Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

As despedidas

            Há pequenos nadas que de repente nos chamam a atenção, nos obrigam a pensar e como tal nos sugerem alguns comentários e reparos.

            Mais uma vez assim foi.

            Uma locutora da televisão ao despedir-se no final dum programa, com o ar mais convencido do mundo, deixou um voto, que apesar de simpático me pareceu além de imprevisto, um tanto descabido pelo excesso de “originalidade.”

 Foi assim:- tenha uma boa vida!

Comecei então a reparar como todos e qualquer um dos outros locutores se despediam ao finalizar a sua prestação de serviços.

Enquanto uns com muita segurança afirmam: volto amanhã!

Outros, com o ar de quem tem trunfos na manga, quase ordenam: - tenha uma grande noite!

 Outros, sem pretensões anunciam: despeço-me até amanhã... e por aí fora cada qual, quer duma maneira discreta ou mais floreada, diz tudo o que lhes vem à cabeça, usa qualquer expressão por mais ou menos oportuna que seja, menos a tradicional frase que todo o cristão aprende desde que começa a falar:- até amanhã se Deus quiser!- ou a formal despedida de todos os tempos : - Boa noite! - Até amanhã, já que cada um tem liberdade para ser crente ou não o ser.

Não podendo deixar de situar esta inovação, de variedades, no tempo, cheguei sem grandes surpresas à época da revolução dos cravos que foi a data em que se fizeram as descobertas e respectiva execração dos termos chamados fascistas

De alguns excessos o correr dos anos já fez o expurgo.

Outros, por menores, têm-se esgueirado como “pulga por costura” e vicejam tornando tortuoso o que era escorreito e transparente, convenhamos, que, sem honra nem glória -. Apenas com o propósito de exibir um certo laicismo - que pretende ser de bom tom mas, que tresanda a mal  digerido e mal assumido já que apenas se ostenta e sustenta de exteriorizações sem consistência - quase ingénuas ás vezes.

Deste consentimento com que se anui sem reserva ao que cada um queira ou não fazer e dizer mesmo que ao serviço do publico. Deste desinteresse pelo deslizar de pequenas coisas nesse plano inclinado onde nada ou quase nada do que é clássico se mantém em equilíbrio, chega-se à permissividade de programas que envergonham e comprometem a dignidade humana. Ou a tal perda da noção de valores que se faz parar um país preso da emoção forjada em torno de um homem fechado num banheiro.

           Consultam-se psicólogos para virem dizer que situações destas marcam nefastamente os filhos do infeliz protagonista deste incidente! - Sem se reparar que a cruel e desnecessária projecção dada ao caso alargou incomensuravelmente o peso da angústia que caiu sobre as crianças e avolumou o horror da sua recordação.

Pensando e repensando, com uma certa ironia, como é natural, nestes despropósitos, apetece-me terminar esta crónica cumprimentando estes “ heróis” com a frase que meu Pai, quando éramos crianças, de nós se despedia: - tenham juízo!

 

                                                     Maria José Rijo

@@@@

   Revista Norte Alentejo

     Nº 8 – Janeiro /Fevereiro - 2001

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publicado por Maria José Rijo às 22:27
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2 comentários:
De Dolores a 28 de Agosto de 2007 às 01:23
Cá estou eu...
e já é muito tarde, já tenho soninho, mas tinha de vir espreitar a minha amiga Maria José Rijo - não poderia ir deitar-me sem o meu "docinho" preferido.
Gostei imenso, é também um texto muito verdadeiro e veridico. Realmente ouve-se com cada coisa, que até brada aos céus, como diria a minha mãezinha.

Ah! reparei que ganhou uma nomeação no Blog da Dina - como está aqui no seu blog, de vez em quando também vou a "casa da Dina" - e é um prémio muito bem atribuido. Parabéns.
(desculpe ser tão cusca!

Beijinhos e até amanhã.
Vou para a caminha.
sua amiga
Dolores


De Dina a 29 de Agosto de 2007 às 17:12
Eu durante anos acabava sempre da mesma forma, hoje olhando para trás sinto saudades de dizer : "Volto amanhã, até lá faça o favor de ser feliz!"
Ser original é hoje para muita gente neste meio, uma necessidade para se fazerem notar no meio de tanta gente quase igual a eles. Há pouca originalidade genuína.
Beijinho


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