Segunda-feira, 25 de Junho de 2012

O MELHOR DO MUNDO

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.045 – 1 de Junho de 1990

A La Minute

O MELHOR DO MUNDO

 

Deveres de profissão retinham em Angra – nos Açores – o chefe daquela família, no Natal de 80.

A mulher, aproveitando as férias dos pequenos, não resistiu ao apelo do coração, meteu-se com os
filhos num avião e, lá foi, deixando a segurança da sua cidade de Guimarães, onde, com pais, tios e

parentes, costumavam cumprir em cada ano rituais e tradições a que se habituara desde criança, na

casa de família. Apareceram-nos, no “Pico da Urze”, onde morávamos, ao fim da tarde, no dia da chegada.

Felizes pelo reencontro, contava-lhes nos olhos a alegria de se reverem e enumeravam, na
conversa, as mil pequenas coisas de que se privariam, mas que voluntariamente tinham trocado pelo calor do abraço de amor e ternura que os unia.

Tocados por aquele afecto, quase palpável, embora acabasse de os conhecer, ofereci espontaneamente, que passassem  a consoada connosco e, logo ali, combinamos fazer o possível para que os dois rapazinhos (filhos do casal) não sentissem a falta dos mimos a que estavam habituados. Passados uns instantes em que se entreolham surpreendidos, aceitaram com alegria, e quando, a seu tempo, a “faina” começou, percebi que a ganhadora fora eu pois, ao ver, a

 iria acontecer. Natais, que ficam na lembrança como marcos na vida de grandes e pequenos.

Às “nossas” azevias e nógados, juntaram-se as rabanadas, a aletria doce, os formigos e tudo o mais
que – à moda do Minho – a minha nova amiga foi fazendo com requintada sabedoria.

Os Açores – terra hospedeira – foram representados pela massa sovada e pelo bolo de frutos secos,
com especiarias e mel de cana; para honrar a minha costela algarvia – fizeram-se pasteis de batata doce e Dom Rodrigos.

Orgulhosas dos “nossos feitos”, frente a tentações de tal quilate, fomos chamar até nós, uma família
de madeirenses amigos, também por lá deslocados e a confraternização aconteceu.

Poucos dias volvidos, a vida chamou cada qual ao seu destino por caminhos diversos e todos nos
separamos.

Agora, 10 anos passados, procura-nos um homem novo e desempoeirado, que nos abraça e beija
afectuosamente, dizendo com naturalidade: - passei convosco “aquele” Natal nos Açores – mas, afirmando-o  como quem reivindica um forte e grato parentesco. Foi a festa!

Cruzados de novo, por momentos, nossos passos, nesta caminhada da vida – lá partiu, subindo o monte que eu desço – abraçado à noiva, que com ele viera, para também nos conhecer.

No cartão de visita que nos deixou, a seguir ao nome lê-se: - economista e a sigla da importante
empresa onde trabalha.

Foi notável como estudante. Tem apenas 23 anos.

Entrego-me à ternura pensando: - como crescem os meninos! – e, já me ocorre a figurinha linda do
“meu vizinho” Luís, que quase ainda agorinha, bateu à nossa porta para, com a gloriosa inocência dos seus quatro aninhos, anunciar feliz o nascimento do irmão dizendo:

“venho dizer que já tive um menino!”

Participação mais linda eu nunca ouvi – nem sei se há!

Razão teve o Poeta quando disse:

o melhor do mundo são as crianças.

 

Maria José Rijo

 

 

publicado por Maria José Rijo às 16:19
| comentar | Favorito
partilhar

.Maria José Rijo


. ver perfil

. seguir perfil

. 53 seguidores

.pesquisar

 

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
19
21
22
23

24
27
28
29
30


.posts recentes

. São Mateus 2017

. Participação - Programas ...

. Programa de São Mateus 20...

. Carta aos meus queridos A...

. Aniversário do Linhas - 2...

. Viagem a Fátima

. Reportagem do Jornal Linh...

. Parabéns Avelino

. Parabéns Luciano

. CONVITE

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@