Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

Talvez… talvez…

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.809 – 1 de Novembro de 1985

Talvez… talvez…

        

Não li, mas contaram-me que dois contemplados com o prémio grande do totoloto, confessaram com simplicidade que desejavam comprar uma casa para habitação própria, e, depois aprender a ler.

                  

Ter uma casa é – pode ser – a realização de um sonho para muita gente – mas, aprender a ler - é quase o sonho ao direito de ser gente.

        

Estas noticias assim, com seu quê de inocentes, atingem-nos de frente – em cheio – como o encontrarão brutal que nos dá o transeunte descuidado que connosco esbarra ao virar da esquina e nos atira ao chão.

            

Pode a gente, depois, fingir que não foi nada, pode agente levantar-se, sorrir ou não, sacudir o fato, trocar desculpas e continuar o caminho que, a memória guarda a cena – e há-de voltar a traze-la à baila quando menos se esperar.

Assim me aconteceu agora, com outra notícia que, certa vez, também os jornais contaram.

 

Uma menina morreu de felicidade porque para se apresentar ao exame da 4ª classe ganhara os seus primeiros sapatos. Não chegou a prestar provas do seu saber mas, foi a enterrar com os habitantes da aldeia a chora-la, comovidos – dizia a noticia – (envergonhados, pensei eu) – por lhe verem pela primeira vez os pezitos calçados e, no rostinho parado a doçura de um sorriso deslumbrado de quem realizara um sonho: - ser dona de um par de sapatos!

                  

Neste século.

Com satélites artificiais, homens na lua, guerras de estrelas, avanços históricos na biologia e na genética – nesta era de descobertas como maldições de bruxas ou milagres de varinhas de condão, em que já nada nos perturba, tudo parece normal e, se admite, ou crê, como possível – porque darão os noticiários espaço a … tão pequenas coisas?

         

Talvez, porque ninguém tenha álibi que o defenda de estar comprometido em casos destes…

- Talvez porque a tranquilidade ou a passividade com que aceitamos estas responsabilidades seja, neste mundo, a única razão de espanto.

-- Talvez… talvez…

 

Maria José Rijo

 

estou: Talvez… talvez…-1985
música: Talvez… talvez…- 1985

publicado por Maria José Rijo às 21:57
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3 comentários:
De Adalgisa Alexandra a 7 de Janeiro de 2010 às 23:01
Mais um texto significativo.
A tia tem sempre belissimos motivos de
conversa.
Estes A LA Minute são mesmo muito bons.
Como é todo o seu blog.
Um grande grande beijinho

Gisa


De Gustavo Frederich a 7 de Janeiro de 2010 às 23:15
Minha queridissima tia

Voltei - quero dizer - nunca parti - mas estive em
retiro todo o tempo das festas natalicias, embora
tivesse acesso ao pc por alguns momentos.

Tia rezei imenso por si e pedi ao nosso querido
Padre Pio para que lhe dar forças e recomeçar a
escrita - que sei e sinto - lhe faz bem.
Sei , que nem sempre estamos aptos ou preparados
por dentro para escrever. - Sei e compreendo
mas - desculpe - não quero aceitar que já não
queira escrever mais.
Compreendo-a...
Eu também deixei tudo... e quando digo tudo é
mesmo tudo - para esta vida de solidão e de
reencontro comigo mesmo...
Sabe tia - perdi-me de mim...
Perdi-me daquela vida em que estava a caminhar...
Estou perdido e nem sei se me vou encontrar.

Desculpe os meus desejos de que volte a escrever.
Desculpe inssistir mas eu gosto de ler nas
entrelinhas de cada artigo, de olhar esse longe
que descreve e nem sempre se vê.
Desculpe tia este seu sobrinho...
Muitos beijinhos

do seu
Gus


De Dolores a 7 de Janeiro de 2010 às 23:25
Minha querida Tia Zé

Cá estamos a deixar muitos beijinhos
para a Tia Zé e a Tia Barbara
desta sua familia de França.

Tia o Avelino também já tem um pacemaker
é que ficou com inveja de mim e olhe lá...
passou muito mal e o médico pimba...
pronto e agora estamos os dois com esta
coisinha a matraquilhar.
Sabe que já tenho quatro pedras no meu colar.
Pedras do meu santuário - daquelas que dão dor
como um parto - para sairem.

Muitos beijinhos tia
Dolores
Avelino
Magé


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