Sexta-feira, 9 de Março de 2012

Ponto de Partida - VI Emissão

.

Ora acontece que ao querer hoje trazer aqui à conversa poemas do Conde de Monsaráz

 que como se sabe era filho duma ilustre família alentejana me recordei que há mais de 30 anos

quando morava na rua de Olivença presenciei uma história engraçada.

 

Durante algum tempo todas as tardes, mais ou menos à mesma hora um rapagão fardado de
soldado entrava na “Travessa das Pardelhas” a assobiar a mesma cantiga.
Caminhava devagarinho e, depois começava a trautear:

 

A flor do carapeto

Tenho eu na minha horta

Pede à tua mãe com “jêto”

Para falares comigo á porta

 

Invariavelmente a rapariga visada assomava à janela com um sorriso aberto de orelha a orelha mas,
não o olhava – antes fingia não o ver, recolhia-se e, já de dentro de casa
respondia cantando na mesma música:

 

Minha vida são castanhas

Cozidas num alguidar

Já conheço as tuas manhas

Não me venhas enganar.

 

Não sei se deste
ingénuo esboço de namorico ensaiado a cantar com quadras populares onde a
poesia sempre, mais ou menos mora, saiu alguma coisa mais do que a prova
evidente da anedota que se contava naqueles tempos de namoros à antiga.

-- O que faz um “magalinha” debaixo da janela?

-- Namora a sopeira!...

 

Não sei, nem é preciso saber!

 

Sei que quase todos os rapazes que então faziam a tropa como soldados eram trabalhadores rurais.
Eram homens como esses outros que naqueles anos de 1852 a 1913 – que foi quando viveu o

Conde de Monsaraz -- o inspiraram.

Assim nos deixou recortadas na sua poesia parnasiana figuras, situações e paisagens que são de
todos os tempos aqui no Alentejo. Senão vejamos títulos de poemas seus:

. “As mondadeiras”

.. “o semeador”

.. “o cavador”

..”no monte”

.”os bois”   , etc etc.

 

Vou ler por exemplo o cavador:

 

Sol-posto. Enxada ao ombro, para aldeia

Volta da cava, taciturno e lento,

O velho cavador. No espaço anseia.

Uma angústia febril, na ânsia do vento...

Vem morto de fadiga e sofrimento;

Cai na vasta paisagem que o rodeia

Frio e noite; Vão dar-lhe paz e alento

A mulher andrajosa e a magra ceia:

           

Comem ambos agora ao pé do lume...

Toda a sua ventura se resume

Na comunhão dessa hora benfazeja.

          

A mulher, finda a ceia, num conforto,

“ Louvado seja Deus”, murmura, e absorto,

Responde o cavador: “ Louvado seja!”       

           

Claro que não vou aqui prender-me com explicações sobre Parnaso – que era afinal

um monte da Antiga Grécia consagrado a Apolo e ás musas.

Todos mais ou menos têm ideia de que as musas eram deusas que sob o mando de

Apolo presidiam às ciências e às artes inspirando os poetas.

De Parnaso deriva a designação de parnasiana dada à poesia que acima de tudo

procurava a perfeição da forma, a descrição correcta. Depois disto, que mais poderia

eu dizer? - Que este movimento surgiu como reacção ao lirismo romântico – que como se deduz o
antecedeu? – Mas, eu sou apenas uma dona de casa – falando para pessoas com
interesses prementes do dia a dia iguais aos meus e portanto só poderia tratar
estes assuntos pela rama – como desde logo preveni.

E, se é verdade que estou aqui para falar de livros isso deve-se apenas –

a ser esse um vício que tenho e frontalmente confesso.

Se para alguém isto parecer doença... melhor fora que se deixe contagiar –

que esta doença não mata...

Um livro lê-se e relê-se todas as vezes que se quiser... um cigarro só se fuma uma vez e
fica a fazer mal todo o tempo que um livro dura – uma vida.

Já li que alguém dissera:

Ler é o mais belo vício do mundo!”

 

Para quê então perdermos a oportunidade de ser um “mais qualquer coisa” – nesta era de
competições?”

 Vou então ler:

 

Tragédia Rústica do Conde de Monsaraz:

 

Quando o sino batia

As doze badaladas do meio-dia,

O trabalho parava.

E todo o bom católico rezava,

De cabeça inclinada e olhos no chão,

Um Padre-Nosso e uma Ave-Maria,

Com o chapéu na mão.

Logo a seguir comia.

Avidamente, esvaziando o tarro,

O seu magro jantar;

E  estendendo-se ao pé duma azinheira

Petiscava o fuzil na pederneira,

Acendia um cigarro

E punha-se a fumar.

Naquele dia um dos ganhões – o Grenha,

Ao largar o trabalho,

Sem rezar nem comer,

Toma por um atalho,

Que atravessa o montado e que vai ter

À ribeira da Azenha,

Onde lava a Rosária, essa magana,

Que ele ama e que o engana.

 

O dia está soalheiro

E as árvores parece

Que a natureza, que as despiu primeiro,

Agora tem dó e as aquece.

 

Pelas terras lavradas,

À cata das minhocas indolentes,

Saltam subtis, contentes,

Debicando, as arvéolas delicadas.

 

Do azul sereno sobre os olivais

Caprichosas revoadas

De tordos zorzais.

Baixam, de quando em quando,

Famintos, à procura

Da azeitona madura.

 

O Grenha vai nervosamente andando,

Sem saber ao que vai:

Vai, porque se não for

Falta-lhe o ar, e o coração no peito

Rebenta-lhe de dor.

 

--- “O mal que esta maluca me tem feito

Para me desgraçar!

Como um cachorro andei-lhe sempre ao jeito.

Que eu não via outra luz,

Nem tinha outro pensar...

Engana-me e despreza-me e – Jesus! –

Talvez que eu vá morrer numa cadeia,

Mas há-de-mo pagar!”

 

A ribeira vai cheia,

Nos penhascos do açude,

Choram as quedas d’água

Alguma oculta mágoa

Num choro aflito e rude.

Enche os campos de paz e de saúde

O sol, que alegra os choupos e as sobreiras,

E aquece os braços hirtos

Das faias altaneiras

Que, entre moitas de loendros

E grandes tufos de juncais e mirtos,

À margem se perfilam das ribeiras.

 

Em parte alguma vejo

Dias lindos como estes do Alentejo!

Que frescura, que graça, que abundância!

Enche a gente os pulmões de ar puro e leve,

Contemplando a distância,

Nos largos horizontes,

A crista azul das rochas e dos montes.

 

Mas todo o sol que em jorros

A natureza inunda,

Entre nuvens se apaga

Na alma do ganhão

Onde erra, vagabunda,

Ao vento e à chuva duma noite aziaga,

Como um pássaro bêbado, a razão!

 

Junto ao pego da Enguia,

Braços
nus, chapinhando

À flor da água corrente,

Numa clara alegria.

Que a voz confirma e o rosto não desmente,

Lava
a roupa cantando

A Rosária, e ao vê-la,

Ninguém parece mais feliz do que ela.

 

É uma forte e guapa mocetona:

Morena, tranças pretas,

Olhos cor de azeitona,

Travessos, sobre a boca apetitosa,

Negro par de cativas borboletas

Quase a poisar nas folhas duma rosa,

Amplos quadris e os peitos,

Fartos
de andar sujeitos

Num comprimido arfar,

Lembram, sob as roupinhas entreabertas,

Duas lebres elásticas, espertas

E prestes a saltar!

 

E canta:

“Não há pecado

Que não tenha absolvição;

As
nódoas na roupa branca

Vão-se com água e sabão…

 

Quando me abraças de noite,

Os teus braços, meu amor,

Se os abres eu sinto frio,

Se os fechas tenho calor!”.

 

-- “E o diabo ainda o confessa!”

Ruge a tremer o Grenha.

Ela volta a cabeça

E ao vê-lo descomposto, a voz rouquenha,

O olhar ferindo lume

De raiva e de ciúme,

Pálido, atrás das silvas, indignada.

Batendo a roupa donde a espuma salta,

Murmura: --“ Inda outra vez este marmanjo!

Não me larga… É demais! Eu já te arranjo!”

E canta em voz mais alta:

 

Eu tenho-te ódio de morte;

Mas rezo-te um Padre-Nosso

Se te atirares ao pego

Com uma pedra ao pescoço.

 

“O meu rapaz é valente,

Olha lá se o descompões…

Nossa Senhora me livre

De malteses e ganhões.”

 

O Grenha cerra os punhos, range os dentes,

É um homem perdido,

Corre doido. Entrementes,

Rosaria  põe -se em pé e ameaçadora

Diz-lhe: --“ Toma sentido,

Deixa-me, vai-te embora…

Olha que eu grito!”-

-Grita alma danada! –

 

Ruge o feroz Grenha. --- Não há nada

Que nos possa salvar. Agora és minha,

De mais ninguém!” E agarrando-a com força,

Como um lobo a cevar-se numa corça,

Aperta-a, morde-a bestialmente, e ela

Luta, procura desprender-se, brame

Num desespero horrível, braço a braço,

Peito a peito, espumante… Mas o infame,

Sentindo-lhe o cansaço,

Num derradeiro impulso hercúleo, cego,

Ergue-a e atira-se com ela ao pego.

………………………………………….

 

É sol-posto. Os montados

Carregam-se de sombra. A tarde esfria.

Vão, lentamente, recolhendo os gados.

No religioso declinar do dia

Tomam as coisas lúgubres aspectos,,

E à vaga meia-luz

Contorcem-se no ar os esqueletos

Dos arvoredos nus.

Soam pelos atalhos

Cães a ladrar, balidos e chocalhos

Num concerto monótono de ruídos,

Que entre as formas, as cores, os aromas

E a paz da natureza,

Enchem de unção lânguida tristeza

A alma e os sentidos.

…........................................................

 

Na Ribeira da Azenha,

À flor do pego, unidos e pasmados,

Bóiam dois corpos hirtos, agarrados:

É a Rosária e o Grenha.

 

…..................................

 

Como se vê um poema pode tratar de um qualquer assunto. Pode contar uma triste
história de amor como este. Pode falar de coisas completamente diversas.

Um poema, um artigo de jornal, um livro são um desafio à nossa curiosidade
saudável. Ao nosso interesse pela vida, pelo mundo.

Porquê então tanta cerimónia para tocar um livro, lê-lo, entendê-lo, quase me apetece
dizer: - prová-lo ?

Porquê?

Quando o Michel aparece na televisão com uma receita nova – está apenas propondo que
se tratem de maneira diferente materiais que conhecemos – que são o pão-nosso
de cada dia. No entanto as pessoas tentam-se, experimentam, imaginam,
interessam-se: -- a que saberá?

--
Que gosto terá? – E querem provar!

Afinal o pensamento da gente também precisa ser confortado com ideias novas, emoções
diferentes. – Isto é verdade!

Um livro propõe sempre – tenta sempre também uma maneira nova de tratar, de olhar
a vida de cada dia.

Escolhê-lo também pode divertir, emocionar, fazer pensar: -- Como será? – Gostarei? Com
que se poderá comparar?

É como provar um tempero novo, doce? Amargo? Picante? Estranho?

Nos Açores a minha “empregada e amiga” dizia sempre referindo a pimenta em grão:
Pimenta do Reino.

E, ou fosse pela novidade da designação ou pelo mar que nos cingia,
agora encontro naquelas bolinhas pretas e feias que deixam na comida um vago

perfume e um sabor picante uma sugestão de caravelas, descobrimentos, mistérios da
Índia, naufrágios, piratas e aventuras. Até acho que perfumam mais e picam menos…

Bem!
Em poesia isto não seria parnasiano.

Fantasiar tudo isto sobre a realidade prosaica que é ter numa cozinha um punhado de grãos
de pimenta – é muita imaginação? Romantismo?

Admitindo que sim! – o que será então ter uma posta de bacalhau que não chega para uma
pessoa e transforma-la num farto almoço para seis, fazendo-a aparecer na mesa
como fofas pataniscas a rodear a travessa de feijão frade cozido que até parece
um salão de festas em dia de Carnaval – tão salpicadinho vai com o último ovo
que havia em casa, mais a salsinha verde e a cebola branca e transparente ?

Ah!
Isso é saber cuidar da família? É ser dona de casa?

Confessemos nesse caso que não há, hoje, nada para que seja preciso ter mais romântica
imaginação?

 

 

 

 Maria José Rijo

 

 


publicado por Maria José Rijo às 18:42
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3 comentários:
De GUS a 9 de Março de 2012 às 19:17
ÍCARO
É um belissimo nome.
Boa escolha minha tia.
Eternamente grato. O meu novo cavalo será o Icaro.

...--


E este VI emissão - é mesmo muito bom.
Adoro o Conde de Monsaráz. A minha avó
sabia as poesias dele e contava-me como
contos para dormir.
Sabia imensos poemas e talvez seja daí esse
meu amor pela poesia.

Gosto mesmo destas emissões - agora que já
sei como é esta estou desejando a
próxima.

Obrigado minha tia querida.
Adoro o seu blog

beijinhos e bom fim de semana.
Ah lembrei-me agora e a tia Maria Barbara??
Nunca mais me lembrei de perguntar, peço
desculpa.
Se lhe falar dei-me muitos beijinhos.
beijinhos para as duas
do vosso sobrinho

GUS


De Augustra Silva Torres a 9 de Março de 2012 às 19:32
Minha boa amiga
Que saudades me trouxe hoje - sabe que o meu
irmão Zacarias, adorava o Conde de Monsaraz?
É verdade - ele aprendeu com um tio nosso do
Alentejo - o Tio Manuel Elias irmão gémio do
Elias Manuel - já reparou nestes nomes? iguais e
diferentes. O meu avó tinha destas coisas.
Mas eles sabiam tudo e repetiam e faziam
teatrinhos e acrescentavam pontos... sabe o
que quero dizer...
Bom mas eles recitavam até em festas.

Sabe que este programa é lindo e é uma
pena estar só no papel.
As radios deveriam te-lo no ar.

Ai minha amiga e o que diz a este tempo
que nem chove.
Que tempo estranho!!!


Minha amiga que tenha um bom fim de semana
e não fique em casa - vá passear que assim a
vida fica bem mais linda.
Eu amanhã vou para Paris com o meu filho
mas volto segunda.
Um grande beijinho


Augusta Silva Torres


De Xavier Martins a 10 de Março de 2012 às 11:22
Excelente!
Magnifico!
O Conde de Monsaraz dito por si é uma maravilha
Adorei ouvir e nunca mais me esqueci.
Parabens D. MAria José - desculpe eu me estar
sempre a repetir MAS este é sem sombra de
duvidas um BOM programa de Rádio cuja escolha
de poetas é e só pode ser de quem tem muita
bagagem cultural e de poesia.
Parabens e bom fim de semana

Um abraço e estou de partida para o monte de um
amigo - para passar o fim de semana é que neste
momento já está calor.

Um abraço
XAvier Martins


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Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

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