Terça-feira, 23 de Novembro de 2010

Quando eu for analfabeta…

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1836 –  9 de Maio de 1986

Quando eu for analfabeta…

 

Cada um sabe de si, e só Deus sabe de todos – diz um rifão muito antigo! – E de mim, sei eu!

-- Não gosto de máquinas!

 

-- Gosto de pessoas, de flores, de bicharada…

Uso as máquinas com a desconfiança com que ouço falar os papagaios!

Por isso, quando outro dia, meia dúzia de rapazinhos maravilhosos, me encantaram com o seu domínio e familiaridade no campo da informática – quando me ensinaram que dentro em breve será tão analfabeto quem não manusear um computador, como era dantes quem não sabia ler…

Quando isso aconteceu, fiquei a pensar no que farei quando for analfabeta e, logo, logo, – afligi-me.

Depois lembrei-me de Rilke quando em “Cartas a um poeta” pergunta a Kappus:

“Mesmo numa prisão cujas paredes abafassem todos os ruídos do Mundo, não lhe restaria sempre a sua infância, essa preciosa, essa magnifica riqueza, esse tesouro de recordações?”

“Tente fazer voltar à superfície as impressões desse vasto passado”

Pensei nisto e senti-me reconfortada.

Porque quando eu for analfabeta, quando eu estiver cativa do meu desamor pelas máquinas, poderei ainda reviver recordações e imaginar futuro, a contar:

-- Antigamente, nas escolas, não havia computadores, e as crianças tinham de memorizar a tabuada para conseguir fazer contas e cálculos.

Então, para facilitar esse esforço, os pequenos alunos davam as mãos como numa roda, e entoavam em coro, como lenga-lenga, essa cantilena que ajudava a aprender de cor:

2x1=2 – 2x2=4 – 2x3=6 – 2x4=8 – etc, etc,

 

E estas e outras coisas serão contos do futuro que hão-de passar de geração em geração como rezas e lendas antigas de “Damas de pé de cabra “ que chegaram até nós.

E o passado e o futuro serão sempre equidistantes do presente e maquinas virão substituir máquinas, porque só o homem recorda, sonha e cria – Graças a Deus!

 

Maria José Rijo

estou: Quando eu for analfabeta…

publicado por Maria José Rijo às 15:18
| comentar | Favorito
partilhar
1 comentário:
De Xavier Martins a 24 de Novembro de 2010 às 00:12
Mais um excelente artigo.
Gostei e a foto da escola antiga - eu andei
numa dessas escolas. Ali aprendia-se de verdade
hoje em dia já não é bem assim.
Sem uma calculadora a maioria dos alunos nem
sabe fazer uma continha.
É a realidade.

Gostei do artigo e gosto sempre das fotos
escolhidas.
Bem haja

Com amizade
Xavier Martins


Comentar post

.Maria José Rijo

.pesquisar

 

.Agosto 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


.posts recentes

. Parabéns Avelino

. Parabéns Luciano

. CONVITE

. Cá Estou ... - 2

. CORAL PÚBLIA HORTÊNSIA DE...

. CRIANÇA - 1990

. Parabéns

. A afilhada da Tia Zé

. Páscoa - 2017

. Homenagem a Maria José Ri...

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@