Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

Encontros com o inesperado

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.895 – 3 de JULHO de 1987

A La Minute

Encontros com o Inesperado

 

Gostava de conhecer a criança que respondeu a um inquérito de rádio dizendo que ler um livro na Biblioteca era um bom programa para um dia de férias.

Eu não ouvi. Contaram-me.

Contaram-me e fiquei contente. Gostei de o saber.

Não se vá daqui deduzir que julgo que, isso tem alguma coisa a ver comigo. Não. Não é isso.

E apenas, penso que todos temos que aprender uns com os outros e gostava de conviver com essa criança que tendo gostos afins dos meus, poderia, porventura, ajudar-me a ir ao encontro de outras crianças para que fizessem a descoberta que ela já fez:

-- Ler é bom!

-- Ler é importante!

-- Ler é necessidade!

-- Ler pode ser considerado, também, como um saudável entretenimento.

-- Ler pode até tornar-se um vício.

 

Nesse caso confirma o aforismo que diz:

“Não há regra sem excepção”, pois que, desta vez – o vício – seria virtude.

Saber do depoimento desta criança arreiga no meu espírito, a justiça de certas atitudes que, olhadas apressadamente, quase parecem sem justificação.

Lembro a noticia que li, sobre a criação de uma escola num ponto isolado da costa inglesa, para que os dois filhos do Faroleiro, que estavam em idade escolar, tivessem acesso ao seu direito de aprender. Fora considerado “como crueldade” separa-los dos pais, a quem o dever de profissão obrigava a tal isolamento.

Ergueu-se uma escola para dois alunos.

Não é o caso – mas – posso talvez deduzir que também é justo que mesmo para “poucos” ou “raros” uma biblioteca possa funcionar, ou um programa musical, ou de teatro, ou de qualquer outra matéria, com intenção formativa de qualidade social.

Serei, uma pessoa, entre outros, que, não sendo adepta ao futebol, respeita a promoção que se faz dessa disciplina do desporto.

 Penso, é certo, que esse horizonte foi aberto a outros ramos, eles virão, algum dia, a ocupar também, o lugar a que, porventura, tenha direito. Estou convencida de que canto, bola, dança, teatro, investigação, etc, rtc. … Deveriam ser enquadrados nos programas escolares com o mesmo respeito que merecem a história ou a matemática.

Lamento, sim, que se deixem avolumar algumas coisas de tal forma que elas acabem por encobrir outras também respeitáveis. Da coexistência dos vários sectores dependerá a boa saúde do tecido social.

Apercebi-me agora de que estou “ainda” a continuar uma longa conversa que tive com um interlocutor que, com correcta frontalidade fez a critica que lhe pareceu justa ao meu trabalho, que nalguns sectores muito reprova.

Foi numa tarde quente, amenizada pelo requinte da hospitalidade com que no Hotel D. Luís, nos acolheu a “A Associação Barman de Portugal” – que nos convidara porque ali encerrou um curso de formação.

Foi um convívio agradável e, já gora, confesso que se a critica não teve o sabor do – desejado – me deixou a impressão curiosa de mais um encontro com – o inesperado.

 

Maria José Rijo

estou: A La Minute

publicado por Maria José Rijo às 17:21
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2 comentários:
De Xavier Martins a 16 de Setembro de 2011 às 17:46
Ora muito boa tarde
Que bom ter mais uma A LA Minute para ler.
Que bom que voltou.

Sempre temas excelentes e actuais.
Os meus Parabens e desejos de um Feliz São MAteus.

Com muita amizade e admiração

Xavier MArtins


De GUS a 16 de Setembro de 2011 às 18:20
Minha querida Tia
Desculpe a minha longa ausencia mas tenho estado internado na clinica porque tive um aparatoso
acidente de viação e fiquei muito mal.
Só agora as coisas estão um pouco melhor. Já
regressei a casa e tento recomeçar a minha vida.
Mas isto não está muito bom... mas cá vamos
andando.
Tenho agora tentado ler tudo o que ficou para traz
e ainda é muita coisa MAS e um poeminha para mim??
Não vi nenhum.
Que pena... mas compreendo - a poesia não se
escreve quando queremos mas quando a alma
nos dita algo...

E a tia como está?
E de saude?
Sei que está agora na altura das festas da sua cidade
que achei muito bonita.
Fiquei impressionado com o majestoso Aqueduto -
as imponentes muralhas.
Perguntei pela casa do Antonio SArdinha e lá dei
uma voltinha - mas achei que não estava a ser
aproveitada - o que é uma pena - a casa bem
arranjada e com aquele belissimo jardim poderiam
fazer ali coisas importantes - mostrando aos jovens
e menos jovens o que teria sido a vida do escritor.
Como se vê por tantas localidades e paises.
mas... aqui é assim...
Tive pena de a não ter encontrado mas teria de ser
assim - Resolvi ir de camioneta porque achei que
não deveria conduzir e o tempo da chegada à
partida (da camioneta) dava perfeitamente para
estar consigo um bom bocado.
Deveria te-la prevenido mas a minha partida foi
inesperada e so me lembrei que poderia procura-la
já em lisboa.
Coisas... desencontros...
Minha tia espero não a ter desapontado muito mas
prometo que se mais alguma vez voltar a Elvas
vou preveni-la.

Que tenha um Bom São Mateus
Beijinhos também para a sua Mana

GUS


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