Terça-feira, 7 de Agosto de 2012

Reportagem

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.049 – 29 de Junho de 1990

A La Minute

REPORTAGEM…

 

Estive na exposição do Palácio da Ajuda. Ainda bem que lá fui, porque, vale a pena não perder.

Durante um certo tempo segui a guia. Depois, aborreci-me.

Há uma grande diferença entre olhar, ver e sentir.

Isto, é isto – aquilo, é aquilo – não chega para perceber o mundo em que nos deslocamos.

Cada objecto tem que ser “namorado” até ser entendido. Este, não outro, porquê?

Que ligação há entre umas coisas e outras?

Não me parece, que seja preciso ver todos, como quem verifica um rol. Mais importante é encontrar o fio condutor da meada e fazer um percurso pensado de identificação.

Trata-se de D. Luís. Depois de jornais, revistas e televisão terem, com artigos e reportagens, mostrado e falado quase sobre tudo, estava criado o clima, e ir lá, era para mim a oportunidade de entrar na fila para o beija-mão real.

Era apenas ir ao encontro da sensação, respirar o ambiente e, assim foi.

Lá estavam brinquedos e jóias, colecções e pinturas, objectos de uso, desde toalhas de rosto a prosaicos móveis criados para esconder utensílios de higiene mais íntimos.

Espólios de vidas – de homens que foram reis – de crianças que nasceram príncipes – de rainhas que foram mães e mulheres bem ou mal amadas.

É, como sempre nestes casos, uma exposição bela e triste.

Tão triste como será guardar o brinquedo preferido da criança que partiu para viagem sem regresso.

E tem que ser criança porque a desesperança só cresce onde a esperança morrer. Mas, isto é outra coisa!

O que eu queria contar era a breve conversa entre dois elementos da excurção que contratara a guia.

Estavam juntos e parados frente à vitrine com a colecção dos cachimbos de D. Luís, acabados de ver pratas, louças e cristais na mesma sala.

Então, uma voz azeda e irónica elevou-se – não! – Elevou-se não é o termo, espetou o silêncio a dizer:

- Juntavam fortunas os reis – tal era isso!...

Logo calmamente com segurança alguém respondeu:

- “Não levaram nada p’ra casa – o que juntaram está aqui – é o recheio dos nossos palácios…”

Indiferente, a cicerone continuou: - este é de todos os tectos do palácio da Ajuda o mais conseguido. Como já devem ter reparado as pinturas imitam o céu, é aquilo a que os franceses chamam: “trompe – L’oeil”.

 

Maria José Rijo


publicado por Maria José Rijo às 22:30
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1 comentário:
De Xavier Martins a 7 de Agosto de 2012 às 22:38
Minha cara amiga
Já andava preocupado com esta larga ausencia...
mas se já voltou... é porque está tudo Ok.
Fico feliz em te-la de volta.

Mais um bom artigo - como não poderia deixar
de ser.
Visitar o Palacio da ajuda é sempre uma maravilha.
Também já lá estivemos e gostamos.

Espero que as suas ferias tenham sido
boas.
Nós fomos para a Manta Rota - mas este ano
não a encontramos - procuramos - mas nada...
talvez temporadas diferentes.
Nós viemos ontem e por lá está uma maravilha.
Espero que esteja bem.

Um abraço
Xavier Martins


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