Sábado, 17 de Outubro de 2009

Ai se eu mandasse!

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.760 – 16 de Novembro de 1984

 Ai se eu mandasse!

          

Não sei o que as outras pessoas pensam que fariam se mandassem.

Sobre algumas coisas, eu já tenho opinião formada.

As máquinas de jogo – por exemplo! – Essas que populavam por aí, por tudo quanto é sitio!

        

Para mim elas não são mais do que a moderna encarnação do velho: toma!...

Nesta época de fibras, plásticos, cromados e sintéticos, computadores, satélites artificiais, radares, sondas espaciais e robots – as máquinas de jogo são uma replica actual, metálica, policroma, automática e desumanizada – ao vigoroso e sadio Zé Povinho – nascido da mão e da mente criadora de Bordalo Pinheiro.

           

Á sua maneira electrónica de sofisticada mecânica – a maquineta – dá ao “cliente” de dinheiro fácil – a mesma resposta que o risonho e rubicundo “Zé” dava a quem pedia fiado: - ora, toma!...

Daí que, se eu mandasse, reconhecendo que é impossível evitar o “flagelo” do convite, que esvazia os bolsos dos incautos enquanto os donos do negócio esfregam as mãos de contentes e prosperam com as suas “ratoeiras” programadas para piscar muitas luzinhas e sinais a fazer que dão – mas – sem dar mais do que o gesto descarado mas franco, do boneco de Bordalo…

            

Daí que, dizia eu – actualizaria também a célebre história da velha que tinha um gato e debaixo da cama o tinha. O gato miava, o pinto piava e a velha dizia: …etc, etc…

            

 

Vendo que aqui também há gato…

Sobre cada máquina eu poria o busto duma velha.

Poderia até, parecer-se com a Dona Branca…

Depois, quando o jogador metesse a moeda e apostasse forte

 

-- o gato, não miava – mas… a velha sorria, os olhos piscavam, a luz acendia e… o braço mexia… mexia… enquanto uma voz, docemente, repetia:

 

Queria dinheiro fácil? – Queria? – Queria?

E, de novo, o “tal gesto” – surgia!...

 

Assim, quem insistisse, já sabia a figura brilhante que fazia.

Isto, era uma das coisas que, se eu mandasse, certamente faria.

 

 

Maria José Rijo

 

 

estou: Ai se eu mandasse!- 1984
música: Ai se eu mandasse!

publicado por Maria José Rijo às 00:35
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6 comentários:
De Xavier Martins a 17 de Outubro de 2009 às 01:11
Minha cara amiga
Realmente a minha amiga tem o DON da escrita.
Os seus textos são sempre especiais - cada um deles
é um - seja qual for o tema.
Eu e a minha mulher adoramos ler e conversar sobre
os seus artigos.
Seja qual for ele - o ano da publicação - sempre e
sempre - chegamos a uma mesma conclusão - os
artigos estão sempre actuais e começa com um
assunto e termina com outro...

Agrada-me...
Agrada-nos bastante o seu blog.
Com muita amizade

Xavier Martins


De António Piedade a 17 de Outubro de 2009 às 01:30
Belo texto.
Concordo consigo.
A sua lucidez é a minha paixão - em todos os
seus textos.

Os meus Parabens

António Piedade


De Kiko Maciel a 17 de Outubro de 2009 às 01:53
Tia Adorei o seu texto
este boneco é o maximo.
Muitos beijinhos e que tenha
um fim de semana muito fixe.

Não se esqueça que gosto bué de si.
Deste seu mais novo sobrinho e admirador.

Beijinhos

Kiko


De Giane a 17 de Outubro de 2009 às 17:19
E se mandasse o faria sabiamente, Amiga de Boas Palavras.

Beijos mil!!!


De Dolores Maria a 17 de Outubro de 2009 às 21:22
Minha e nossa querida tiazinha
Como sempre adoramos o seu artigo.
Devo dizer-lhe que sempre nos agrada os seus
textos. São uma maravilha e então neste, o que
nos rimos.
A tia é mesmo uma querida.

E está melhorzinha minha tia? Espero e desejo que
sim. E a sua mana? Está melhorzinha?
Espero suas noticias.
Um milhão de beijinhos

Dolores


De Andreia a 1 de Dezembro de 2015 às 00:21
Muito bom!!


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