Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

Pagina de diário - 5

Pagina de diário – 5

Janeiro de 2012

 

Ao longo destes últimos meses, e, não foram tão poucos como teria sido desejável, para fingir que não estava desocupada e que não eram de todo inúteis os meus dias inventei uma série de tarefas daquelas que, quer se executem, quer não, ninguém dá por elas, salvo quem as promove.

Foi assim que inventariei livros, li, reli, e fui destruindo, ou não, correspondência arquivada ou meio esquecida. Cataloguei postais, fotografias, enfim, exerci uma actividade que eu bem sabia ser de fachada, mas que, confesso honestamente resultou eficaz sobre uma certa desordem que, havia muito, me incomodava, pois sempre que olhava para o meu baú da papelada, que até é bonitinho, pensava para mim - por fora cordas de viola, por dentro pão bolorento… 

Como era previsível este compulsar de recordações foi uma espécie de viagem de funâmbulo sempre a balouçar na corda bamba do sentimentalismo mais ou menos piegas mas, lá fui prosseguindo e, valeu a pena porque fui encontrando pequenas pistas de histórias que o coração foi guardando nas sombras do tempo e a memória há muito que não as iluminava.

 

Assim que, ao guardar algumas cartas ainda dispersas me detive a olhar enternecida as rosas que a Matilde quase sempre desenhava como se fossem parte da sua assinatura – Matilde -Rosa-Araújo…vai daí surgiu-me a lembrança de Sebastião da Gama cujos pais conheci por seu intermédio naqueles anos em que meu marido e eu por deita cá aquela palha nos refugiávamos na Estalagem do Portinho da Arrábida.

Os pais de Sebastião (donos da estalagem) vinham por norma tomar café após o almoço na nossa companhia. Sua Mãe confortava-se revivendo episódios da infância do filho que eu escutava deliciada, e, um certo dia, levou para me mostrar um pequeno caderno escrito com letra de criança.

Contou-me então que Sebastião desde muito pequeno cultivava um grande amor à pátria, a tal ponto que aí pelos seus oito, nove anos, desejou escrever uma história de Portugal em verso.

Ouvi, atenta e comovida aqueles “lusíadas” nascidos da alma do

menino que havia de vir a ser um dos grandes Poetas da língua portuguesa e ainda hoje me faz sorrir deliciada a ingenuidade de alguns versos que, então, fixei               

“ D. Manuel, o cagarola, fugiu para a Ericeira aos primeiros tiros de pistola”

Sebastião havia partido em 7 de Fevereiro de 1952 – estes encontros foram poucos anos depois.

 

                          Maria José Rijo

 

estou: pagina de diário 5

publicado por Maria José Rijo às 13:33
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6 comentários:
De Xavier Martins a 24 de Janeiro de 2012 às 19:11
Minha amiga
Muito boa esta sua pagina de diário.
Gosto muito deste tipo de artiguinho.
Os meus Parabens

Com admiração
Xavier MArtins


De GUS a 24 de Janeiro de 2012 às 20:34
LINDO
Adoro estas paginas de diário.
Matilde Rosa Araujo -sua amiga - que maravilha!
E Sebastião da Gama - seus amigos.
Fico contente por saber e conhecer as suas
amizades.
Parabens Tia e muito obrigado pela partilha.
Gosto muito de si

GUS


De Xavier Martins a 29 de Janeiro de 2012 às 17:24
Olá...
Passei para ver de novidades...
e desejar um resto de bom domingo...
... está muito frio...

Com um abraço
Xavier Martins


De Aristeu a 29 de Janeiro de 2012 às 17:26
Minha querida Tia
Venho deixar um grande beijinho de Parabens
porque eu adoro as suas paginas de diário.
Beijinhos
e a tia está bem?
tenha cuidado com os frios de Janeiro.

Aristeu


De K I K O a 29 de Janeiro de 2012 às 17:27
Ah a tia era amiga da escritora
Matilde Rosa Araujo.
Esou muito contente com isso .
Beijinhos

A tia é Lindaaaaaaaaaaaaaaaa


KIKO
I K O
KIKO
O


De eva a 29 de Janeiro de 2012 às 19:16
Maria José – desculpe usar o seu nome com esta ligeireza mas, como penso já lhe ter dito, este nome tem um significado muito especial para mim e sabe -me bem pronunciá-lo – antes de mais, agradeço-lhe do coração as palavras tão queridas que me dirigiu. Quanto ao seu blog tem vários encantos e não vou conseguir lembrar-me de todos. Quando o descobri, e de imediato, foi a qualidade da escrita. Uma prosa em português escorreito, límpida e florida em que nos apetece descansar qual jardim de palavras. De seguida, uma concepção do mundo e um modo de estar na vida com que me identifico plenamente. Depois, uma sensibilidade, um carinho, uma comovente ternura para com tudo o que a rodeia e com todos os seres. E como deixar de fora a aguda perspicácia das suas análises, a afirmação cortante, e constante, dos valores que deviam ser universais? E tanto mais poderia dizer das razões que tornam o blog de Maria José Rijo uma leitura obrigatória. Já não é a primeira nem a segunda vez que escolho frases suas para ilustrar a reflexão mensal do meu blog. A Maria José consegue sintetizar exemplarmente conceitos com os quais os filósofos enchem páginas. Como o comentário vai longo, resgato uma das suas frases «Há momentos na vida em que todas as palavras sobram e nenhumas chegam» para lhe dizer que as minhas palavras não honram a ternura que tenho pela senhora e que me é muito, muito querida.
Bem haja e muito obrigada! Por tudo!

PS - A Maria José é daquelas pessoas que, conhecendo a palavra desistir, se recusa a conceder-lhe uma vitória. Para bem de todos nós!


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