Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011

Pagina de diário - 1

Este mês de Fevereiro com os dias já sensivelmente maiores e, com a Primavera muito sorrateiramente a esgueirar-se da data de obrigação que o calendário lhe marca e a anunciar-se na claridade de tardes e manhãs e no bafo perfumado da terra, da erva fresca e tenra e das flores do campo…este mês de Fevereiro, já foi dos meus preferidos.

Então, naquela época em que tínhamos uma mimosa no quintal, era uma delícia espreitar o festival de amarelo que nos inundava de encanto com o seu intenso aroma quando em Fevereiro florescia.

Era como que um enorme ramo de flores para cantar parabéns às amigas que faziam anos.

A nove era a Olguinha Violante, a dez a Laura Silvano, a onze a Isabel Roque, a catorze as gémeas Baenas, Cármen e Pilar, a dezasseis a Dinorah Costa, a dezanove a prima Constantina…

Agora, a começar logo em dia um, que marca a perda sem remédio da minha queridíssima sobrinha Beca, em quase todos os dias de Fevereiro, podia citar um nome de outros amigos por quem já só posso rezar.

Também já não tenho a mimosa senão na minha memória…mas, tal como a Primavera as suas flores voltarão em cada ano e, como em cada ano, anunciarão também que logo, logo, as olaias se hão-de vestir de cores vivas como gritos de festa e os lilases, discretos na cor, mas intensos no perfume marcarão presença à beirinha de Abril.

Dei por mim a reviver lembranças ao olhar um retratinho da Maria Amélia Lemos, a Mélia, que junto em saudade à Carolina Varela – as queridas companheiras da Manta Rota com quem pelas noites de “ardentia” íamos passear descalças pela orla do mar a ver as ondas como que incandescentes, do plâncton, a espraiarem-se na areia.

 Recordo as nossas pegadas deixando um rasto fosforescente e a Lili Binger, que vinha da Bélgica todos os anos no Verão, comovida e deslumbrada, a dizer : - Deve ser assim o rasto de Nossa Senhora.

Tudo tão presente e já tão distante.

 Bem disse Santo Agostinho:

“Como podem dizer que morreu quem permanece tão vivo no nosso coração” 

 

  Maria José Rijo

estou: pagina de diário - 1

publicado por Maria José Rijo às 18:28
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8 comentários:
De Aristeu a 16 de Fevereiro de 2011 às 20:56
Minha querida tia
Voltou - que bom.
Gostei muito deste artiguinho - só não queria que
se sentisse triste assim - mas está de Parabens .
E os seus olhos como estão? Espero que esteja
a tratar do assunto tia.
Por aqui vamos andando.
Tudo nornal e calmo. Graças a Deus.
Muitos beijinhos de todos nós
Saudades
Aristeu


De Maria José a 27 de Fevereiro de 2011 às 17:56
Muito querido Aristeu
Pouco tenho sabido de vós nestes últimos tempos.Bem sei que a culpa é minha porque tenho andado como a lua, ou em minguante ou em lua nova... vamos ver se depois de resolvido o problema que me desgasta a paciência, tudo se compõe.
As pessoas quanto mais idosas mais carentes se tornam e mais dificuldade têm em resolver os seus achaques. É o caso.
Mas, cá vamos... Penso resolver tudo aqui "ao lado" sempre fica mais perto de casa.
Depois conto.
Beijinhos e saudades para todos e que tudo de bom vos conforte em cada dia
Um abraçoo grande tia Zé


De GUS a 17 de Fevereiro de 2011 às 15:36
Querida tia
Gostei desta sua primeira folha de diário.
Pequenos apontamentos extraordinários.
E claro, esta sua forma de escrever que é sempre
um prazer ler.
Os meus Parabens por esta iniciativa.
Por favor continue- goste imenso.
E cuide dos olhos - é muito importante.
A vida é isto... esta sua folha de diário é a prova
viva das suas palavras.
Muitos beijinhos tia
Com carinho do seu sobrinho
GUS


De Maria José a 27 de Fevereiro de 2011 às 18:08
Meu querido Gus
Sabe que tenho saudades "daquelas tardes em que nos sentavamos lado a lado ,nessa varanda que eu criei, voltada para a Floresta Negra,naquela casa que eu nunca vi, mas de que conheço de cor todos os cantos,a conversar e a escutar os ruidos da vida que entretanto ia passando?
Então, eu conhecia os seus Amigos, alguns dos seus sonhos, o seu cavalo e, tanta coisa mais que o tornou meu sobrinho.
Agora encontramo-nos muita mais por detrás dos silêncios e fico tempo e tempo esperando ouvir a sua voz
Beijinhos - tia Zé


De Xavier Martins a 17 de Fevereiro de 2011 às 15:39
Hoje tenho que deixar aqui os meus
P A R A B É N S duplamente

Esta folha de diário foi uma agradavel surpresa.
Item novo e bem positivo. Gostei muito e nem mais
a vida é isto - a perda dos nossos amigos e quando
mais para a frente se vai - mais se notam as
ausencias. É bem dificil!

e hoje do Jornal - mais um excelente artigo/receita
e mezinha - gosto desta sua rubrica.

Como vê - não menti - a Senhora está
duplamente de Parabens .

Com amizade

Xavier Martins


De Maria José a 27 de Fevereiro de 2011 às 18:15
Meus Queridos Amigos
Já conto tanto convosco que me apetece marcar-vos falta se não vos encontro por aqui.
E, até me parece certo perguntar-vos: - andam tantas vezes aqui por perto porque não aparecem de verdade?
Um abraço grato e amigo da
Maria josé Rijo


De DOLORES a 18 de Fevereiro de 2011 às 17:51
Olá tiazinha
Finalmente consegui aparecer - agora aqui na casa
nova as coisas são de outra maneira e nem sempre
tenho tempo para vir por aqui.
Sinto muitas saudades - mas as coisas estão-se a
compor - e imagine este fim de semana a magé
vem com os "pais" passar aqui o fim de semana
o que nos deixa tão felizes.
Estou assando o gustavinho - um lindo rosadinho
que já se criou aqui. Deve de estar uma maravilha.
É amanhã para o almoçareco.

sabe que gostei desta sua nova pagina de diário.
Gosto - é mais pequeno e fala um bocadito mais
de si - e assim eu gosto mais.

Cuide-se - gostamos muito de si.
Dolores e Avelino


De Maria José a 27 de Fevereiro de 2011 às 18:23
Meus queridos
Obrigada por me contarem da feliz relação que têm com a nova família da Magé.
Era uma secreta preocupação que eu guardava para mim, o receio de que a perdessem das vossas vidas,
Graças a Deus que assim não é e que essas visitas vos vão adoçando a vida.
Também me deu muita alegria saber-vos noutra casa mais avosso gosto e, ainda com a vantagem de o Avelino criar beleza com as orquidias como ele tanto gosta.
As minhas morreram. Gata e flores, numa casa sem quintal, não resulta...
Beijinhos do coração
Tia Zé


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