Domingo, 29 de Agosto de 2010

Jaime Loureto - Um Emigrante…

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1819 –  10 de Janeiro de 1986

Jaime Loureto  -  Um Emigrante…

 

Conheci, por acaso, há dias um elvense emigrado na Bélgica, que, de vez em quando, envia para o “Linhas de Elvas” pequenas crónicas que leio com interesse e curiosidade.

Várias vezes tinha perguntado a mim própria quem seria o autor.

Assim que, foi com simpatia que apertei a mão desse homem que, vindo lá de longe, de onde trabalha, comparticipa, sempre que pode, na vivência dos acontecimentos desta sua terra, a que permanece ligado.

Foi um encontro breve, de acaso, que no entanto me fez pensar longamente.

Acontece que descobri que conhecia de há longos anos, a família deste emigrante. Não me recordava dela, em especial, mas guardava a terna lembrança de um rancho de crianças de idades próximas, quase todas (ou todas) com belos olhos claros, que chilreando, seguiam a mãe nas idas e vindas pelas ruas da cidade.

 

 

 

Então senti a força interior do “rapazinho” desse tempo que cresceu no meio de família numerosa e se sonhou Homem – fazendo render os talentos que a sua inteligente intuição lhe segredava ter dentro de si.

Vi a falta de meios e de apoio que lhe permitissem afirmar-se entre os seus conterrâneos e vi a mágoa que o empurrou para sair da fronteira.

Estava tudo ali no olhar franco daquele homem já grisalho – (realizado talvez) mas que não se arroga de vitorioso impante – porque adquiriu os meios que o libertaram dum passado difícil.

 

Estava tudo ali, no olhar calmo com que encara as pessoas – firme, como quando decidiu atravessar países cujos costumes e idiomas desconhecia – para conquistar o espaço a que todo o homem tem direito entre os outros homens – apoiado apenas na segurança dessa força interior. E encontrei nesse olhar, a par de uma alegria sofrida e consciente, a raiz funda da sua necessidade de escrever.

Estava ali o homem que não descansa de pensar nos quês e nos porquês das coisas e que aprendeu a interrogar a sua própria solidão.

Estava ali o homem que volta sem rancor ao País que o repeliu, o homem que se procura na procura de compreender os outros a que se liga por uma solidariedade que o eleva e distingue pela consciência com que se quer viver.

 

Maria José Rijo  

estou: jaime loureto, um emigrante

publicado por Maria José Rijo às 12:03
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2 comentários:
De Xavier Martins a 29 de Agosto de 2010 às 14:28
Minha cara amiga
Mais um artigo excelente.
Os meus Parabens.
Desculpe a minha ausencia mas estive de viagem.
Fui visitar uns parentes que estão na Holanda e
por lá estive na terra das tulipas.
Uma viagem que foi um encanto, só não consegui
ligar-me a net pelo que não vi nada do que escreveu.
Agora já tenho a escrita em dia
Os meus Parabens minha amiga.

Destes seus amigos
Xavier Matins


De Flor do cardo a 29 de Agosto de 2010 às 14:57
Jaime Loureto
Um homem simpatico que tive o prazer de conhecer,
certa vez, no antigo e extinto Café Alentejo.
Ainda falamos algumas vezes.
Boa altura para sair este artigo, já que , quando me encontrava com ele era sempre pelo mês de Agosto.

E a minha cara amiga, como se encontra?
Lutando com esse imenso calor alentejano.
Espero que esteja fresquinha, nas nossas idades
o calor mata.
Por aqui estou agora sozinho com as minhas
visitas, que aliás, visitas já deixaram de ser
faz bastante tempo. Direi antes - familia.

O Gilinho está lá para a fazenda e diz que tão depressa
não volta. arranjou uma cabocla - e é os novos
amores. Parece feliz.
O Aristeu e a Meg mais as 2 flores foram até a
Australia e estão de regresso hoje - coisas do
trabalho - que levando a familia resultou numa
viagem interessante.

Retomei as tardes de leituras, prosa e poesia.
Os amigos vêm para o nosso salão.
E são tertulias muito engraçadas e onde sempre
se aprende alguma coisa.

Então... e a nossa Kika?
Tenho pensado muito na sua gatinha já que aqui por
casa os gatos entram e saiem a seu belo prazer.
Um grande abraço
Com amizade

Luciano


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