Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

- BOLA -

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.943 – 3 de Junho de 1988

A La Minute

BOLA

 

Também eu vi o Veloso “chutar” a taça para os holandeses.

Não restam duvidas de que, mesmo quem, como eu, nada percebe de futebol, acaba em circunstancias destas, aderindo com interesse ao espectáculo. Milhares e milhares de pessoas, enchendo um estádio, a vibrar de entusiasmo, a roer as unhas de enervamento, querendo e temendo

Luca Toni

olhar – como o Toni durante a marcação das penalidades – milhares e milhares de pessoas, unidas e divididas pelo desejo de ver ganhar estes ou aqueles – milhares e milhares de pessoas a gritar de gáudio ou de raiva, eufóricos ou desalentados, com os sentidos presos do que vêm os olhos atentos que rolam nas orbitas, seguindo a bola como a equipa no campo – não é acontecimento para desprezar.

Se pensarmos que em quase todas as casas de todos os países, para onde a televisão transmite estes desafios, há gente igualmente atenta e absorvida pelo comportamento dos clubes que se defrontam – se o pensarmos – então sentiremos, como alguma preocupação, a força que tem o futebol para sintonizar milhões de pessoas no mesmo acontecimento – um jogo de bola.

Daí que, por força de tal envolvimento colectivo, nasçam as confusões, e os relatos futebolísticos e as tricas de clubes, apareçam a publico empoladas e tratadas como acontecimentos de que dependessem a dignidade dos povos.

 

Quere-me parecer que já era tempo de dar definitivamente a estas coisas o seu espaço próprio e de aceitar que, mais do que perder ou ganhar – o que tem que ver com a dignidade – é a dignidade – e essa, testemunha-se na vitória, na derrota e também na maneira como se relatam os acontecimentos.

 

A meu ver, também não é abonatório ao comportamento equilibrado, que se deseja em quaisquer circunstâncias, que algumas pessoas ligadas ao desporto apareçam a falar dele com o ar de quem discute vida e morte.

Também não se me afigura certo que logo à transmissão directa de um jogo se voltem a emitir – de imediato – fragmentos desse mesmo acontecimento, sabendo-se que para tal há rubricas da especialidade, onde tudo é, de forma exaustiva, esmiuçado até ao átomo ou à sua desintegração.

É destes exageros que a gente se queixa, e ou é mercê deles que se canalizam as atenções gerais – excessivamente – para áreas determinadas.

Quando os factos são mesmo sérios, como transplantes de órgãos e outras coisas assim, às vezes nos ecrans, um médico, jovem ainda (como são os desportistas) – com um sorriso tímido de criança e uma modesta e simplicidade que tocam o coração do mais desatento. Então, sem parangonas, dramatizações de faca e alguidar ou histerismo – quase como se nada se tratasse – fala de esperança para a humanidade, serenamente e com o respeito que integra – de verdade – dignidade e vida.

 

Maria José Rijo


publicado por Maria José Rijo às 23:07
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1 comentário:
De Xavier Martins a 2 de Dezembro de 2011 às 23:11
... e eu tb vi ...
Claro - não perco nenhum jogo!
Concordo com a sua visão. Realmente tudo isto
é levado ao impossivel - embora eu goste de ver
futebol - mas compreendo perfeitamente.
Mais uma vez estamos de acordo.

Cuidado com o frio . - Diz a minha mulher.

Cumprimentos
Xavier MArtins


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