Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007

Reminiscências – Os sinos

Quando a sociedade estava estruturada de tal maneira que as famílias não estavam reduzidas, como agora, apenas ao seu núcleo básico de pai mãe e filhos. 

Quando eram famílias alargadas e, em todas elas cabiam os idosos e também nelas se dava guarida a parentes pobres ou amigos doentes e solitários...

Por esse tempo, as crianças dessas famílias cresciam escutando histórias de abnegação, de coragem e de sacrifício, também de festas de família, de passeios e, até de circunstâncias anedóticas, poemas, contos de fadas, tudo o que as pudesse encantar entretendo-as e ajudando na sua formação lhes alargasse o conhecimento e fortalecesse o caracter.

Não se ensinava aos meninos que é mais importante para se ser feliz sustentar um automóvel do que aprender a partilhar e viver a riqueza de amar e proteger um irmão, por exemplo.

Todas, por esse tempo conheciam a lenda do filho que levou seu pai, já velho e incapaz de trabalhar para um local isolado onde se propunha abandoná-lo sentado sobre uma manta para aguardar a morte sem incomodar ninguém. Todos sabiam que o velho pai, sem uma única queixa apenas lhe recomendou: - leva metade da manta meu filho!

Leva, porque assim quando teu filho para aqui te trouxer já nem manta precisarás de comprar. 

E, todos sabiam que o filho retomou seu pai nos braços e o reconduziu a casa onde, mais tarde, acarinhado por toda a família deixou este mundo.

Nessa “era” que já parece tão remota como os dinossáurios o casamento era um sacramento e abarcava alegrias e sacrifícios,

Renúncias e heroísmos que fortaleciam o espirito de família e o amor que os unia.

 Daí que seria impensável querer chamar de casamento esses contratos entre seres do mesmo sexo que tanto parece deslumbrar os progressistas.

Ora isto vem a propósito de algumas críticas que ouvi através da comunicação social sobre o “conservadorismo” do Santo Padre, João Paulo II, o que me fez pensar:

Se foi assim criticável a sua intransigência porque se vergou o mundo inteiro a seus pés?http://silvarosamaria.blogs.sapo.pt/106522.html

Não será também pela coragem e fidelidade, nada fáceis, que foi capaz de manter em relação às suas convicções e princípios morais apesar de de todas as pressões?

Julgo que sim.

Não é por certo o culto do facilitismo desbragado que conduz à virtude, nem será a eutanásia ou o aborto que irão melhorar o mundo.

O mundo, só melhora melhorando as pessoas, e, daqui não há que fugir.

Não é a igreja que deverá transigir aos caprichos de quem vive sem rei nem roca.

Nós é que teremos que encontrar e seguir o rumo certo para as nossas Vidas, seguindo- a.

Ocorreu-me o desejo de fazer estes comentários quando escutava os sinos a saudar “esse” peregrino de Fátima que partiu para a sua última viagem, desta vez, rumo à Mãe do céu.

E, enquanto pelos ares vibrava a sua música nostálgica e comovente, mentalmente repetia como uma reminiscência de infância os restos esparsos dum poema ( talvez de Soares de Passos, será ? já não me lembro!)

 

 

Tange, tange augusto bronze

Teu som casado comigo

                      Inda na morte me agrada

Inda ali sou teu amigo!

 

 

 

                                            Maria José Rijo

@@@

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.809 – 14 / Abril / 05

Fotos - sinos .. http://olhares-meus.blogspot.com/

estou:

publicado por Maria José Rijo às 20:01
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7 comentários:
De Lencastre a 21 de Agosto de 2007 às 00:12
Olá
Voltei ao blog de Maria José Rijo porque gosto dos seus textos, porque gosto da sua forma de escrever e gosto da consciência que tem da vida, e do que nos cerca.
Gosto muito da forma como contempla a vida e como fala dela, como recorda o passado e o conta como belas histórias de vida.
Gosto. É verdade que gosto muito de aqui vir - este blog é uma forma de levar, a todos os que têm a alegria de a encontrar, a sua Paz que a Senhora é capaz de nos dar.
Parabéns pelo seu lindo blog, pelas suas maravilhosas palavras e pelos seus textos que me encantam até à alma.

Lencastre


De Luzia Marquinhas a 21 de Agosto de 2007 às 00:19
Que lindo...
Que lindos textos...
Estou emocionada.
Gostei imenso de a conhecer (aqui) neste mundo imenso e profundo.
Muitos Parabéns pelo seu belo Blog.
e Parabens a Maria José Rijo que escreve como os grandes escritores que publicam livros.
Mas estes textos merecem estar aqui na Net mas - se me permite - gostaria de os ver publicados.
São tão BONS.

Desde já sua admiradora

Luiza (de Abrantes)
Ah!! Foi a Dolores que me recomendou o seu belo Blog - e tem toda a razão.
GOSTEI imenso


De Luzia Marquinhas a 21 de Agosto de 2007 às 11:45
Agora reparei... enganei-me a assinar - Sou mesmo louca!
Ora ora.

Com amizade

Luzia Marquinhas


De Mafalda Gomes a 21 de Agosto de 2007 às 11:42
Lindo.
Gosto tanto de ler os seus textos.
Muitos Parabéns por mais este pedacinho de açucar, que se desfaz na lingua...
Gostei imenso, imenso.

Com amizade
Mafalda Gomes


De Domingos Manuel a 21 de Agosto de 2007 às 18:42
Concordo consigo.
Estes textos são torrãozinhos de açucar.
Bem visto!

Domingos


De Mónica Duarte a 21 de Agosto de 2007 às 18:40
Lindo.
Gosto tanto de passar qaui no seu blog e ler estes seus textos.
Adoro em especial as suas reminiscências. São lindas, têm perfume, cor e fazem rir, chorar... sentir um pouco a sua vivência.
Gosto deste seu mundo. É tão bonito.
Muitos Parabéns

Mónica Duarte


De Arlequim a 21 de Agosto de 2007 às 21:09
Sou seu admirador.
Adoro vir ler os seus textos, tão bem escritos, num português magistral, espontâneo de uma sensibilidade imensa.
Vou citar Miguel Torga numa frase que eu adoro e que agora adapto para si e o seu belissimo mundo.
É assim:

" Acho que as relações dum escritor com o seu leitor só começam a ter dignidade para lá das portas da livraria. Cada qual na sua intimidade.
A árvore, longe do fruto que já não lhe pertence; quem o saboreia, isento de perturbar o gosto com sensações adjacentes."

Muitos Parabéns por este texto (... e todos os outros...)

Seu amigo

Arlequim


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