Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

APELO ÀS ORIGENS

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.976 – 3 de Fevereiro de 1989

A Lá Minute

APELO ÀS ORIGENS

 

O excesso de técnica tem distanciado o homem da prática de usos e costumes ancestrais que o ligavam ao meio ambiente, como um cordão umbilical liga mãe e filho.

São agora as fábricas que produzem as quantidades industriais de tudo quanto sustenta, a sôfrega e insaciável sociedade de consumo para que fomos evoluindo e nos escraviza.

Espartilhado entre a máquina e o relógio, na cadeia de produção e montagem da fábrica, que para ser rentável lhe exige um procedimento quase tão automatico como se peça de engrenagem fora – o Homem – desumaniza-se. Perde-se da relação viva com o meio, perde-se do gozo telúrico de caminhar sobre a terra, perde-se da espontaneidade de expressar, pelo canto, a alegria, perde-se do tempo de meditar, perde-se do jeito do silencio em que se pensa, sonha e cria… perde-se de si próprio, perde-se da sua condição de homem e corre - e corre … e corre atrás do que lhe é imposto pela sociedade de consumo, que o comanda e estrangula. Esquece, ou nem chega a conhecer, valores verdadeiros, e transfere para falsos ídolos os seus anseios.

Faz da compra do sofá, do carro, da máquina, do casaco de peles para a mulher, da motorizada para o filho, do gira-discos e do computador e do mais não sei quê, ou não sei quantos, a meta da sua existência.

Da televisão, que espreita, à noite, nos intervalos do sono do cansaço que o vence, enche-se de anúncios e mitos que lhe impingem miragens enganosas como a maçã lustrosa do conto da Branca de Neve que bastava morder para se ficar envenenado de morte.

Talvez que por tanto excesso comece a aparecer no fundo das consciências, rompendo o torpor, uma procura de autenticidade que possa anunciar uma certa redenção.

Talvez porque a todos é impossível um recomeço, a todo seja possível um repensar da vida. Talvez que um pouco por toda a parte se comece a equacionar o problema das doses justas, do que foi inevitável e do que o não foi; do que foi apenas, e só, desnecessário e nocivo.

Alguma coisa parece indiciar a consciência, nem sempre ainda reflectida, de que viver não é correr atrás do lucro, da fama, da aparência ou valores afins.

Alguma coisa parece indiciar que na procura de, “como era” ou “como foi” – está envolvido o compromisso de deixar às novas gerações as pistas limpas que lhe permitem o dom de escolher caminhos distintos dos nossos.

Quando se procura e compra a colher de pau tosca, talhada à mão com a enxó, mas ainda com “feições” do pinheiro de que descende, e se deixam na prateleira as outras polidas e impecáveis que a máquina fez aos centos, iguaizinhas, alguma coisa me diz que, até nisso, há um certo apelo às origens, em que não faz mal a ninguém meditar com seriedade.

 

Maria José Rijo

 


publicado por Maria José Rijo às 21:51
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