Sábado, 9 de Janeiro de 2010

Já casei a minha filha

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.041 – 4 de Maio de 1990

Já casei a minha filha

 

“Já casei a minha filha – e muito à minha vontade”

Assim falou há muitos anos, um pequeno lavrador, na festa da boda de sua filha, onde, como madrinha comparticipava.

Ora, aconteceu que hoje, depois de mais de uma vez ter falado com pessoa amiga sobre Cultura – me veio à lembrança tão bonita recordação, e me senti com a calma segurança que repassava, naquele dia, a voz do velho lavrador.

 

Continuo a pensar que nada acontece por acaso, e que cada coisa e cada pessoa que entram nas vidas de cada um de nós, sempre o fazem na hora certa e no momento preciso.

Continuo a pensar que é bom viver como as folhas de algumas árvores.

É bom sentir que, como elas, se desponta, se cresce e vive e, como a elas, a vida nos deverá soltar sem sentimentos de perda, sem necessidade ou obrigação de explicar ou dar justificações. Sem tragédias, nem melodramas, apenas e simplesmente, como elementos naturais que chegam quando são para chegar, e em hora certa se soltam, volteiam ao vento, e já desprendidas e livres, dançam, fazem musica com a chuva, correm caminhos, juntam-se pelos cantos a falar de mudança – ciclos que se fecham – ciclos que se iniciem, de esperança e renovação.

Muda-se a natureza em cada estação, como se mudam as casas com cada novo dono ou ocupante.

De isso e de outras coisas mais, se faz o enriquecimento que sempre resulta da diversidade, da diferença e se escreve a história no rosto da vida – seja de pessoas, pedras, casas, praias, rios ou montes.

Da raiz da árvore vem a seiva.

Da “raiz do homem” as intenções.

A copa da árvore é o que dela se vê – o que o tempo e a força de seiva deixaram moldar.

Dos ninhos que na sua fronde escondeu e protegeu, dos segredos de noites e madrugadas – cantarão os pássaros em repetidas e novas Primaveras – mau grado depredadores, espingardas e outros males.

Ao velho lavrador que via a filha casar – e muito à sua vontade – cantava-lhe no coração a paz de quem a criara, a amara, servira, e tranquilo a via partir no caminho natural da vida que fluindo se renova.

 

Maria José Rijo

 

estou: Já casei a minha filha
música: Já casei a minha filha - 1990

publicado por Maria José Rijo às 16:35
| comentar | Favorito
partilhar
4 comentários:
De Leilla a 9 de Janeiro de 2010 às 20:19
Que maravilha de texto.
Adorei - ADORO estar aqui lendo estes BELLOS
artigos.

Grata por este bello blog.
Um grande beijinho em seu coração

Leilla


De hélia Maria Pereira a 9 de Janeiro de 2010 às 20:21
Lindo o seu artigo.
A senhora escreve daquela forma BELA - LUCIDA
é Genial.
É um prazer ler a sua prosa e tb a sua poesia.

Muito obrigada por ter este belo cantinho On Line.
Os meus Parabens

Com muita amizade

Hélia


De Raul Santos de Almeida a 9 de Janeiro de 2010 às 20:24
Cara Senhora
Com este artigo excelente digo-lhe hoje que
- e desculpe a ousadia - mas perdeu imenso tempo
a escrever para um jornal de provincia.
Aqui em Lisboa é que a Senhora tinha de ter
publicado os seus artigos.
São artigos muito Lucidos e de uma prosa
belissima.
Estou deveras encantado com tudo o que nos tem
mostrado aqui.
É um encanto e um prazer e uma honra ter acesso
a esta literatura.

Beija-lhe a mão
Raul Santos de Almeida


De Augusta Silva Torres a 9 de Janeiro de 2010 às 22:00
Minha carissima amiga Maria José
Ao olhar pela minha janela só há branco - muita
neve e muito frio.
Uma paisagem fantastica mas eu nem me assomo
a porta da rua - na minha idade - uma constipação
não me vinha nada a calhar bem.
Estou pois no quentinho é que tenho de estar.

E a minha amiga. Além de nos mostrar aqui estes
artigos tão lindos e tão gostosos de ler.
Que tem feito?
Espero que se tenha cuidado - eu diria até mimado
porque temos que nos mimar muito. Acredite e eu
sinto que a sua sobrinha, aqui a seu lado, em cada
artigo aqui publicado, certamente sabe como a
amiga é uma pessoa que se deva mimar e muito.
A amiga é uma pessoa muito querida. Vejo pelos
muitos comentarios que têm os seus artigos.
É um blog muito lido porque também é um blog
muito bom.

Espero sinceramente que este 2010 seja muito bom
para si, na medida que lhe traga uma imensa
vontade de voltar a escrever.
Noto que estes artigos já têm uns aninhos mas que
estão sempre actualizados.
É um DOM este seu de escrever.
Um Dom de que eu gosto muito de olhar aqui
em cada seu artigo publicado.

Recebe pois um beijinho muito grande - desta sua
e muito amiga

Augusta Silva Torres


Comentar post

.Maria José Rijo

.pesquisar

 

.Abril 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

17
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. A afilhada da Tia Zé

. Páscoa - 2017

. Homenagem a Maria José Ri...

. Cá Estou ... - 1

. OLÁ Dolores

. 2007 - 2017 = 10 º Aniver...

. ENCONTROS DE CIRCUNSTÂNCI...

. Recado para os Sobrinhos ...

. Saudades

. A Feira de São Mateus 201...

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@