Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

É São Mateus

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.753 – 21 de Setembro de 1984

 É São Mateus

 

Setembro, em Elvas, é o mês das festas da cidade.

Setembro, em Elvas, é por excelência, o mês das tradições.

Se, pelo Natal e pela Páscoa no mundo inteiro se revivem velhos ritos e se procura ressuscitar as centelhas de Amor e de Fé que habitam em cada ser humano, por mais afogadas em cinzas que elas se encontrem…

Com as festas regionais é diferente!

Neste mês de Setembro são os costumes locais que despertam. É a região, em si, que fala pelo alvoroço dos seus habitantes. É o espreguiçar do rame-rame, é o ressurgir das vontades. É o… vamos caiar a frontaria? – Vamos pintar o chão? E… a cortina nova para a porta – que tal? E…, a saia que se desejou? – O lenço que se sonhou, a prenda que se quis dar? – Será? – Não será?

- Talvez! Talvez se torne possível – é São Mateus!

É a magia do sonho a imiscuir-se na dureza da realidade do dia a dia.

É a Poesia. É o vibrar da alma das coisas, das recordações, a acenar, como asa que passe rente aos olhos.

É o contar e recontar dos “cobres”!

- Dará para a carne de borrego? – Para o bolo de que tanto se gosta e de que já quase se perdeu o jeito de fazer! – Com o açúcar ao preço que está!

- E os ovos?! – Mais cara a dúzia do que a galinha, ainda outro dia… É verdade! – Pois é! – Mas é São Mateus.

E o Santo lá vai emprestando o Nome, como aval da coragem que se cria para gastar em extras o que num ano inteiro a rigidez do orçamento garantiu como impossível.

- É o milagre a acontecer. As ruas enchem-se dos cheiros antigos, que irradiam das ousadias das donas de casa…

Cheira a assado! – A “coxo frito”! – a azeite quente fritando costeletinhas panadas… a bolos no forno…Cheira a foguetes, a churrasco na feira, a vinhos e petiscos!

Cheira a alegria, a fé renovada no viver, a sonhos saciados no riso das crianças… a choro de fato novo estragado na queda imprevista…

Cheira a Setembro em Elvas com o Outono a insinuar-se no bailado das folhas secas pelo chão. Cheira a São Mateus!

Vamos ao arraial? Vamos?

Vamos todos atrás dos Pendões.

Vamos que a festa é nossa e … Bendito seja o Senhor Jesus da Piedade.

 

Maria José Rijo

 

estou: São Mateus - 1984

publicado por Maria José Rijo às 23:26
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10 comentários:
De Aristeu a 17 de Setembro de 2009 às 00:37
Lindo Tia
Como sempre está uma maravilha.
Li ao meu Pai, o Senhor Luciano que está quase de
coração novo.
Segundo os medicos está tudo ok com ele. Está ainda
hospitalizado para se saber se tudo está mesmo bem.
E a Tia como está?
Sinto - não sei - mas triste? Será?
Não fique triste tiazinha porque o Aristeu
Adora-a mesmo cá de longe.

Feliz São Mateus.
Beijinhos

Aristeu


De Adalgisa Alexandra a 17 de Setembro de 2009 às 00:49
Lindo tia
Os seus textos são sempre tão sentidos, tão
poeticos.
Adoro a forma como escreve.
parabens por mais esta maravilha.

Gisa


De Dolores a 17 de Setembro de 2009 às 00:53
Minha tão querida Tia
Já vi que o seu São Mateus está a chegar.
Este artiguinho é mesmo uma maravilha.
É mesmo de quem o sente de alma e coração.
Está mesmo lindo.

E a sua mana - a Tia barbara - já está consigo?
Recordo que no ano passado estava.
Muitos beijinhos para ela daqui desta vossa familia
em França.

São umas queridas.
Quidas - como diz a nossa menina a rir.

Feliz São Mateus minhas tias tão queridas
Dolores


De Gustavo Frederich a 17 de Setembro de 2009 às 01:01
Também eu vou repetir o que mais se diz neste
blog.
Que texto lindo, verdadeiramente sentido. Creio
e sinto que muitas vezes o sentimento arrasta as
palavras elevando o seu amor por essa Elvas, esse
São Mateus, esse Cristo na Cruz dessa bela Igreja.
A tia é um ser maravilhoso, um ser de luz capaz de
alegrar corações que estejam longe, mesmo
beirando a floresta negra - como eu.

As imagens são muito belas, muito bem captadas
e juntamente com o texto dão-nos uma ideia
com sentimento - do que é essa festa que enche
de orgulho o peito de cada elvense.
Não sou elvense, mas a sua palavra consegue
fazer-nos sentir - um niquinho - esse sentimento.

Minha querida tia
nem sei se é essa gripe que assola o mundo
que me apanhou desprevenido... nem sei...
amanhã vou certamente averiguar.
Não será - como diria a minha tia que Deus tem:
"erva ruim não a mata a geada" veremos se tem
razão.

Fique com Deus Senhora minha Tia
Beijinhos

Gus


De Madalena Rainho a 17 de Setembro de 2009 às 21:33
Lindo Post
A D. Maria José tem textos lindos.
Adoro o seu blog.
Também adoro sempre as fotos que acompanham
os textos seus, dão-me sempre duas leituras
porque as imagens acompanham a sua bella
escrita.

Parabens minha amiga
feliz São mateus

Madalena Rainho


De Maria José a 19 de Setembro de 2009 às 22:21
Madalena Raínho
Que bom tê-la connosco.Obrigada.
São pessoas como Madalena Raínho que dão sentido e estímulo às aprendizas de escritoras como eu, com a sua tolerância e generosidade.
Um abraço grande
Maria José Rijo


De Kiko Maciel a 17 de Setembro de 2009 às 21:59
Olá tia
Desculpe a minha "fuga" mas estive em Londres
com os meus pais. A minha irmã Luiana vive
aqui e viemos estar com ela.

Tia estive a ler os muitos comentarios e textos
que postou e - está doente?
Que tem a minha querida Tia?
Espero que não seja nada de grave?
Fiquei triste por si.

Receba muitos beijinhos e abraços
Adorei o texto e o filminho que aqui colocou.
Não conheço a sua cidade.

Beijinhos minha tia

Kiko


De Maria José a 19 de Setembro de 2009 às 22:53
Olá Kiko!
Já várias vezes tinha pensado que com a abertura das aulas o Kiko andaria a tratar de livros e toda a parafernália que agora se exige e, mais parece um enxoval para por casa - passe o exagero, do que bagagem de escolar.
Eu sou do tempo da sebenta nos Liceus e da ardósia na primária. Nela se faziam contas e problemas cujos resultados se apagavam com um paninho humido para voltar a servir.
Avalia o deslumbramento que me causa o material agora indispensável e, também a afição só de pensar quantos quilos de carga suporta cada criança!
Há uns anos dei os meus cadernos e livros de escola e também os de meus Pais que eu conservava, para o Museu escolar da junta de freguesia de Marrazes em Leiria onde se perservam, para mostrar a evolução do material escolar atravez dos tempos.
Garanto-lhe que vale a pena visitar.
Entre o ontem eo hoje , é abissal a evolução.
Beijinhos - tia zé


De Augusta Silva Torres a 17 de Setembro de 2009 às 22:14
Minha e tão estimada amiga
E sempre tão bom voltar ao seu blog.

Este seu artigo é um torrazinho de açucar e as fotos
uma delicia.
Matei as minhas saudades com o hino do Senhor
Jesus que já fazia tantos e tantos anos que os meus
ouvidos não escutavam tão bela melodia e canto.
Parabens por esta beleza de artigo.

Quero aproveitar para lhe contar que tenho andado
muito triste. Então não é que partiu a minha amiga
e companheira da minha velhice, o meu apoio de
todos os dias. A MArgarida.
Sinto tanto a sua falta que nem imagina minha amiga.
Foi essa a razão de não ter voltado mais vezes.
Eu com os meus 93 anos sinto-me perdida.
Bem sei que tenho a minha familia que me cuida, o
meu sobrinho Frederico que anda sempre por aqui
mas a minha Margarida... oh que falta que me faz.

Sei que me entende -
ela era um bocado a alma da minha casa. Mas
parece que a vida dela tinha mesmo que terminar
antes de mim.
Acredita que uma vez - sem querer obviamente - a
ouvi rezar - e pedia a Deus que a levasse antes de
mim porque não aguentaria a minha ausencia.
Veja - foi ouvida. Partiu primeiro que eu.

E a minha amiga. Também li por aqui que não anda
lá muito bem. Cuide-se amiga. Ajude-se e fique
bem. A saude é importante, a qualidade de vida é
importante nas nossas idades - a independencia é
um bem de primeira necesidade.

Neste blog aprendi que ler Maria José Rijo me faz
muito bem.
Gosto de si minha amiga.
Gosto da sua alma gentil, dos seus olhos que
olham a vida com tanta lucidez e sabedoria.

Bom São Mateus
Sauda-a com amizade

Augusta Silva Torres


De Maria José a 19 de Setembro de 2009 às 23:04
Augusta Silva Torres - minha boa amiga
Viver muito tem seu preço, minha querida ! - e que preço às vezes!
Lembro-me muito bem das referências que sempre fazia à sua amiga Margarida. Aceite um abraço grande, grande, que a aperte bem ao meu coração onde também me esforço, nesta altura para acomodar o que não tem lugar possível. A dor de ver partir os que cresceram ao nosso colo e foram as esperanças da s nossas vidas.
SAbe. Sabe infelizmente como é.
Não esqueço.
Outro dia falaremos mais. Só lhe quero dizer que não me revolto.
Rezo e aceito.
Beijinhos - Maria José


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