Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011

Valha a verdade...

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1975 – 27 de Janeiro de 1989

VALHA A VERDADE

 

Gosto de escrever, gosto! - Confesso!

Porém escrever, nem sempre me é fácil.

Muitas vezes, ou pelo menos algumas vezes, é-me difícil superar preocupações ou mágoas latentes no meu espírito, para falar de coisas que não envolvam, emocionalmente, quem lê estes apontamentos, em problemas a que são alheios.

Não me furto a falar de tristezas ou assuntos dolorosos, desde que eles possam ser postos de molde a ser ponto de reflexão, que me pareça justo ou útil ser considerado por todos.

Quero dizer, com este preâmbulo, que hoje é um desses dias difíceis para encontrar um ângulo certo, por onde descortinar o sol – que brilha – porque está lá – (está sempre lá no lugar) mesmo quando as nuvens se amontoam, e eu não quero? – Ou não posso? – Ou Desisto? – Ou, sei lá … se me apetece ainda sacudi-las e lutar.

Mas… adiante! Só eu poderei decidir!

Acompanhei, tanto quanto me foi possível, a “Jornada da Pastoral da Saúde de Elvas”.

Cada qual, do que ouve e vê, tira as ilações que pode, conforme a sua formação, as suas tendências, e a sua capacidade de reflectir.

Previa-se um debate final (que em verdade não aconteceu) houve apenas 3 ou 4 depoimentos, que, embora com interesse, não fizerem mais do que o ponto da situação das condições e esperanças locais – o que provocando aplauso geral, não provocou, como é obvio, confronto de ideias.

Também me calei.

Estou, como já confessei – na fase de:talvez, afinal, não valha a pena.

Noutra altura, teria lutado “por minha dama” e teria perguntado se tudo quanto foi dito (e de que meneira!) não cabe também no âmbito da cultura. Sendo esta o reflexo de uma “certa maneira” de estar entre os outros, com todo o respeito que isso implica de atenção a pessoas e coisas – uma Jornada da Pastoral de Saúde, ao sublinhar regras de comportamento humanizadoras, proclama a defesa dos direitos humanos (os tais mandamentos) e regras de civilidade que integram,

forçosamente, a Cultura – “O como ser” – e “ O como estar” de um povo. Ao defender a profilaxia da doença, que se reconhece bastas vezes, ser reflexo de doença moral – ao filiar doenças morais

em carências afectivas e solidão, está apelando à criatividade – a actividades que dêm  à pessoa humana a consciência de se sentir útil, necessária, activa e interveniente na sociedade que a envolve.

Ao criar uma escola uma banda, um rancho, um coral, um grupo de teatro, e outras formas de convívio que empenhem pessoas ou grupos, também se está a colaborar numa Pastoral de Saúde.

… Mas não perguntei…

Nem perguntei àquele Homem impressionantemente inteligente, culto e afável com um sentido de “O outro” quase comovente – se sabe o que é a dúvida.

De qualquer modo o seu discurso encantou-me tanto como me “incomodou” – valha a verdade!

 

Maria José Rijo


publicado por Maria José Rijo às 16:23
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1 comentário:
De Xavier MArtins a 20 de Outubro de 2011 às 21:19
D. maria José
estou de volta e com a bengalinha no coração mas
cá estamos...
Sinto-me bem e já nem me canso tanto.
Agora estou na Guarda na casa de uns amigos.
Preciso de muito repouso e eles convidaram-nos
e cá estamos.
isto aqui é muito bonito e muito calmo.
Hora do repouso...

Vou estar por aqui mas sempre atento ao seu
blog.
Gostei imenso das novidades - de todos os
posts que não tinha visto.
Os meus Parabens por que estão lindos.
Tens umas sobrinhas maravilhosas.

Um grande abraço
e continuação de boa saude

com muita amizade e admiração

Xavier Martins


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