Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Não lavemos as mãos

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.759 – 9 de Novembro de 1984

 Não lavemos as mãos

 

Tenho andado a querer falar duma árvore que vicejava aqui na Av. da Piedade, antes das Festas do São Mateus.

Quando saia, pelas noites de verão, em procura do fresco, olhava-a e, cá por dentro “torcia” por ela:

       

--Aí, sua valente! Cresça. Não se mostre aos vândalos! Veja se escapa mais um aninho ou dois e talvez já aguente algumas inscrições a canivete sem morrer, como aconteceu a algumas das suas companheiras já de mais idade. Estas e outras coisas diziam-lhe os meus olhos contentes por a ver, frágil, mais viva, nesta nossa terra, onde o uso de partir e estropiar árvores já vai tomando ares de feição – quer dizer: - deformação aceite!

  

A policia anda a multar viaturas mal estacionadas (no que faz muito bem) e, como isso origina um apertado circuito de ronda, porque os carros mal arrumados estão sempre nos mesmos conhecidos lugares – as árvores são plantadas e arrancadas também nos mesmos conhecidos lugares em velocidades paralelas, pelo que os autores das proezas nunca se cruzam ou encontram com a aludida actividade policial.

Eis aqui, explicado, porque ao segundo dia de feira, alguém impunemente, terá feito um bordão com o tronquinho tenro e vivo duma pequena árvore que queria crescer enfeitada de folhas e pássaros em cada primavera.

         Pouso para pose

Escusada violência! Escusada brutalidade!

Nesta terra que é nossa, situada num país que é nosso também, todos temos um quinhão de responsabilidade em tudo quanto acontece.

Quem nos governa são as pessoas que contaram para si e maior número de votos que nós lhe demos.

          

Tenhamos disso consciência e a coragem de o reconhecer.

Tenhamos o bom senso de reconsiderar no pouco, muito ou nada, que colaboramos para o bem comum, e, façamo-lo pelo menos antes de … lavar as mãos… fingindo que não contribuímos em nada para a sorte que nos cabe e de que nos lamentamos…

 

Maria José Rijo

 

estou: Não lavemos as mãos
música: Não lavemos as mãos

publicado por Maria José Rijo às 23:04
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6 comentários:
De Ana Maria Lourenço a 15 de Outubro de 2009 às 00:05
São sempre lindos
os seus artigos.
Começa de uma forma e termina com outros
pensamentos
o que muito me agrada.

Gostava imenso ser sua sobrinha - mas daquelas de
verdade.
Sabe eu gostava de ter um tio padre, uma tia
escritora - e a Senhora seria a minha tia perfeita.
Muito bonita, que escreve de uma forma que me
agrada imenso.

mais uma vez adorei também das suas fotos.
Um grande beijinho

Ana Maria Lourenço


De Aristeu a 15 de Outubro de 2009 às 00:16
Minha tia tão querida
Daqui fala aquele menino que agora mais do que
nunca - sente saudades daqueles olhos e sorriso
que ele via - é verdade minha tia
com este convivio diáriio do blog - sinto aquela
saudade que sentia em menino quando não a via
fazia muito tempo.
Vou-lhe confessar o segredo de que eu muitas
vezes ia procurar a pasta onde a minha mãe
guardava os seus artigos e depois cortava as suas
fotos e guardava-as no meus livros.
Imagine - coisas de menino.

E a tia como se sente? Quando vai colocar o pace.
O meu Pai anda aqui com uma alegria muito
melhor. Espero que consigo tudo esteja também
bem.
Gosto muito de si minha tiazinha.

Aristeu


De Horacio Matias a 15 de Outubro de 2009 às 00:21
Minha Senhora D. Maria José Rijo
Acabei de encontrar o seu belo blog, devo
confessar que li varios textos, entre eles poemas,
rezas e diversos temas que me suscitaram
interesse.
Devo dizer que fique encantado com esta sua
bela forma de escrever e conversar ao mesmo
tempo.
Gostei de como conta - atraves da escrita - as
suas belas reminiscencias.

Os meus Parabens
Horácio Matias


De Eva Mateus a 15 de Outubro de 2009 às 00:26
Boa noite
É sempre uma alegria e um prazer ler os seus
textos/artigos - são sempre magnificos.
Os meus Parabens D. Maria José.

Tem aqui um blog muito lindo e sem ele nunca
eu teria
chegado a si ou conhece-la.

Um grande beijinho

Eva Mateus



De Raul Santos de Almeida a 15 de Outubro de 2009 às 00:58
Lindo o seu blog minha Senhora.
Obrigado por ter esta preciosdade on-line.
Um abraço
Cumprimentos

Rul Santos de Almeida


De Amilcar Martins a 15 de Outubro de 2009 às 21:19
Mais um texto
Sempre actual porque ainda hoje é assim- a
maldade está espalahada por muitos e muitos.

Parabens D. Maria José

Amilcar Martins


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