Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

O Mondeguinho

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1811 – 15 Novembro de 1985

O Mondeguinho

        

Por certo nem só a mim acontece, estar ás vezes, desprevenidamente, frente ao televisor, pronta para entreter de forma ligeira um bocado de serão, e nele, surgirem imagens que nos atingem como assaltos à mão armada.

     

Foi assim, agora, com esta série que relembra como a televisão, ao contar com imagens – em directo, por vezes – alterou o impacto da narração falada ou escrita, e põe como participantes na vivencia de guerras, crimes, fomes e misérias, na terrível posição de poder julgar – tudo e todos – fora do “clima” em que as situações foram vividas e “resolvidas” de formas tão cruéis que – ainda a olha-las – da sua veracidade se duvida.

        

Tenho a certeza de que ninguém volta a ser como era, depois de saber possíveis, atrocidades tais. Como tenho a certeza de que ninguém esquecerá tais coisas, se as viu.

     

Parte-se sempre de onde se está. Tudo quanto se vê ou sente, se soma ao que já se viu ou sentiu.

          

Estou a pensar numa pequena lápide incrustada na rocha, à beira de um rio nascente na Serra da Estrela.

    

Recordo que a primeira vez que a li, tive uma comoção, como se tem ao ver alguém que se julga perdido ou morto, e de repente – como uma aparição – nos surge vivo e são.

          

 Uma daquelas alegrias inesperadas, que nos entontecem e põem a rir e chorar ao mesmo tempo – porque nos inundam de paz e nos renovam a fé na vida.

          

Lá no alto, na Serra da Estrela – à beira duma pequena fonte de onde jorra água muito fria e transparente – alguém gravou:

                   

“Mondeguinho – nascente do Rio Mondego”

Só isto!

Só isto e basta para pensar e sentir, que são os mesmos homens que matam e odeiam – que se enternecem à vista de um veiozinho de água, que brota da terra, e o minam desta maneira!

          

O Mondego, é sabido – é o nosso maior rio nascido em Portugal – mas lá na Estrela, ao vê-lo pequenino, foi olhado com a alma de joelhos, como se olha um presépio, e como se lhe pegasse ao colo, porque o via nascer – carinhosamente o Homem baptizou-o: - Mondeguinho!

         

Olho estes programas que a televisão nos mostra as vezes – numa angústia que me dá até sofrimento físico – mas sei que a água é pura na nascente, e só se suja no caminho – e acho licito conservar a minha esperança.

 

Maria José Rijo

 

estou: o Mondeguinho - 1985
música: O Mondeguinho

publicado por Maria José Rijo às 23:01
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7 comentários:
De António Piedade a 30 de Novembro de 2009 às 23:12
Lindo.
Realmente a Senhora tem sempre um tema
especial para nos mostrar.
O Mondeguinho também conheço e a água é
realmente muito fria e transparente.
Os meus Parabens
e que tenha um bom Feriado

António Piedade


De Maria José a 9 de Dezembro de 2009 às 22:13
António Piedade
Quando li o seu comentário lembrei-me duns versos - já nem sei de que autor - onde se expressava o sonho de " subir a todos os montes - beber em todas as fontes"
Quem não o desejaria?
Nesta, alguns de nós tivemos a felicidade de beber.
Um abraço
maria josé


De Aristeu a 30 de Novembro de 2009 às 23:19
Especial tia

Também fui ao Mondeguinho quando era criança,
na companhia dos meus pais.
Temos algumas fotos dessa época.
A minha Mãe adorava fotografia e então tinha
uma belissima maquina.
O meu Pai diz que se esqueceu de a oferecer ao
João Carpinteiro - lá para o Museu dele.
Quem sabe um dia.

Querida tia obrigado pelas boas recordações
que me trouxe com este seu lindo texto.
Gosto mesmo muito de si.

Aristeu


De Dolores a 30 de Novembro de 2009 às 23:27
Concordo com o Aristeu
Porque aqui nós também nos trouxe muitas
recordações.
Certa vez fizemos um pique-nique junto da fonte,
e foi muito feliz. A minha menina adorava passeios
como este. E claro, terminamos na Serra da Estrela.

Também lhe queri agradecer estas recordações
tia querida.
É sempre tão bom ler os seus lindos artigos.

Tia o Avelino lá anda de volta das orquideas agora
estão quase a florir umas novas orquideas que ele
cripu, cruzou - eu sei lá... mas estou ansiosa por
ver o que vai de lá sair.
Tem uma musiquinha classica, uma luz especial e
lá está a espera que abram. Nem sei se se vem
deitar ou se fica por lá.
Valha-me Deus.
A Magé está muito bonita, parecida com a mãe.
De saude está melhorzinha e já diz mãe - chama
mãe a toda a gente.

Tia muitos beijinhos e bom feriado
Dos sobrinhos
Dolores e Avelino e Magé


De Cilene a 30 de Novembro de 2009 às 23:39
Olá minha Tiazinha
E como está a tia? espero que bem. Eu cá vou
andando na minha vidinha.
Tudo está a correr mais ou menos, e a tia?
Sente-se melhor com o seu marcapassos?
Espero e desejo que assim seja.
Lindo o seu textinho. Gosto sempre muito do
que a tia escreve. Beleza.
A minha tia escritora - e eu gosto disso, viu.
Muitos beijinhos tia
Fique com Deus
Beijinhos no seu coração

Cilene


De Maria José a 9 de Dezembro de 2009 às 22:25
Querida Cilene
Não pensou por certo que me esqueci de si!
Sabe que tudo quando faço dizia minha Mãe com graça, é por empreitadas.
Começo a costurar e parece uma doença - não penso noutra coisa.
Se me dá para pintar é outro desatino.
Assim, também, para usar o computador é outra onda.calhou hoje, já não suportar mais o desconforto de não vir falar convosco e aqui estou falando um pouco com cada um de vós.
Obrigada pelas suas notícias e, quando puder diga-nos , por favor ,a data de nascimento da sua Maria
Beijinhos -tia Zé


De Gustavo Frederich a 30 de Novembro de 2009 às 23:48
Tia
o seu comentario para mim foi especial.
Também gostaria poder estar a seu lado, ouvindo-a
falar e não aqui a imaginar o que gostaria de ser.
Quem sabe, se ainda será possivel, quem sabe eu
vá ainda a Portugal, quem sabe...
Gosto muito de si porque a tia é um ser diferente
da grande maioria das pessoas, tem uma alma
imensa e uma percepção real da vida, e do que é
a vida, dos sofrimentos e das alegrias, da vida.
É especial e já o nosso amigo padre dizia o mesmo.
A sua poesia revela grande profundidade e
conhecimento de si e do mundo e dos próprios
sentimentos.
Obrigado tia por existir na minha vida, mesmo
sendo assim por estes caminhos generosos da net.
Obrigado minha tia
Beijinhos
Gus


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