjunto imenso de campos de refugiados, onde a vida passava devagar, sem sentido nem propósito.
Acenou a outro soldado, quando se cruzaram em sentidos contrários, sobre o passadiço.
- Konnichiwa – saudou o outro soldado.
Ele respondeu-lhe com a mão. – Japonês ou Malaio, provavelmente, pensou.
Autêntica torre de Babel.

(continua...)


De entremares a 22 de Agosto de 2009 às 18:46
(continuação)

Um aglomerado de refugiados, um pouco mais à frente, chamou-lhe a atenção.
Seriam talvez entre dez e vinte, formando um circulo compacto em torno de alguma coisa que se mexia, ao centro. Áquela distância, não conseguia perceber mais pormenores.
Pegou nos binóculos e voltou a olhar. – Alarme.
- Sector quinze, sector quinze – gritou para o microfone da farda – problemas no sector quinze...
- Pode falar – respondeu a voz da central, pelo intercomunicador.
- Um grupo de vinte individuos, no sector quinze, apedrejando alguém. A vítima está caída e não se consegue defender...
Ficou à espera de ordens. Bastaram cinco segundos.
- Intervenha.
Correu ao longo da passadiço, à procura das escadas mais próximas. Puxou pela arma e, enquanto corria, disparou para o ar, duas vezes.
- Alto – gritou, o mais alto que conseguiu – afastem-se imediatamente. Tenho autorização máxima, e se for necessário, usá-la-ei...
Desceu as escadas e correu para o local. O aglomerado desfez-se, correndo cada qual em sua direcção. Menos um.
O agressor esperou até o soldado se chegar junto a ele, e após o fitar com desdém, atirou com fúria a pedra que ainda segurava na mão.
No chão, a pedra embateu violentamente no peito da massa informe de carne, já bastante ensanguentada, fazendo com que a figura humana prostada ainda soltasse mais um queixume.
O soldado encostou a ponta da arma ao peito do agressor.
- Para trás, imediatamente.
O outro não se deixou intimidar. Com desdém, cuspiu para cima do homem apedrejado, enquanto gritava “ Arur, Arur” ( maldito, em hebraico ). Depois deu meia volta e afastou-se.

Alguns dias depois, veio a saber que o homem, Al-Kitab de seu nome, sobrevivera e fora transferido para outro campo. Ninguém sabia como teria sido deslocado para ali, o mais provável é que se fizesse passar por hebreu. Não se lhe conhecia família mas certamente aquele não seria um caso único. Quantos mais, naquele ou nos outros campos, aparentariam ser, por medo, uma coisa que não eram ? Quantos ?

Al-Kitab deu entrada no campo de refugiados de Faraiya, no antigo Líbano, seis meses depois de uma longa recuperação no hospital. Perdera uma vista e coxeava um pouco. Nunca voltaria a caminhar normalmente – dissera-lhe o médico – mas estava vivo, e isso era o mais importante.
O campo de Faraiya, ou campo nº 4, era bastante mais pequeno que Al Arudah. Registava uma taxa de incidentes bastante baixa, também pelo facto de a sua população ser exclusivamente de origem árabe, e oriunda de zonas próximas ao próprio campo.
Os refugiados, com a ajuda dos prórios soldados que garantiam a segurança do campo, haviam construido uma pequena mesquita e algumas estruturas de apoio, como um mercado e uma escola.
Al-Kitab gostou do que viu.
Integrou-se rápidamente e, pouco tempo depois, já recitava o Corão para os jovens alunos da escola. Eram poucos, mas gradualmente, o seu número foi aumentando, à medida que se espalhou a notícia que o Zanagah ( zarolho, no dialecto local ) era amigo das crianças e até os mais velhos tinham gosto em ficar a ouvi-lo, enquanto ele recitava de cor os versículos do livro sagrado.
A vida decorria devagar, mas pacífica, em Faraiya.
Naquele dia em particular, Al-Kitab saiu da sua tenda um pouco mais cedo. Necessitava de se abastecer de água, sal e fruta e portanto rumou em direcção ao mercado.
No caminho, cruzou-se com alguns dos seus pupilos, já a caminho da escola.
- Zanagh, Zanagh – gritaram-lhe, e desataram a fugir, para evitar represálias.
Ele riu-se, bem disposto.
Não era própriamente a mais simpática das alcunhas, mas talvez fosse pelo menos a mais justa. Enfim, míudos traquinas, como todos...
Protegeu a cara das nuvens de pó e decidiu contornar a mesquita, para poupar tempo. O mercado não era longe, e se queria chegar a tempo à escola, era bom que se despachasse.
Mal dobrou a esquina, deteve-se.
Um tremor incontrolável assolou-lhe o corpo e por um momento, pensou que ia desmaiar, horrorizado.
Poucos metros à frente, dois madeiros grossos atados entre si improvisavam uma cruz, vertical, parcialmente enterrada no chão. E na cruz, um homem completamente nu e com uma estrela de David pintada no peito, gritava em desespero, amarrado de pés e pulsos.
(continua...)


De entremares a 22 de Agosto de 2009 às 18:47
(...continuação)

Uma pequena multidão cercava a cruz, e alguns deles atiravam objectos ao homem crucificado, provocando-lhe gritos lancinantes, de cada vez que acertavam no alvo.
- Parem, Parem – gritou, enquanto empurrava os que lhe estavam mais próximos – Soldados, soldados... onde estão os soldados ? O que é que vocês estão a fazer ?
- khudiu, khudiu ( judeu, judeu ) – gritava a multidão, em histeria
Um dos mais exaltados puxou de uma navalha e atirou-a violentamente contra o homem na cruz, acertando-lhe numa perna. Imediatamente, o sague começou a jorrar, para gláudio da multidão, que redobrou os gritos e os insultos.
- Alzarith Khudiu, Alzarith Khudiu ( morte ao judeu, morte ao judeu ) – a multidão delirava .
Sem pensar no que estava a fazer, atirou-se para a frente, empurrando todos os que lhe barravam a passagem. Alcançou a cruz e interpôs-se entre ela e a multidão enraivecida.
- Estão loucos. Para trás, para trás...
Ninguém o ouviu. Continuavam a chover objectos e pedras de todas as direcções. Sentiu as roupas a tingir-se de vermelho, por estar encostado ao homem da cruz, já inconsciente.
- Afastem-se. Ordeno-vos que se afastem – Reconheceu alguns rostos, provavelmente dos familiares das crianças da escola, daqueles que gostavam de o ouvir, enquanto ele recitava o Corão.
A multidão não parecia acalmar-se.
De repente, vindo de parte incerta, uma outra ponta metálica voou de encontro à cruz.

Al-Kitab levou a mão ao peito e quando a retirou, sentiu um liquido quente e espesso a escorrer-lhe pelo braço.
As pernas cederam e quando se apercebeu, estava de joelhos.
- Akhoya, Akhoya ( meu irmão, meu irmão... ) – ainda balbuciou.
Ao lado, alguém pegou numa pedra e atirou.
Ele não a viu, nem a sentiu.
Uma névoa cinzenta toldou-lhe o olhar e, vagarosamente, tombou para a frente, a face enterrada na areia.
A multidão continuou a gritar.



De maria José a 23 de Agosto de 2009 às 19:39
Entremares
Não sei quem é.
Sei que leio com muito interesse o que me dá a ler e. penso ser de sua autoria.
Imaginação?
Impossível!
Que toda a ficção tem assento na realidade - diz-se.
Que experiências de vida deixam sulcos assim? não posso imaginar.
Obrigada - maria José


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