Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010

POVO

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1869 – 2 Janeiro de 1987

POVO

          

Deixei a festa oferecida aos filhos dos trabalhadores da Câmara onde se ria, pulava, brincava, dançava, e fui “a correr” espreitar ainda um pouco, das cerimonias na Igreja do Senhor Jesus da Piedade, onde em jeito de oração, se cantava.

Quase sem dar por isso… vibrando com a disponibilidade que o Povo tem para ser contente e feliz – pensei nuns versos de Pedro Homem de Melo – que a voz de Amália fez chegar ao coração de toda a gente:

                    

“Povo que lavas no rio,

E talhas com o teu machado

As tábuas do meu caixão…”

 

Pensei com emoção no povo que somos, obreiros anónimos dum País.

Expressão humana – rosto duma Pátria.

 

Povo que grita

Povo que sofre

Povo que sonha

Povo que trabalha

Povo que constrói

Povo roto e descalço

Povo com conforto

Povo que luta

Povo de luto

Povo que chora

Povo que ri e canta

Povo que reza

Povo mão-de-obra

Que ergue, rasga, constrói e na raiva, destrói as catedrais…

As Pontes… as casas… as cidades, os Países… que constroem…

Povo – força de raiz

Povo raiz da força

Povo criança feliz

que de si próprio desenraíza a esperança, a ternura, a ingenuidade criativa dum presépio

Povo – mole no amor

bravo na ira se a maré vira…

Então pensando, sentindo em tumulto apetecia-me pedir à Amália que cantasse também!

 

 

“Povo que lavas no rio,

E talhas com o teu machado

As tábuas do meu caixão…”

 

 

Talhas futuro – fazes pão

Fazes o berço

dos filhos

Traças o sinal da cruz

Com a mesma honrada mão!

 

Maria José Rijo

 

 

estou: Povo - 1987

publicado por Maria José Rijo às 01:07
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4 comentários:
De Aristeu a 18 de Fevereiro de 2010 às 01:25
Lindo Tia
Gostei imenso deste seu artigo.
E gostei imenso de ouvir este fado da nossa, da
grande Amália Rodrigues. Não poderia estar
melhor.

Bem visto como sempre - os seus temas são
SEMPRE actuais - digam lá o que disserem e só
não percebe quem é burro de nascença - ou
ainda cego - aquele que não quer ver...
Sabe tia - o meu pai tem recordado imensas coisas
da nossa cidade - e entre imensas delas falou da
inveja que muitos t~em de não saberem - com
meia duzia de palavras - dizerem o que a minha
tia diz.
É verdade - e digam, lá o que disserem !!

Tia querida - Graças a Deus que terminou o
Carnaval - já não aguentava mais esta casa em
pandemónio - acredita que o Gilinho comprou
uma galeria e agora espoe lá as fotos que fez
e reproduz - das nossas antigas de familia.
Exposições que começam a chamar muitos
entendidos.
Parece que agora é fotografo a sério e a fazenda...
deixe ver como é...

Muitos beijinhos minha tia querida.
Do seu sobrinho

Aristeu


De Gustavo Frederich a 18 de Fevereiro de 2010 às 01:35
Minha tiazinha
e o carnaval já terminou, enfim...
Gosto, sabe que gosto imenso do carnaval.
Já estou de volta mas tenho imensas coisas para
decidir da minha vida...
depois conto...

Gostei muito dete seu texto.
Este fadao de Amália é uma maravilha.
Bem haja sempre por este seu blog.
Um beijo grande tia
Fique com Deus

do seu GUS


De poetaporkedeusker a 18 de Fevereiro de 2010 às 12:29
Povo que lavas no rio... que magnífica comunhão entre as palavras de Pedro Homem de Mello e a fabulosa voz de Amália! Agora com palavras que são suas...
Um enorme abraço!


De Dolores a 19 de Fevereiro de 2010 às 01:47
Minha querida tia
Adoro os seus textos, têm sempre assuntos
muito interessantes.
Gostamos muito de ouvir este fado da amália, a
nossa grande fadista internacional.

Muito bom.
Beijinhos e muitos Parabens - tia este fim-de
semana eu e o Avelino vamos dançar a valsa a
premio. Depois conto-lhe como foi.
Estamos muito contestes por este voltar ao
passado - quando ambos uamos para as danças
de salão. Recorda?
Deixe ver.

E a tia es´tá melhor de saude?
Espero e desejo que sim.
Quero saber de si Feliz.
Está bem?

Muitos beijinhos tiazinha
desta sua famila em França

DOLORES

Ah - beijinhos e as melhoras para a sua mana.


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