Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Dois dedos de conversa

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1986 – 23 de Junho de 1989

 Dois dedos de conversa

 

Cada qual tem os seus pequenos vícios, manias ou fraquezas, como se lhe queira chamar.

Cá por mim, não resisto a guardar lembranças de pessoas e lugares, ou recortes de jornais, que tratem de assuntos, que num qualquer momento, me interessaram.

         

Muitas vezes, esqueço-as durante anos e anos, e reencontro-os por acaso, ou a propósito de qualquer circunstância relembro-os e procuro-os deliberadamente.

Também me tem acontecido vasculhar pastas e pastas em busca do que me interessa e julgo ter conservado, e com surpresa, descobrir coisas absolutamente perdidas da minha memória.

    

Foi agora assim. Uma amiga enfermeira, mulher de alma grande, que algumas vezes já me convenceu com a emoção e o brilho do olhar húmido de ternura com que anuncia: - “nasceu lá uma mulher” – que grande mulher “!” – ou: -

            

passamos a noite de vela – mas nasceu lá um rapazão, que maravilha!” – essa Mulher, com maiúscula, que fala dos nascimentos a que assiste como se cada criança que ajuda a vir ao mundo fosse a primeira e a única e saísse inteira do seu coração, pediu-me, se eu os soubesse, pensamentos sobre a Maternidade.

            

Recordei-me então, que guardara um suplemento de um jornal todo virado para esse tema e fui procura-lo. Estava na rima, já amarelada, onde a minha lembrança o situava. É de Maio de 1970.

Reli-o com interesse e fiquei a pensar na qualidade de escritores, pensadores e filósofos, que escreveram conceitos sobre a infância e a maternidade. Uma frase,

              

porém, atribuída a Júlio Machado, chamou a minha atenção.

Quem seria Júlio Machado! – Quis saber. Trata-se de Júlio César Machado nascido em Lisboa em 1 de Outubro de 1835 e falecido em 12 de Janeiro de 1890.

                     

Refere a sua biografia que foi “talentoso homem de letras, escritor e jornalista”. Conta também ter sido ele o primeiro folhetinista português, pois que o seu primeiro romance “Estrela de Alava” foi publicado em folhetins no jornal “A Semana”, dirigido por Camilo Castelo Branco.

           

Pareceu-me curioso contar, para quem, como eu, o não soubesse quem iniciou, entre nós, as “novelas” doutros tempos – os folhetins – até porque queria terminar estes dois dedos de conversa com a transcrição da frase que me induziu o seu autor:

“O coração das crianças tem o seu movimento regulado como o de um relógio e pára quando a mão de uma Mãe se esquece de lhe dar corda”.

 

Maria José Rijo

 

estou: Júlio César Machado
música: Dois dedos de conversa- 1989

publicado por Maria José Rijo às 22:57
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13 comentários:
De Aristeu a 26 de Novembro de 2009 às 23:43
Querida tia
Mais um interessante artigo. O meu Pai diz que são
milhares os que ele acha interessantes.
E eu acho igual. Gosto de todos e cada um dos seus
artigos.
Li aqui que alguém disse que o jornal Linhas de
elvas deveria fazer um volume com os seus melhores
artigos, o que nós aqui também concordamos e
achamos que era uma bonita atitude de um jornal
agradecido a uma escritora, que durante grande
parte da vida escreveu de graça, em cada semana.
Não acha tia.
Um exemplar das suas melhores crónicas.
Dificil escolha seria - mas não impossivel.
Se alguém do jornal ler este meu comentario - era
bom que pensasse que era uma medida saudavel
e uma acção bonita.
Não acha tia?
Nós achamos.

Tia aqui a festa é todo o dia.
Esta nossa surpreendente familia agora quer
que a escola de samba já dançar no casamento...
foguetes, palhaços... e mais não sei quê.
Ai tia... tia...

Muitos beijinhos
do Aristeu



De Xavier Martins a 26 de Novembro de 2009 às 23:46
Sempre interessante o seu blog.
Sempre artigos excelentes.

Os nossos parabens minha amiga
Com muita amizade

Xavier Martins


De Maria José a 29 de Novembro de 2009 às 20:37
Xavier Martins
Eu nunca saberei agradecer-vos, a si e sua Mulher a simpatia com que me tratam e o bem que dizem dos meus escritos
um abraço grato
Maria José


De Josefina Duarte Lima a 26 de Novembro de 2009 às 23:51
Lindo o seu blog.
Todo ele - desde o primeiro dia até hoje, agora...
Sou seguidora já faz algum tempo desta escritora
fabulosa e sempre actual - que á a Sra. D. Maria
José Rijo.

Os meus Parabens
desta sua amiga

Josefina Duarte Lima


De Maria José a 29 de Novembro de 2009 às 20:40
Minha Amiga Josefina
Fico feliz sempre que sei que alguém gostou de estar na minha companhia
um abraço amigo
Maria José


De Magnolia a 26 de Novembro de 2009 às 23:53
Venho só deixar aqui um beijinho
muito especial
para uma tia Linda que escreve prodigios e
neste blog tão querido.

Gosto muito de si

Mag


De Maria José a 29 de Novembro de 2009 às 20:43
Se a Mag gosta de mim, que direi eu que tenho a sorte de conhecer a alma de uma flor?
Um beijo - tia Zé


De Gustavo Frederich a 28 de Novembro de 2009 às 00:26
Mais um belo texto.
Uma maravilha.
Realmente a Senhora minha Tia tem artigos/textos
de uma grande qualidade literaria.
Sabe que conheci um Padre aqui do Santuário que
lê o seu blog.
De vez em quando vai lá espreitar. Gosta da sua
poesia e dos textos poeticos.
Por um mero acaso, entre milhentas conversas, as
leituras vieram à baila e eis que a preferencia da
escrita apareceu.
Diz que alguns dos seus poemas são lindas orações.
O que já dizia, também, o nosso amigo padre. Se
se recorda.

Fiquei imensamente contente e logo contei que era
minha tia de coração, de paixão pela escrita e pelo
belo da vida.
Ele apreciou a sua forma lucida de olhar a vida e de
a respeitar dessa sua forma única.
Espero tenha ficado feliz com esta coincidencia.
Eu fiquei muito feliz.

Bom fim de semana tia querida.
Muitos beijinhos

Gus


De Maria José a 29 de Novembro de 2009 às 20:54
Gus - meu querido
Faz favor de dizer ao seu amigo Sacerdote que muito do que escrevo é para me comprometer comigo própria no caminho que anseio e de que me desvio mais do que gostaria
Vem tudo a dar no mesmo: dá-me a Tua mão
que encaminhada
quando me chamares
estarei na Tua estrada...
Adorei a oração
Será que algum dia rezaremos juntos olhando um por de sol, calmo e lindo como os que espreito da minha janela?
Sonhar também quebra a solidão.
Um abraço grande - tia Zé


De Vitor Bastos a 28 de Novembro de 2009 às 00:28
Minha Senhora
Ler o seu blog é um verdadeiro prazer.
Bem haja por este belo blog.
Com amizade

Vitor Bastos


De Maria José a 29 de Novembro de 2009 às 20:58
Vitor Bastos
penso que nem que seja no vento a palavra que nos conforta sempre chega ao nosso coração
Obrigada pela sua presença nestes dias chuvosos e tristes
Maria josé


De Gabriel Vasco de Lima a 28 de Novembro de 2009 às 00:31
Boa noite
e P A R A B E N S
Este texto é uma delicia.
A cada dia o seu blog é uma surpresa.
Gosto de caminhar a seu lado.
Parabens

Com muita estima

Gabriel Vasco de Lima


De Maria José a 29 de Novembro de 2009 às 21:10
Gabriel Vasco de Lima
Quando um dia tiver a minha idade é que há-de entender como é importante o presente de amizade que me oferece
Obrigada, muito obrigada
Maria José


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