Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Subtilezas

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1881 – 27 de Março de 1987

Subtilezas

 

Ás vezes, ouço as crónicas da manhã do Dr. Alçada Batista, e sempre que tal acontece, penso com mágoa que não me tem sido possível ouvir todas.

São apontamentos breves, ditos com ar de quem estivesse sentado a tomar o pequeno-almoço connosco, e falasse apenas por dever de cortesia.

                            

Acontece, porém, que daquela meia dúzia de palavras, aparentemente despretensiosas, sempre alguma coisa nos dá motivo para pensar, nos surpreende ou diverte, pelo desfecho inesperado, ou nos provoca um sorriso de ternura. Ás vezes, até formula, com clareza, pensamentos que nos rondam o espírito e, por incipientes, se perderam. Na última crónica que ouvi, falou de Eça de Queiroz, mas referiu-se-lhe duma maneira que me surpreendeu. Fê-lo contra a corrente generalizada dos aplausos sem reserva.

      

Não é que venha ao caso o estar ou não de acordo com o ponto de vista expresso. O interesse principal, para mim, residiu na novidade, na janela nova que me abriu, no corte feito ao jeito habitual da admiração indiscutível.

Aquela clareza do: gosto menos por isto e mais aquilo, cria a oportunidade de testar o nosso próprio parecer. Resiste? … Não resiste?

      

… Qual é verdadeiramente a opinião que nós temos?

…Teremos mesmo opinião ou teremos aceitado a opinião que nos foi proposta?

E pronto! … Ali estava o abanão. Ali fica uma pessoa com a torrada na mão, sem dar por isso, com o café a arrefecer, relembrando tudo o que de Eça, porventura ainda seja capaz de recordar, e avaliar se sim Senhor… se ele era mordaz e não apenas irónico. Se era trocista ou sarcástico, se cultivava o humor ou explorava o ridículo dos outros. Se havia bonomia e humanidade na sua critica ou apenas desprezo pelo semelhante e, dali a nada… nadinha mesmo… já uma pessoa está apanhada na ratoeira das subtilezas da nossa língua.

            

Mordaz, irónico, sarcástico, cínico… sei lá por quantas razões se pode rir ou provocar o riso e quantas subtilezas assemelham ou distinguem as formas de o fazer.

Evidente fica apenas que rir - nem sempre é - como parecia dever ser -  um sinal de alegria.

 

Maria José Rijo

 

estou:
música: subilezas - 1987

publicado por Maria José Rijo às 00:30
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11 comentários:
De Xavier Martins a 1 de Setembro de 2009 às 01:26
Minha amiga
Excelente este seu texto.
Os meus P A RA B ENS
Realmente tem aqui uma colecção de excelentes
artigos.
Comtinuo a afirmar que a Senhora deveria ter
sempre escrito para um Jornal da capital - onde
haveria um leque bem maior de leitores - para
os seus artigos sempre tão bons e lucidos.

Os meus sinceros Parabens
Seu leitor

Xavier MArtins


De Maria José a 2 de Setembro de 2009 às 19:07
Xavier Martins - às vezes, não digo nada para não parecer que vos cobro,alguma obrigação de estarem presentes - mas , a verdade é que quando desaparecem por mais tempo já me preocupo com as ausências dos meus fieis amigos.
Um abraço - sempre grato
Maria josé


De António Piedade a 1 de Setembro de 2009 às 01:30
Minha cara Senhora
É sempre uma delicia ter acesso aos seus
artigos.
Qualquer tema que a Senhora foque realmente
faz prodigios - é esta sua forma tão especial -
tão lucida e ao mesmo tempo - tão actual -
mesmo em textos antigos - se nota tão bem
a actualidade das suas palavras.

Só UM GRANDE ESCRITOR consegue que os
seus textos/artigos
tenham actualidade - tantos anos depois.

Gosto imenso ler este magnifico Blog.

Beija-lhe a mão

António Piedade


De Maria José a 2 de Setembro de 2009 às 19:14
António Piedade
Ainda bem que voltamos a contar com a sua presença amiga e, como sempre, com a mesma generosidade nos comentários
Um abraço grato
Maria José


De Kiko Maciel a 1 de Setembro de 2009 às 01:33
Tiaaaaaaaaaaaaaaaaa
Bom dia.............

Já é bem tarde mas lembrei-me de vir espreitar...
Tá lindooooooooooooo
A tia é o máximo.
Adoro a minha tia escritora.
Até amanhã.

Muitos beijinhos
do
Kiko


De maria José a 2 de Setembro de 2009 às 19:17
Olá, sobrinho caloroso!
beijinhos gratos da tia Zé


De Aristeu a 1 de Setembro de 2009 às 18:40
Minha querida tia
Venho para concordar consigo.
Cá em casa todos apreciavamos Alçada Batista,
realmente era um homem notável, sem duvida.
Os seus textos são sempre perfeitos porque
até nos encinam sempre alguma coisa.
A tia é mesmo uma querida.

Muitos beijinhos

Aristeu


De Maria José a 2 de Setembro de 2009 às 19:28
Meus Queridos - então o "nosso" Gilinho arranjou um São Mateus na América?
O que vale é que o Santo, para além de antigo, também deve ser tão piedoso, que não deixará de se enternecer - como eu - com os amores dos jovens...
Que se sintam felizes , é quanto anseio saber.
Obrigada pelas vossas presenças - são muitas vezes, quando a saudade aperta - o meu bordão neste resto de jornada.
Beijinhos - tia Zé


De Gustavo Frederich a 1 de Setembro de 2009 às 22:43
Muitos beijinhos minha Tia
desculpe a minha ausencia mas
parece que estou doente...

Desculpe...
Gosto tanto de si Tia

Muitos beijinhos

Gus


De Maria José a 2 de Setembro de 2009 às 19:35
... Gus! Gus!
por favor não saia deste caminho!
Além de muito pobre, eu ficaria irremediavelmente triste.
beijinhos
tia Zé


De Carlos a 3 de Setembro de 2009 às 17:56
Disculpe meu mal portugués.Muito interesante null e belleza.Volveré .
Parabens.


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