Domingo, 8 de Novembro de 2009

As Professoras e eu...

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.964 – 11 Novembro de 1988

 As Professoras e eu

            

Quando se aposta em alguém a quem se ajuda, se apoia, (ainda que contra a corrente) com desinteresse, estima e consideração, e em troca, dela aparece, lustroso e agressivo – o bico do sapato – é hábito as pessoas que nos rodeiam dizerem com ares de sabida segurança:

-- Eu já sabia!

-- Eu bem disse!

-- Eu avisei!

-- Não se esperava outra coisa! – etc, etc, etc…

                            

Acontece que sempre achei suspeitas este tipo de sentenças com juízos definitivos sobre as pessoas.

Para mim, ainda que me digam, já me tivessem dito, ou continuem a dizer… Ainda que bem me avisem, ou já tivessem avisado… de cada vez – eu não

sabia, não sei, nem quero saber, porque ainda  que as professoras muitas vezes pareçam dar certas – a minha verdade é diferente.

     

Aquilo que eu sinto em relação às pessoaspessoa que sou – aquilo em que eu acredito, aquilo porque vivo – chama-se Fé.

Sabendo, como todos sabemos, que a toda a gente é possível – trair, comprar, intrigar, maldizer, destruir, apedrejar, profanar, mentir, invejar e tudo o mais que pode formar o cortejo, quase sem fim, do que é negativo – todos sabemos igualmente que há sentimentos e atitudes positivas que às más se podem contrapor – sempre!

      

Ninguém nasce feito – fazemo-nos evoluindo pelo caminho – com serenidade.

Basta, até que um dia, uma vez, num aparente acaso, aqueles que se negam à lealdade de ser que impõe deveres e sacrifícios – olhando uma coisinha de nada quase como um grão de poeira – se dêem conta de que estão frente ao milagre da vida, contado que seja, em linguagem para crianças:

         

 

“Da pobre semente preta

Ninguém diga: ficou nada!

Tão triste,

Tão só,

Tão delicada,

Ai violeta!”

(como escreveu Matilde Araújo)

 

Todas as coisas, chegam até nós, na hora certa.

As que julgamos boas e as que entendemos por más. Queiramos nós entende-las.

Há muito pouco tempo, voltou a aparecer na televisão o Professor Agostinho da Silva que deixou no ar esta frase:

       

“Deus criou o homem à sua imagem e semelhança para que vivesse

 – como um poeta à solta.”

 

“Da pobre semente preta

Ninguém diga: ficou nada.

Ai Violeta!”

 

 

Maria José Rijo

 

 

estou: As Professoras e eu- 1988
música: As Professoras e eu

publicado por Maria José Rijo às 21:29
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7 comentários:
De Flor do Cardo a 8 de Novembro de 2009 às 22:14
Cara maria José
Já vi que o Aristeu já escreveu aqui que o nosso
Gilinho já acordou, Graças a Deus e as suas orações.
Estavamos tão preocupados com todo este drama
que até me esqueci que tinha convidado o Julião
para regressar ao Brasil para se casar por aqui.
Mas Graças a Deus o menino regressou para nós.
O meu Aristeu telefonou-me agora para dizer como
ele estava e para a prevenir que ele perguntou por
si, a sua Tia maria José, que não podia arreliar-se
e por isso que lhe dissesse que ele lhe manda um
beijinho.
Gosto que os meus meninos gostem de si.
Deixe lá ver quando regressa a casa. O meu filho
não me deixou ir a clinica, parece que o dia do avó
é amanhã.

Um abraço minha amiga

Luciano


De Leilla a 9 de Novembro de 2009 às 00:03
Que lindo o seu blog.
Que lindos os seus artigos.
Gosto de ler você.

Beijinhos em seu coração
Com amizade

Leilla


De Maria José a 16 de Novembro de 2009 às 20:56
Leilla - que lindo o seu nome!
Não sei porquê li-o como se pertencesse a uma personagem das histórias de Katherine Mansfield - que tanto encantaram a minha juventude.
Talvez porque lhe encontrei um toque românticoo e musical - talvez!
obrigada por ter aparecido
Um abraço
Maria José


De Xavier Martins a 9 de Novembro de 2009 às 00:07
mais um texto fabuloso.
A lucidez soberba está presente em cada artigo.
Os meus sinceros Parabens.
Adoro vir ao seu blog e encontrar destas
maravilhas.

Um grande abraço
Xavier Martins


.

Aproveito para deixar um abraço ao Aristeu e ao
Luciano - Graças a Deus que apareceu o Gilinho.
A minha mulher tem rezado todos os dias por ele
e para saber de noticias vinha aqui varias vezes a
procurar noticias.
Hoje até dormiremos melhor.
As rapidas melhoras do Gilinho

Xavier Martins


De Aristeu a 9 de Novembro de 2009 às 21:36
Tia querida
Passei toda a tarde com o Gilinho e falamos de si.
Ele está triste, muito triste e procurou a morte,
contou, mas ele ama a vida.
Ainda tem de estar na clinica, talvez saia antes do
fim de semana. Ainda não sabemos.
E a tia como está?
Esperamos que se sinta bem.
Muitos beijinhos
Aristeu


De Kiko Maciel a 9 de Novembro de 2009 às 23:38
Tiazinhaaaaaaa querida
Cá estou eu para deixar um grande beijinho
a minha tia mais querida.
Gostei tanto deste seu lindo texto.
Quero contar-lhe que na escola pediram para
fazer um trabalho sobre uma escritora e eu
escolhi varios textos e poemas seus.
e tive uma optima nota - 18.
Fiquei mt feliz.
Também ficou tia?
Espero que sim.
Muitos beijinhos

do seu querido
KIKO


De Maria José a 16 de Novembro de 2009 às 21:11
Kiko
Que bom que a sua juventude o ajude a ser limpo de alma e corajoso.
Que bom, pois só assim poderia ter acontecido alguém achar que textos o poemas meus pudessem servir para uma prova escolar.
Na verdade "a sorte protege os audases", parabens - e obrigada por essa sua ternura que me aquece o coração.
Peço sempre a Deus que me ajude a saber merecer
as coisas lindas que surgem no meu caminho.
O Kiko é um desses presentes do ceu.
Um beijo grande
Tia Zé


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