Sexta-feira, 15 de Junho de 2012

Porque será ?

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.998 – 7 de Julho de 1989

A La Minute

PORQUE SERÁ?

 

Entrou na moda, de há uns tempos para cá, afirmar-se à boca cheia que de Elvas se não faz promoção turística.

Vou ouvindo, vou sorrindo, mas desta vez…

Elvas não está integrada em nenhuma região de Turismo.

Essa foi uma posição assumida há muitos anos que foi firmemente defendida ao longo de todos eles, e neste momento, se bem que olhada de certos ângulos ainda seja defensável, já é discutível ou alterável.

Elvas, não é mais uma cidade, ou mais um concelho a enquadrar numa região turística.

Elvas é Elvas!

Elvas é impar. Tem características próprias e tão peculiares que “arregimentá-la” com A ou B não pode ser obrigação de tendência, ou de interesse imediato, mas acto de consciência bem pensado.

Elvas é tão diferente que ideal seria que fosse pólo criador de uma micro-região”.

Elvas está para as outras cidades como a Serra de Estrela para as outras serras.

Só quem não sentir a subtileza da diferença pode pensar em defini-la apressadamente com um rótulo que lhe permita ter o nome catalogado numa “ementa” convencional.

Mas… adianta!

O que porém é um facto iniludível é que esta situação não tem obstado a que, de Elvas se tenha feito e faça promoção turística.

Senão vejamos:

Saberão que a “nossas” rendas de papel voaram na TAP mundo fora?

Saberão que estiveram presentes, com artesã ao vivo, numa feira internacional na Alemanha, que foram convidadas para ir à Suécia e que da Austrália nos foram pedidos elementos sobre elas?

Saberão o que se falou dos postais antigos de Elvas e “ex-votos” e que os postais de gastronomia nos foram solicitados da Dinamarca e do Consulado de Luxemburgo?

Saberão dos programas de rádio e televisão em que foram presentes e falados, e do espaço que lhe dispensou toda a imprensa com reprodução de textos e fotografias?

Lembrarão os programas de televisão “Faca e Garfo”?

Terão esquecido as exposições internacionais de Canicultura e a exposição de Canários? – Programas desportivos, o regresso de “O Elvas” à primeira divisão? – As maratonas? – As edições da Volta ao Alentejo em Bicicleta? – O Dia Mundial da Música? – As edições culturais? – A presença de pavilhões nas feiras de Santarém e Lagoa com entrevistas aos artesãos via rádio, e notícias e fotografias em jornais?

Noticiários na televisão sobre o 14 de Janeiro, Presépios, Concertos? – O Coral em Faro e duas vezes na televisão em fundo de programas, além de convite que já lhe foi feito para participar, este ano, na Figueira da Foz, também nas Comemorações Nacionais do Dia Mundial da Música? – Artesãos em estúdio na televisão? – Entrevistas na imprensa e na televisão a responsáveis autárquicos e outros?

A repercussão das visitas ministeriais com referencias aos empreendimentos turísticos da região? – As “Jornadas de Desenvolvimento Agrícola e Industrial e Criação de Emprego”? – As longas

reportagens sobre a nossa cidade? – A visita Presidencial? – A edição fac-similada do Cancioneiro da Públia Hortênsia? – A edição para breve, do estudo de dois pergaminhos musicais do séc. XV, existentes na nossa Biblioteca, pelo professor Gil Miranda docente numa Universidade dos Estados Unidos.

Claro que ninguém chama a si o exclusivo destas acções e da projecçãomas o que não é discutível é que elas aconteceram também porque lhes foram criadas as necessárias condições.

De tal modo, que se pode afirmar que nestes últimos três anos se terá falado mais de Elvas do que nos últimos trinta.

 

Maria José Rijo

 


publicado por Maria José Rijo às 14:39
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