Segunda-feira, 7 de Março de 2011

A Gestação das cidades

Jornal Linhas de Elvas

 

Nº 1.837 – 16 de Maio de 1986

CONVERSAS SOLTAS  

A Gestação das Cidades

 

“Na minha aldeia o ambiente familiar, a qualidade, o toque de classe e bom gosto”

Lê-se no cartão bonito, que inesperadamente nos passa pelas mãos. Lê-se, e fica-se a pensar:

-- Tema para uma canção?

-- Segredo dum poema?

-- Tópicos para desenvolver mais um capitulo do romance que nos ocupa?

-- Memória dum programa vasto? – O que será?

Na direcção diz: -- Terrugem.

Vai-se lá ver! E, “de repente no Alentejo” … onde quase vegetava um pequeno aglomerado de casinhas caiadas, pequenas e tradicionais aconchegadas nas cercanias de uma igreja do séc. XVIII erguida sob a invocação de Stº António – aí exactamente, onde o labor ancestral começava e acabava nas tarefas rurais – o milagre aconteceu.

As mãos hábeis dos antigos artesãos de peles ensinaram aos filhos o caminho da indústria – está lá!

O gosto das coisas da terra, o respeito pelo passado, criaram o espaço de convívio, a boa mesa, os locais onde os novos se distraem e os mais velhos confraternizaram – está lá!

Assim, a frase bonita, feita de sugestões, meio promessas, meio negaça, tem no ponto de onde foi enviada – a resposta conveniente.

Lá estão juntos – o canto da esperança – o segredo da força do amor – o capítulo novo da história que se conta – a realidade viva do mundo que se sonha melhor – a nascer do trabalho que o cumpre realizando.

Lá está a semente do passado a reflorir no regaço com que se desbrava um futuro em que se acredita.

 

Numa freguesia – Terrugem – pode aprender-se, como sempre se fez e fará, a gestação das cidades.

Um sonho em que se crê!

Esforços somados!

Uma causa comum!

É assim que a Terrugem avança – vai em frente – se destaca e reforça a sua identidade.

“O ambiente familiar, a qualidade…”

Serão sempre o “Toque de classe” de quem trabalha e, pelo trabalho se honra!

Isso é: “bom gosto” e inteligência.

PARABÉNS!

 

Maria José Rijo

 

estou: A gestação das cidades

publicado por Maria José Rijo às 16:54
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1 comentário:
De xavier Martins a 7 de Março de 2011 às 19:58
Muitos Parabens
Eu pessoalmente até gosto muito do povo da
terrugem e da terrugem.
Um tio de minha mãe era mesmo da terrugem,
embora não tivesse por lá a viver.
Era um trabalhador - no assunto das peles.

Gosto imenso dos seus artigos antigos.
Olhares de outros tempos e que ainda se
adaptam aos tempos de hoje.
Estão sempre actuais.
Adoro isto na sua escrita.
Com muita amizade

Xavier Martins


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