Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011

Três apontamentos...

Jornal Linhas de Elvas

Nº3.108 - 3 de Fevereiro de 2011

Conversas Soltas

Três apontamentos

 

A força do argumento:

O homem começou a choramingar pedindo ao oficial da guarda que se lembrasse que era pobre, tinha mulher e filhos a seu cargo, e, por tão justas razões, lhe deveria ser perdoada a multa pela infracção cometida.

O homem humilhava-se para condoer o guarda, usando a sua situação familiar, como quem brandisse um arma invencível.

Sério, atento, de semblante fechado, impenetrável a qualquer leitura emocional, o representante da autoridade ouviu toda a argumentação sem pestanejar.

Quando o homem se calou, o guarda, sem agressividade perguntou: - conhecemo-nos de algum sítio?

Já me tinha visto alguma vez?   

Que não! -respondeu o homem.

Então, porque seria eu a ter obrigação de me lembrar que você tem mulher e filhos, se você a quem cabe essa responsabilidade, não lhe ligou importância e se fez à estrada sem respeitar os seus deveres?

Olhar pela sua família, é da sua conta. Da minha, é olhar pela segurança na estrada

O homem fitou o guarda com espanto, como se a força do argumento lhe tivesse esbofeteado o rosto, calado assinou de cruz o papel que lhe foi apresentado, tirou da algibeira uma bolsinha de trapo, desatou os nós do cordão que a fechava, contou as moedas e pagou a multa.

 

Esta cena, volta e meia, acode-me ao espírito.

Parece coisa de somenos.

Parece quase graça de anedota. Parece! Mas, não é.

Esta cena é o retrato de uma sociedade onde se espera dos outros atitudes que solucionem os erros que nós próprios cometemos.

                                           

Parabéns a quem merece!

Acabo de receber mais uma Agenda Cultural das que a Câmara edita com uma bela imagem de Outono na capa e, num tamanho maneirinho, que cabe num bolso.

Também tive acesso a algumas edições de interesse indiscutível, especialmente essa pequena maravilha (da autoria do Dr. Antóno Ventura) que é “ Elvas na Literatura de Viagens”

Parabéns à Senhora Vereadora da Cultura que assim dá conta de como foi merecido e útil o curso sobre património, que a cidade de Elvas, através da Câmara, lhe proporcionou, em Lisboa, onde para tal, a fazia deslocar.

Também, para enriquecimento cultural de todos nós, seria interessante pudermos consultar a sua tese de doutoramento, se a dissertação for sobre Elvas, evidentemente.

                             

O meu reparo

Cavaco Silva, em quem votei, acaba de ser reeleito.

Sinto-me – também - de parabéns!

Pena, que na hora de alegria da sua reeleição não tenha tido a lúcida coragem de calar algumas atitudes menos elegantes dos seus opositores. Ao apoio que o povo português lhe devotou corresponderia, mais justamente, da sua parte, que tivesse silenciado o seu desconforto frente a esporádicas divergências.

 Em Democracia a crítica é indispensável, mesmo com o humor, por vezes sarcástico da genialidade criativa das caricaturas de uma “Contra Informação” ou com as tórridas ironias de um Herman ou de um Gato Fedorento.

Afinal, o espaço da arte, é a liberdade.   

                                       

Maria José Rijo  

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música: Conversas Soltas

publicado por Maria José Rijo às 12:28
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