Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

Imperativos de Consciência - como um toque de Aléluias

A Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1870 – 5 de Abril de 1985

Imperativos de Consciência – Como um toque de Aleluias

 

 

Muitas vezes – quando uma tarefa se me impõe como inevitável – e a minha comodidade a rejeita como enfadonha ou difícil – penso na Maria João!

A Maria João Cabral aí pelos seus 9-10 anitos como um botão em flor.

Espigadota, magrita e com a palidez das crianças alouradas que não são muito robustas fisicamente – a Maria João frequentava a escola – como toda a gente da sua idade – mas, não era toda a gente!

 Então, um dia – por um Março Gonçalvista – um professor começou a gastar o tempo que lhe pagavam para leccionar matéria determinada – fazendo propaganda politica, violenta e virulenta contra a igreja etc, etc, etc…

As crianças mais ou menos resignadas, conforme o ambiente de que provinham, ouviam pacientes.

Foi então que Maria João se levantou da sua carteira e, de pé, com a delicadeza e correcção, que aprendera em sua casa, disse qualquer coisa como isto:

--“ O Senhor Doutor dá-me licença que interrompa” – E, quando o professor lhe deu assentimento para que falasse, na sua vozinha musical, a Maria João continuou:

--“Os meus pais são católicos praticantes e eu ando a preparar-me para fazer a minha Comunhão Solene e se o Senhor Doutor não pode deixar de falar da religião dos meus Pais e minha, faz favor de me dar licença para sair porque não me sinto bem com a minha consciência ficando aqui! ”

Seguiu-se um silêncio expectante. A menina tinha corado até à raiz dos cabelos, tinha lágrimas nos olhos, mas continuava de pé, de cabeça levantada, com dignidade e sem provocação – antes com humildade.

Então o professor decidiu:

--“Podes sentar-te!” E, sem comentários, mudando de assunto recomeçou a ensinar a disciplina da sua especialidade.

A Maria João como fizera o que achava imperativo de consciência – coisa justa e natural – nem contou aos Pais.

Porém, as colegas e os telefonemas começaram a surgir porque os Pais dos outros meninos queriam felicitar, quer a criança, quer a família que alimentara numa menina tão frágil, tamanha força de alma.

Depois, despoletada a coragem, com este exemplo, os Pais das crianças reuniram-se, elegeram uma comissão, foram falar com o conselho directivo da escola e conseguiram que a “politiquisse” fosse excluída das aulas.

 

Nesta altura da vida do nosso país em que os politiqueiros, a politiquice e a parlapatice -  tudo infesta – era bom, que cada um que tem “voz” para puder ser escutado parasse e visse (como aconselha RILKE em “Cartas a um Poeta”), se o que diz e o que faz “Tem raízes no mais profundo coração”.

 

Se assim for – que o diga, ou o faça com: “uma sinceridade íntima, calma e humilde” – porque então, até os que mais gritam hão-de reconhecer – como no caso da Maria João Cabral - que a sua coragem é filha da força e da pureza que têm os imperativos de consciência.

 

Maria José Rijo  

estou: Maria joão Cabral

publicado por Maria José Rijo às 16:10
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3 comentários:
De Xavier Martins a 29 de Maio de 2010 às 02:12
Mais um texto excelente
Os seus artigos são sempre belissimos como este.
Que bom que mostra aqui estes artigos - assim
é tão mais facil para mostrar e fazer recordar
artigos que muitos leram e se esqueceram.

Os meus Parabens
Bem haja pelo seu blog

Xavier Martins


De Flor do Cardo a 30 de Maio de 2010 às 23:29
Minha cara Maria José
Espero que tudo esteja bem - nós por cá vamos
andando na Graça de Deus e com as minhas
maleitas de rastos mas cá vamos andando.

Mais um artigo excelente - como não podia deixar de ser.
O seu blog está por aqui em muitas casas - todos
gostam de ler.
acredite não estou aqui a rasgar sedas - como se
diz por estas bandas.

Sabe que o Gilinho diz mesmo que vai passar
por Elvas - mas agora imagine - nem nós
sabiamos que desviou a rota e está na
Australia. Já viu este rapaz?!
Estamos sempre a espera de noticias.

A Mag e o Aristeu já têm tudo preparado... já
não falta muito e já agora - não resisto em
ser eu a contar.
Estou emocionado até. Mas o Aristeu tem um
amigo que é pintor - muito bom pintor pelo
que lhe pediu um retrato - e pintou um oleo da
mãe - depois pediu ao amigo que pintasse um seu
daquela foto - que ele recorda desde criança.
Ficou uma maravilha, uma replica exemplar da
foto - estão muito bem emoldurados e é um
prazer olha-los.
Estamos todos muito contentes com esta ideia
do Aristeu.

Pronto, já dei a noticia e agora vou-me despedir
que já chegaram os meus amigos para jogar
xadrez.
É verdade o Sinfrónio anda a passear pelo
Brasil - mas volta para conhecer as gemeas.

Um abraço

Luciano


De Maria José a 3 de Junho de 2010 às 19:02
Meu bom Amigo
É quinta feira de Corpo de Deus. É um destes dias cheio de lembranças. Agora com a preocupação de cuidar da minha pequenina companheira, acabo por me distrair e, até, rir muitas vezes com as cabriolices que esta criatura faz. aparece por cima de tudo ou desaparece metida por todos os cantinhos dnde sai aos saltos e em correrias.
Sabe como é.
Obrigada sempre pela companhia que me vão fazendo com as vossas presenças aqui nesta nossa casa.Aqui nos vamos encontrando entre desabafos de alegrias e queixumes, quando calha.
Alegra-me saber que o Gilinho continua com febre de viver. É bom sinal. Eu acedito que nos planos dele está também Elvas, mas sei que para quem tem a vida toda pela frente nada tem sentido de urgência.
Também sabemos que não é fácil confrontar o que se sonha com a realidade.
Esteja ele feliz e tudo estará bem.
Reparei hoje que o Aristeu está quase a fazer anos
Será???
Que tudo aconteça como sonharam e se deseja
Um abraço grande
Maria josé


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