Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007

Contar histórias

 Não  

            Gosto de contar e de ouvir histórias Já em criança as minhas delícias provinham das aventuras de Aladino e da lâmpada maravilhosa, dos malefícios das bruxas e dos encantamentos das fadas boas, que, mercê de alguns sacrifícios sempre conseguiam vencer os poderes do mal.

            Assim que no fundo da génese da minha consciência, como pessoa, paire sempre um certo clima de crença na vitória do bem sobre o mal. Na vitória das Fadas sobre as Bruxas.

            Uma quase infantil ou inocente e irreprimível fé na espécie humana que não me cega frente ao bem, ainda que , e quando, a evidencia do mal se nos impõe.

            Uma história, é um pouco como um rebuçado ou uma qualquer outra gulodice.

            Também tem um papel que a embrulha e um recheio que se saboreia - ou cospe - consoante o paladar de quem a consome.                                                                            A história não tem papel no sentido real da palavra. Pois não.

            A história aparece como que vestida pela fantasia com que se conta; e  despojada dela, fica como a gulodice, quando privada do papel brilhante e colorido, exposta ao apreço ou desapreço de quem a escuta.

            Quero dizer: nas gulodices ,ou das gulodices, fica-nos para além do gosto na boca, por um certo tempo, o conhecimento de alguma coisa que nos agradou e criou em nós a vontade de repetir - ou não -  a experiência.

            Da história , da lenda, se nos chegou ao coração, ficará também a vontade de a repetir, recontando-a e, o recado, a mensagem, por mais encapotada que estivesse, do que ela nos pretendia dizer sem a dureza explícita da moral - dois pontos .Da ordem de comando que mata o livre arbítrio e obriga sem convencer.

As vestes da história, da lenda são as palavras. Com elas se enroupam para seduzir tornando-a rica, atraente ,brilhante. Também com palavras se pode torna-la andrajosa, negra, repugnante ,feia - assustadora .

Porém, em qualquer circunstância, escondida no meio das palavras, mais ou menos misteriosa, guardada como um tesouro, lá está a intenção - pronta a ser desvendada, mas não tão explicita que não tenha que ser procurada e mate a sedução. 

A história é bela porque sugere. Dá mote para pensar, para deduzir, absorver conceitos, formar opinião, decidir por escolha própria.

            Tudo isto me ocorreu porque com uma folha de papel em branco frente a mim me apetecia dispor de toda a força do bem que irradiava das varinhas de condão das fadas - das boas, neste caso - e, nesta hora de nascer uma revista sonhada e estudada à minúcia no desejo de SERVIR  - escrever em letras de luz :

Vai, cumpre-te, cumprindo !

E  porque nascer- é sempre uma bela história de esperança,- gostaria, como as fadas madrinhas à beira dos berços das princesas encantadas - de ter na minha mão para a encher de bons augúrios uma das tais varinhas que materializam tudo de bom que há em nós e apenas dizer:

“Eu te fado” para que vivas longamente,  com o apreço e o apoio dos potenciais leitores a quem te destinas.

Que de cada um deles faças um amigo que aprecie e estime a tua companhia.

                Parabéns!

 

 

 

                                                                                                                                                                     Vive e sê feliz.

 

 

                                   Maria José Rijo

 

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Revista – Norte Alentejo

Nº 1 – Junho 2000 - Crónicas

 

 

 

 

 
estou:

publicado por Maria José Rijo às 23:15
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8 comentários:
De Dolores a 14 de Agosto de 2007 às 00:56
Ola...
Antes de me deitar é praxe - venho olhar este se (nosso) blog e saber se já havia novidades
e então
que novidade - este belissimo texto com estas LINDAS meninas.
Oh! estou tão contente por este texto. É tão bonito, tão LINDO!

Maria José Rijo tem o dom de me enternecer e agora não só com o texto, mas também com estas LINDAS meninas.

Vou deitar-me tão mais feliz.
Que bom que colocou este texto tão lindo.
Parabéns MAIS uma vez - (acho que em cada comentário tenho de a parabenizar - cada um é melhor que o outro.)

Estou grata ao seu blog e a si - porque me dá muitas alegrias.
Eu aprecio bastante os seus textos e o seu blog é já um ponto de honra.

Até amanhã.

Com imensa admiração

Dolores


De Maria José a 14 de Agosto de 2007 às 10:36
Sabe Dolores que é quando me levanto, pela manhã, como agora, que eu venho descobrir o que a Paulinha me oferece em cada dia?
Ela é quem fabrica os sortilégios e os milagres que me fazem ter a certeza que amigos assim são um presente de Deus.
Na foto, estamos, minha irmã, hoje com 83 anos; e, de pé, eu, agora com 81...
Como não começar o dia sorrindo?...
Um abraço - Maria José


De Adalgisa Alexandra a 14 de Agosto de 2007 às 11:22
Belissimo este texto.
Acabei de encontrar o seu blog, confesso que não foi por acaso, mas foi a Dolores que me contou, na verdade ela não fala noutra coisa.
Agora que li, como ela tanto me pediu tenho de concordar com ela, o seu blog contem textos de grande qualidade literária.
A sensibilidade está à flor da pele, a intuição dos temas é simplesmente um apanágio da idade.
Sabe MAria José Rijo - é para mim uma alegria ler textos tão bonitos de uma Senhora de oitenta anos. É reconfortante saber que estou a ler textos de uma Senhora, que em criança foi Linda, de alma pura e agora aos 80, é certamente uma mulher ainda bonita, com alma lavada, limpa e que transmite muita Paz.
Sinto isso neste blog.
Parabéns - não é tarefa fácil.
FELICIDADES
Gostei tanto de a ler que voltarei brevemente.

Com muita admiração.
Gisa


De Dina a 14 de Agosto de 2007 às 18:52
Sem dúvida que é uma grande contadora de histórias, ou melhor uma contadora da vida.
É SEMPRE um prazer ouvi-la e lê-la.
Bjs


De Dolores a 14 de Agosto de 2007 às 21:37
Concordo consigo Dina.
Eu não conheço esta escritora, mas a Dina parece que sim.
Deve sentir-se feliz, acredito.
Estes textos são de alguém que sabe muito bem contar a vida, que sabe falar da vida como ela é, e sabe contar como ninguém. Só almas importantes e grandes têm essa sabedoria.
Concordo consigo.

Dolores


De Dina a 15 de Agosto de 2007 às 00:17
Felizmente tenho o prazer de conhecer a D. Maria José Rijo há muitos anos, possivelmente perto de 30 e é para mim um orgulho.


De Gabriel Vasco de Lima a 14 de Agosto de 2007 às 19:54
Minha Senhora
Estou fascinado pela sua prosa.
Gosto imenso de vir ler os seus belos artigos. Porque são de um português brilhante.
A sua forma lucida e brilhante., como diria o "meu" amigo Aquilino Ribeiro
" Cada homem é um mundo. Por isso mesmo, cada homem que se sabe contar é um livro nunca igual a outro livro. O princípio da originalidade está no partido que se tira de tal circunstância"

Maria José Rijo é um mundo bonito, um livro maravilhoso que ela conta ( para nós - seus leitores ) de uma forma muito original e que agrada (pela quantidade de comentários) a muitos cibernautas que por aqui passam, deixando o seu apreço.

Bem Haja por estar na Blogosfera
Seu admirador

Gabriel V. de Lima


De Lencastre a 14 de Agosto de 2007 às 20:02
Cara Maria José
Gostei imenso deste seu texto. Percebi que é um texto com sete anos e o primeiro que escreveu para esssa revista alentejana. Devo dizer que é um bom texto.
Denota a sua sensibilidade ímpar, a sua bela forma de escrever e contar o que lhe vai na alma.

Gosto muito de vir a este blog e ler, ler e ler... sinto-me satisfeito.
Felicidades
Lencastre


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