Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

O Importante é a Rosa

 

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1963 – 4 Novembro 1988

O Importante é a Rosa

        
 

Com inssistencia (que nunca é demasiada) é a droga assunto para crónicas e entrevistas em jornais, rádio e Tv.

Conforme a especialidade dos promotores da abordagem, assim é o angulo de visão que nos é exposto.

Médicos e psicólogos, porém, põem a tónica no reajuste dos adolescentes, frente á sociedade que os envolve.

Temos que reconhecer, na verdade, que muitos dos erros que eles cometem, têm raizes, ou pelo menos, pequenas radículas, alimentadas por falhas da sociedade, “nossas” por conseguinte.

A falta de tempo, de esclarecimento ou de disponibilidade, para elucidar e acompanhar aqueles que, jovens ainda, procuram àvidamente o seu caminho na vida – causa-lhes, ás vezes –

 

também pelo seu próprio excesso de irrealismo, desilusões tão profundas que os fazem remeter à aparente facilidade que o vício oferece, como fuga, ao confronto com a realidade que não lhes faculta a “colheita do êxito”, tão simplesmente como se retira o fruto maduro do ramo onde se criou.

Num programa que vi, e a que estou fazendo referência, estas observações faziam-se com particular acuidade, para chamar a atenção sobre as crianças que fogem à escola, se fecham em desesperados mutismos, são agressivos sem razões aparentes, e que, no entanto, postas em situações de decisão emergente cometem actos de valentia, altruismo, ternura e nobreza surpreendentes. Então aplaudidas, apoiadas, mimadas – reconhecendo não serem mal amadas como receavam – alteraram a sua maneira de estar entre os demais reencontraram o equilibrio, e crescem em paz consigo e com o mundo exterior tornando-se adultos, sãos de corpo e alma. Outros, talvez com iguais potencialidades, porque não fruiram das circunstâncias que os libertassem dos seus fantasmas interiores, crescem com os recalcamentos, despeitos, ódios, invejas e rancores que estão na génese dos ditadores que procuram a evidência da ribalta a qualquer preço como a criança, mal amada, chama a atenção com a travessura.

     

Não tendo a humanidade toda a dimensão que lhe permita como a Beethoven, com a sua música, ultrapassar desditas e humilhações e falar ao mundo, através da sua visão genial do próprio mundo – ou de qualquer outro artista que projecte na sua arte o íntimo segredo da vivência, de medos e esperanças, dores e alegrias com que se tece cada instante com que a vida nos tece – resta a todos a mensagem de Goethe - “Agarra a tua dor e faze dela um poema”.


 

Cada homem é, também, sem sombra de dúvida, o autor responsável da sua própria vida – a obra – a oportunidade de criar – que Deus põe à disposição de cada um.


 

E se a roseira dá rosas e espinhos, porque nasceu roseira – as pessoas darão rosas e espinhos conforme as motivações das suas consciências.


 

De qualquer modo – o importante – é a Rosa!


 

Maria José Rijo


 

estou: O Importante é a Rosa-1988
música: O Importante é a Rosa

publicado por Maria José Rijo às 02:17
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12 comentários:
De Gilinho a 2 de Fevereiro de 2010 às 02:39
Lindo tiazinha
Este artigo está soberbo.
A D O R E I...

Parece que foi escrito para mim.
Muitos e muitos beijinhos

daqui do seu sobrinho
Gilinho


De Maria José a 9 de Fevereiro de 2010 às 19:58
Gilinho - ambos sabemos que silêncio não é esquecimento.
Penso muito em si até porque também ambos sabemos - que o importante "é a rosa."
Então sinta-me muitas vezes a seu lado a cavalgar à solta, a fazer compras loucas e tudo o mais que todos sonhamos e nem sempre temos coragem de realizar.
Então, sorria, sorria que eu ficarei sempre contente quando o souber feliz.
Beijinhos tia Zé


De Kiko a 2 de Fevereiro de 2010 às 02:41
Muito boa noite
minha tiazinha
Só agora me vou deitar mas não - sem antes -
vir espreitar esta maravilha de texto.
Gostei muito é um texto excelente.

E a tia como está?
Espero e desejo que esteja bem.

Beijinhos
do KIKO


De Maria José a 9 de Fevereiro de 2010 às 19:50
Kiko -Aqui estou a agradecer a sua querida presença e a pedir-lhe que não me leve a mal as demoras nas respostas.
Se calhar é a tremenda carga de gratidão e afecto que tenho por todos vós que põe o meu velho coração a arrastar "os pés". Se assim fosse, ficaria mesmo parada a olhar grata e enlevada para o querido Kiko.
Beijinhos - Tia zé


De Xavier Martins a 2 de Fevereiro de 2010 às 02:44
Minha boa amiga
Este texto é perfeito.
Magnifica prosa.

Parabens por esta maravilha de blog.
Excelente norta 20.

Um abraço
deste seu e muito admirador

Xavier Martins


De alfa a 2 de Fevereiro de 2010 às 08:59
Passei por aqui, via poetaporKedeusKer, gostei muito do seu blogue, voltarei. Parabéns.


De Maria José a 4 de Fevereiro de 2010 às 17:01
Alfa - que cada visita lhe agrade como a primeira e, quando o alfabeto se esgotar... que volte a alfa
Um abraço grato
Maria José Rijo


De Miguel Borges de Melo a 2 de Fevereiro de 2010 às 10:02
Minha Senhora
Gostei imenso deste seu artigo.
Aliás tem aqui um blog maravilhoso. Tem artigos
fantasticos e um blog muito lindo.
Bem haja

Miguel de melo


De Maria José a 4 de Fevereiro de 2010 às 16:50
Miguel Borges de Sousa

Se o mais importante é a ROSA - como não agradecer a quem no-las oferece?
Bem haja!
maria José


De poetaporkedeusker a 2 de Fevereiro de 2010 às 18:02
Boa tarde, minha amiga.
Infelizmente não consigo ver a imagem, mas este seu texto deixou-me curiosa porque tenho um quadro que se intitula exactamente assim. Também a mensagem que eu pretendi fazer passar na imagem que criei, foi muito semelhante à sua... bem, também deveria ter vindo dar-lhe um recado da Ana Maria que esteve consigo num festival de música, aí em Elvas. Ela envia-lhe um abraço muito amigo... e eu estou atrasadíssima porque já nos mandaram sair...
Abraço grande!


De Maria José a 4 de Fevereiro de 2010 às 16:46
muito me lembro das minhas Amigas, mas, estou tanto tempo "ausente", que, depois, um certo pudor, uma quase timidez de criança me inibe e anula a palavra que gera o reencontro.
Talvez seja também consequência de muito isolamento e deste coração que anda a correr ao desafio com ele próprio, certamente, visto que eu não estou a aguentar muito bem a competição. Enfim! estou aqui e, costumo andar por perto.
Agradeço a visita e a generosidade que traz implicita.
Já pedi à Paula para emendar os erros de ortografia, mas ela tem o computador cheio de manhas que não sabe contornar e - mais - a doença de um familiar que não lhe deixam tempo nem para rezar uma Avé- Maria
Um abraço grande Maria José.


De poetaporkedeusker a 5 de Fevereiro de 2010 às 11:27
Que o vosso familiar melhore rapidamente. Eu hoje tive o prazer de ver as imagens! Estes computadores do CJO também estão sempre com "filtros" - o Websense é um deles - e, de uma maneira geral, nem sequer consigo ver as minhas próprias imagens... penso que muitas delas não estão visíveis pois já me chamaram a atenção. Mas dá para ir publicando e visitando Amigos, embora muito mais espaçadamente do que eu gostaria...
Um abraço muito, muito grande!


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