Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013

São Mateus 2.013

Jornal Linhas De Elvas

Nº 3243 – 19 Setembro - 2013

.

 

Neste suave entardecer dos dias de Setembro, em que o próprio Verão também entardece e se vai despedindo para dar lugar ao Outono que o equinócio (a vinte e dois) virá instalar, Elvas, como em cada ano, prepara-se de corpo e alma para render culto de amor e gratidão ao Senhor Jesus da Piedade.

A cidade fervilha de abraços, sorrisos, lágrimas, às vezes, nos reencontros com os que lá por fora lutam pela vida mas, não resistem às festas de São Mateus para uma visita, às raízes, por mais breve que ela tenha que ser.

Chegado o dia dos Pendões, todos se juntam em filas longas, caminhando desde a Sé lenta e pacientemente compenetrados da sua fé, numa procissão extensa como uma penitência sem fim a caminho do Santuário do Senhor Jesus da Piedade.

Só chegada lá a procissão o sinos soltam seus alegres repiques e se acendem as luzes que contornam desenhando a igreja e as suas torres bem como os enfeites festivos que embelezam o parque.

Aí, começa a festa.

São milhares e milhares de crentes entre os naturais e os forasteiros que se ajoelham e rezam pondo aos pés da cruz do Senhor da Piedade a sua gratidão pela Vida, as suas esperanças, as suas angústias, a sua fome de justiça, a sua fome de amor.

Depois, de corações aliviados, em Paz, vão viver ou reviver, as alegrias simples do arraial e da feira de São Mateus.

Bisbilhotar as fancarias que as tendas expõem, cobiçar uma ou outra coisa que se possa ou não adquirir, que este ano a crise é para todos e a realidade não abre brechas aos sonhos…

 

 

Nas horas das refeições…restam para os mais endinheirados os frangos no churrasco, nas barracas dos comes e bebes que impregnam o ar com seu cheiro apelativo e quase sufocante.

Para os demais, há sempre o pão com chouriço, os cachorros quentes, ou o farnel que se trouxe de casa, e se vai saboreardiscretamente no aconchego da sombra duma qualquer árvore do caminho…

 

 

Também aí estamos mais pobres, mendigos, direi sem receio de errar, porque à parte a invasão dos palmeirais pouco mais se vê por perto que se assemelhe em sombra e beleza, às conteiras, amoreiras , olaias …etc.etc…

 

Caiem, sem pecado, feridas de morte, centenas de plátanos com mais de sessenta anos de existência…

Caiem, por desamor, porque se tornaram frágeis árvores seculares que bordavam caminhos que, com suas sombras, tornavam amenos, de regalo e, que, sem substituição, agora são inóspitos e áridos.

Dá-se aos idosos um cajado, uma bengala, que os ampare, dão-se às árvores tutores que as suportem porque, quando Deus quer, caiem velhos e novos porque ninguém tem data certa para morrer…

Estamos em 2.013 – estamos a viver o Ano da Fé como o Papa o proclamou.

Que o Senhor Jesus da Piedade nos bendiga a todos  e nos dê a graça de respeitar a obra de Deus amando também e protegendo a vida das nossas generosas árvores de cada dia.

Amem.

 

 

    Maria José Rijo  

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publicado por paula-travelho às 23:35
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2 comentários:
De Xavier Martins a 19 de Setembro de 2013 às 23:46
Minha querida Amiga
Realmente a sua mão voltou para os bons -
belíssimos artigos.
CONFESSO
que a história do CORTE DAS ÁRVORES só mostram
como os elvenses - que tem algum poder - NÂO
Têm coração NEM cabeça - e cortam as árvores
como quem corta ervas daninhas do quintal.

NÂO CONCORDO com aquela razia que ali fizeram.
Não gosto de ver - realmente penso que quem as
manda cortar - nunca andam a pé - pois só assim
se comprrende que não sintam o sol abrasador
na cabeça. E não é so ali... isso do corte das
árvores é um POUCO (digo pouco para não
dizer TUDO) por todos os lugares.
Há uma falta de sensibilidade BRUTAL.
è uma vergonha a forma como tratam a natureza.
Eu, na minha opinião , detesto Palmeiras
a árvore por eleição da Câmara - é uma falta
de gosto. A minha mulher diz que são as avenidas
da Praia... no fim esperamos encontrar o mar...
É assim que por aqui se vive.
Vamos ver se o dr. Mocinha é mais sensível
às arvores e não as manada cortar como quem arranca cabelos...

MUITOS MUITOS PARABENS
e desejos de um belíssimo São Mateus.
Com amizade

Xavier Martins


De Maria Augusta Torres a 20 de Setembro de 2013 às 23:13
Minha e muito querida amiga
Finalmente voltei.
Desculpe a minha ausência mas estive por fora,
fui com o meu filho para o Canada, por onde
estivemos cerca de um mês.
adoramos viajar para o Canadá.

Quero muito dizer-lhe que andava já preocupada
pela sua ausência aqui no blog.
Os seus artigos com essa sua forma distinta e
magnifica de escrever são o apanágio do blog.
Gosto imenso de ler a forma como ama e fala
da vida.
A minha amiga é uma pessoa maravilhosa.
Por dentro e por fora.
adorei o poema,e este artigo sobre o São Mateus
um portento da escrita.
Sem esquecer o outro artigo - que fiquei chocada !!
Aonde chegam as pessoas... que miséria !! Que
falta de humildade.
Sobre o corte das arvores que eu conheci de ver
todas elas. tenho de dizer que sofro com esse corte.
A ganancia leva a essas asneiras, a essa falta de
sensibilidade pela natureza.
Minha amiga e a amiga como se encontra?
Espero que a sua saúde esteja estabilizada e se
sinta bem.
aposto que esta acompanhada pela sua mana, a
Sra D. Maria Barbara.
que bom que estejam juntas.

É um gosto de ter voltado e ter encontrado o
seu lindo blog atualizado.

Muitos Parabéns
minha querida Amiga

Co amizade
Auguusta Silva Torres


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