Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010

Quantos outros?

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1826 –  28 de Fevereiro  1986

Quantos outros?

 

Mesmo com este tempo irregular, já se sente a Primavera – que não tardará – incubada na macieza do vento que passa.

Mentalmente já se começam a estruturar passeios ao campo, cujo apetite transparece logo que o sol, mesmo tímido, aparece, e o ar amorna.

As tardes são maiores, a luz é mais viva, talvez o tempo comece a render melhor e se possam, enfim, cumprir desejos que se guardam de ano para ano.

A televisão avassala os serões m que se lia, ouvia-se musica ou conversava. Os empregos retêm as pessoas fora de casa quase todos os dias da semana.

As tarefas ficam mais breves a atravancadas pelas tarefas inadiáveis, a que obriga a subsistência. Os congelados – acabados à pressa – facilitam – e vão surgindo sobre a mesa em lugar das sopas perfumadas que se insinuavam pelo olfacto, espevitando o apetite. As casas já não são as colmeias que giravam em torno da abelha-mestra, e onde cada criança passava o dia à descoberta, cirandando de cá para lá, aprendendo a conviver com as outras gerações e descobrindo o seu próprio espaço. Os tempos mudaram! Esse “Tapete de segurança”  da vida de família em torno da Mãe e dos Avós – em casa – com o Pai a regressar à tarde, com o jornal para se ler ao serão e, a família, em festa a recebe-lo, como se de longe chegasse – passou.

Os meninos, já não são os pintainhos que a asa da galinha aquecia protegendo. Agora, igualizados, são parte do bando maior que o aviário cria, com regras sabiamente estabelecidas e exercidas com rigor científico. Até por isso, porque a casa e a família, já não podem ter o espaço, de preponderância, que regia as influencias para a desejada formação dos filhos que seguiam hora a hora – a sociedade que absorve e usa o tempo de todos – tem mais deveres para as gerações novas.

É vulgar ouvir e censurar a mocidade – é corrente fazer-lhe exigências – é frequente enche-la de presentes (como quem compra cumplicidades ou paga compensações…) mas, já ninguém estranha ver os filhos sós, entregues a si próprios, sem esclarecimento a tempo, a maior parte das vezes sem ideias que os reúnam e despertem para causas superiores.

Pensava em tudo isto, nesta tardinha de Fevereiro, vendo vaguear ao acaso, a gente nova, e, deixando crescer dentro de mim a esperança de que a Biblioteca e o Museu possam ser em breve os espaços de cultura de que Elvas precisa, se Elvas o quiser verdadeiramente.

Aos nomes consagrados de Eusébio Nunes da Silva que fundou o Museu e de António Torres de Carvalho, Francisco de Paula Santa Clara, Vitorino de Almada, António Domingos Lavadinho, Major Baião, António Tomás Pires, Júlio Botelho, e mais recentemente Eurico Gama – (e tantos mais, cito de memória ao correr da pena) – quantos outros elvenses poderão, se quiserem, acrescentar os seus nomes a esta lista revitalizando como oferta de meios de modo a tornar vivos e actuantes os espaços culturais:

Biblioteca – Museu – que antepassados seus – com rara visão de futuro – criaram com as suas doações.

 

Maria José Rijo

estou: Quantos outros - 1986

publicado por Maria José Rijo às 11:24
| comentar | Favorito
partilhar
10 comentários:
De Xavier Martins a 1 de Outubro de 2010 às 18:20
Muito boa tarde
Voltei de Viana de Austria , onde passei uma semanita
em casa de uns amigos.
Uma maravilha. Adoramos.
Parabens por mais este artigo.
Está sempre de Parabens.
Com amizade e admiração

Xavier Martins


De Maria José a 7 de Outubro de 2010 às 17:31
Xavier Martins
Sabe? - não sabe,porque não lhe pesam ainda os anos - como é difícil ter o pensamento completamente desfazado da capacidade física?
Aprender a viver com duas velooidades tão contraditórias, desespera, até porque a memória, contribue, não guardando o que se lhe confia e desaparecndo quando era absolutamente necessária.
Esse é o panorama em que vegeto e que apesar dos pesares, até não é dos piores.
Estou tentando aprender a conviver com esta situação e, para o provar até a mim própria voltei a procurar os meus fieis amigos.
Que bela deve ter sido a vossa viagem.
Um abraço amigo - Maria José







De Kiko a 1 de Outubro de 2010 às 19:03
Olá tia
Muitos beijinhos ainda bem que retomou a escrita.
Fico muito contente.
beijinhos

Kiko


De Maria José a 7 de Outubro de 2010 às 17:44
Kiko - viva o meu jovem sobrinho!
Não faz ideia como me encanta a sua presença.
Ela é sempre um sinal de esperança na vida. É sinal que os novos sabem ser generosos o que só pode tornar gratos os mais idosos.
Tenho seguido um pouco a sua vida, pelo que me conta desde as viagens aos exitos no estudo.
Nem sempre respondo como desejaria mas...o seu coração sabe, pressente, que os ritmos são diferentes...
Beijinhos tia zé













De DOLORES a 2 de Outubro de 2010 às 13:45
Minha querida Tia
Decidimos o que tinha de ser feito...
Foi muito dificil, como pode calcular, mas eu e o
Avelino já não poderiamos cuidar da nossa menina
como gostariamos.
Sentimo-nos muito velhos e doentes, ambos com a
bengalinha no coração...
Tantas coisas tristes nos aconteceu desde que a
minha sogrinha partiu que já nem sei...
É tudo muito triste...
A Magé está com o casalinho novo, aqui vizinhos,
que a vão a continuar a criar, embora nós continuemos
a ser os avós.
Está muito engraçada e diz tudo, em ambas as
linguas. É uma querida.
Obrigado pel sua ajuda, sempre foi uma mãe para nós.
Obrigada de coração e desculpe não ter envado
a foto prometida mas... é hoje é amanhã... e os
dias foram passando...
Beijinhos nossa tia

Dolores e Avelino


De Maria josé a 7 de Outubro de 2010 às 18:08
Meus Queridos
Quando há dias me fizeram a "tal" pergunta senti imediatamente qual seria a vossa decisão.
Não tive oportunidade de responder porque tive minha Irmã comigo, ambas adoentadas,ela e eu, visitas, festas da cidade, um mundo de coisas e, também porque a resposta tinha que vir do vosso coração.
Só os meus Queridos estavam em condições de avaliar , em todos os sentidos, o que seria, ou pereceria, melhor para a queridíssima Magé.
A idade , a família que se tem, ou não tem, as condições económicas,a saude, tudo tem expressão em atitudes tão decisivas para a felicidade de alguém.
Penso que terá sido uma decisão que vos terá causado muita amargura, mas também muita esprança de que a Menina possa ser mais feliz e cresça sem a ansiedade de ver os avós tão inseguros em relação ao futuro.
Penso que é preciso muito amor para se entregar o melhor que se tem na vida.
Que tenha sido em hora feliz. Gostava de saber se ela está muito longe de vós, se se tem adaptado bem,enfim, não gostaria de a perder também da minha vida. Também ainda não perdi a esperança de que um dia me mostrem o rostozinho dela.
Um abraço grande, grande, grande
Tia Zé
Não posso ,dizer que avalio


De Mateus e Rocha a 2 de Outubro de 2010 às 13:52
Cara Maria José
Finalmente encontrei o seu blog que tanto
me haviam comentado.
Já li imensos dos seus artigos e concordo com
alguns comentarios que dizem, que deveria ter
escrito para uma cidade grande, como Lisboa ou
Porto, cidades pequenas não acolhem tão bem
os escritores, e uma escrita, como a sua, bem
merecia ter lugar numa grande cidade.
Conheci V. Exª durante o Dia Mundial da Musica em
Elvas, o que nunca me esqueci.
Bem haja por este blog onde os artigos estão ao
alcance de quem gosta de os ler.
Parabens, Felicidades e coragem para continuar a
escrever.
Um Abraço

Manuel Maria Mateus e Rocha


De Maria José a 8 de Outubro de 2010 às 12:28
Manuel Maria Mateus Rocha
Que agradável foi para mim, ao fim de tantos anos, encontrar alguem que recorde ainda o Dia Mundial da Música de 87.
Creia que estes "reencontros" me ajudam a pensar que vale sempre a pena fazer de coração qualquer tarefa , grande ou pequena que a vida nos destine.
Obrigada também pela referência ao blog. Ele é obra de uma sobrinha de coração que ganhei nesses tais velhos tempos.
Eu , apenas escrevi para o jornal da terra. Só isso.
Um abraço grato - Maria josé Rijo


De Flor do Cardo a 5 de Outubro de 2010 às 16:26
Cara Maria José
Mais um - menos um - nos muitos artigos já publicados.
Presumo que poucos já devem faltar para estarem
todos on-line. Não é? A sua sobrinha está de
Parabens pelo trabalho fantastico que tem feito ao
longo de 4 anos.
Foi uma boa ideia este seu blog. Mais uma vez, os
meus Parabens.
Sabe o Gilinho já casou lá na fazenda? É verdade.
Hoje telefonou a contar a novidade e também
contou que vou ser avó de uma menina que se vai
chamar Marisa, como a avó materna.
O meu filho está contente apesar da surpresa
inesperada. Amanhã vamos todos para a fazenda e
ver como eles estão.
Depois conto-lhe.
Um abraço.
Luciano


De Maria José a 8 de Outubro de 2010 às 12:52
Meu bom Amigo
Finalmente arranjei coragem para quebrar esta abulia que me tomou por completo.
Tenho deixado passar o tempo, sem gosto por nada e ainda por cima com a sentida mágoa de não ser capaz de reagir.
Peço que me desculpem. não é falta de amizade. Às vezes é solidão, outras será pouca saude, ou, até algum desencanto pelas preocupações da conjuntura que a todos toca e de que forma!
Fiquei contente por saber que o nosso Gilinho tomou importants decisões para a sua vida.
Penso que estará feliz e mais confiante . Verdade, verdade, a sorte pregou-lhe duras partidas e não deve ter sido fácil superar tudo quanto o amargurou.
graças a Deus que a esperança renasceu.
Um beijo para ele e saudades para todos vós.
Um abraço Maria José !


Comentar post

.Maria José Rijo

.pesquisar

 

.Junho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
23
24

25
26
27
28
29
30


.posts recentes

. Parabéns Luciano

. CONVITE

. Cá Estou ... - 2

. CORAL PÚBLIA HORTÊNSIA DE...

. CRIANÇA - 1990

. Parabéns

. A afilhada da Tia Zé

. Páscoa - 2017

. Homenagem a Maria José Ri...

. Cá Estou ... - 1

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@