Sábado, 2 de Junho de 2007

Gatos

http://olhares-meus.blogspot.com/

 

À porta do jazigo (encimado pela escultura de dois gatos a dormir) do grande escritor português - Fialho de Almeida- em Cuba, onde faleceu, pode ler-se esta frase do seu livro - os Gatos- “miando pouco,  não temendo nunca, arranhando sempre”

Bem mais perto de nós, outro escritor, (João Falcato) autor do célebre “Fogo no Mar”, enquanto jornalista, como Fialho também foi, escreveu durante anos as suas crónicas sob o título “O Meu Gato.” Rememorando estas e outras lembranças, dei-me conta da presença, bem frequente do gato na literatura, na magia e nos ditados populares. (No casino Estoril, neste momento, na obra da grande Artista: Dorita  Catel-Branco.)

Pensei então: - aqui há gato! - E, comecei a somar:

Gato escondido com o rabo de fora! – Fazer de gato-sapato!

É como o gato que, enquanto dorme, apanha ratos! (referência às vibradoras, “bigodes”, que captam as vibrações do ar que, qualquer movimento produz.)

Gato escaldado de água fria tem medo!

De noite todos os gatos são pardos!

Matreiro como um gato! - Traiçoeiro como um gato!

Quem não tem cão, caça com gato! – É como o gato e o rato!

Ágil como um gato! - Macio como um gato!

Silencioso como um gato! - Misterioso como um gato!

Tem sete folgos como um gato! - Olhos misteriosos como o gato!

Que belo “gato”!- Que  bela “gata!”

Assim, e de outras formas mais se fala dos: - farruscos, tarecos, panchos, bichanos, minháus, ou do mais que é uso apelidar esses companheiros das nossas vidas.

Os gatos estão conotados com a ternura, a manha, a esperteza, a agilidade, beleza e, pela sua independência, e pela dilatação das pupilas dos seus belos olhos, no escuro, também com um certo mistério e bruxaria.

Para as crianças que se arrepiavam de medo com os seus miados lúgubres pelos telhados, nos pequenos povoados, nas frias noites de Janeiro, fazia-se uma interpretação que afastava os temores e as fazia rir, emprestando palavras aos sons das suas serenatas...

-          José dos matos,

-          Dás-me os sapatos?

-          Não dou, não!

-          Diz do que são!  

-          De cordovão! - Dás-mos? - Não!

Depois aconchegadas – como gatos - no quentinho dos lençóis

era a hora de deixar que o João Pestana fizesse o seu trabalho...

Sempre os gatos inspiraram ao homem os sentimentos mais extremos e as mais obscuras crendices.

E, não se julgue que foi recentemente que “os gatos e as gatas” entraram já com um significado mais erótico na linguagem corrente.

Desde a deusa Bastet dos egípcios, que tinha cabeça de gata e simbolizava a fecundidade e graça femininas (segundo o Dr. Fernando Méry) que essa conotação se faz.

Também ele conta que os gatos já foram divinizados ao ponto de em 525 a.C., os persas terem vencido os egípcios por se apresentarem armados com gatos em lugar de escudos e o seu culto por esses animais – (na época) - não lhes permitir nem feri-los , quanto mais matá-los!

Tempos houve também em que os donos punham luto por eles, como pelos filhos, e tinham direito a ritos fúnebres. Eram embalsamados e, se os seus proprietários eram muito ricos, dormiam o sono eterno em belos sarcófagos.

Mais tarde, a partir do século XIII, foram odiados perseguidos, considerados sicários de Satanás, queimados vivos, torturados por bruxarias, empalados, crucificados, esfolados vivos e, era expressamente proibido ter por eles qualquer espécie de piedade ao ponto de aos seus defensores, serem infligidas, como castigo, iguais torturas.

 De qualquer modo é sempre associada à beleza e ao mistério que se usa a imagem dos felinos.

Animais, ainda hoje, tão estimados por uns, como odiados por outros.  

Ligados a eles há também, contos sem fim quer de bruxarias e maldições, quer de protecção como amuletos, principalmente o gato preto que convém ter por perto como talismã, porque afasta as bruxas e fica entre os humanos como pára-raios nas trovoadas e

é afinal o mesmo gato preto que pode ser acusado de todos os malefícios .

A minha indisfarçável ternura pelos gatos fez-me aprender algumas curiosidades sobre a sua história. Considero-os caprichosos, um tanto insubmissos, mas os mais elegantes, encantadores e carinhosos de todos os animais domésticos.

Enrolam-se como novelos de lã, e quando nos saltam para o colo, nos dão a “honra” da sua companhia e ronronam tranquilos “com o motor em ponto morto” ninguém dirá que sob a fofura daquelas patas de veludo, há umas unhas retracteis afiadas, que cortam como lancetas.

E, não é que hoje ao ver a madeira do meu cavalete toda escalavrada pelas unhas do meu gato “Picolino” de que guardo saudade, me ocorreu escrever esta crónica que espero não seja motivo para que se diga que “vos dei gato por lebre!”

 

                                                   Maria José Rijo

                                                   

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.907 - 1 Março-07

estou:

publicado por Maria José Rijo às 23:56
| comentar | Favorito
partilhar
4 comentários:
De Eduardo Tomáz a 3 de Junho de 2007 às 02:08
Adoro Gatos.
Este seu texto é uma maravilha. Aliás este blog é um paraiso do bem escrever português, hoje tão dificil de encontrar.
Parabéns a escritora Maria josé Rijo que muito me alegrou neste blogg magnífico. Os meus Parabéns.
Ah! devo acrescentar que tenho o livro O fogo no Mar de João Falcato. É um dos livros importantes na minha biblioteca.
Parabéns renovados
... e continue, por favor... a postar desta forma única e magnífica .
Volatrei muitas outras vezes.
Cumprimenta-a
Eduardo Tomáz


De Letícia a 4 de Junho de 2007 às 18:57
Lindissimo este gato
e o texto um torrão de açucar!
Gostei!

Letícia


De Manuel Barbosa a 17 de Setembro de 2007 às 23:46
Lindo este seu texto.
Eu sou um apaixonado por gatos.

M.B.


De lili.gdjuio.hotmail.com a 28 de Abril de 2008 às 09:20
ha um prob, a sr na pôs os posters d cats.
porquê?


Comentar post

.Maria José Rijo

.pesquisar

 

.Abril 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

17
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. A afilhada da Tia Zé

. Páscoa - 2017

. Homenagem a Maria José Ri...

. Cá Estou ... - 1

. OLÁ Dolores

. 2007 - 2017 = 10 º Aniver...

. ENCONTROS DE CIRCUNSTÂNCI...

. Recado para os Sobrinhos ...

. Saudades

. A Feira de São Mateus 201...

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@