Quarta-feira, 3 de Outubro de 2007

As mágicas soluções

A Vida em redor entra em nós, dia a dia, instante a instante, ao compasso do nosso próprio coração.

                      

A chuva, o sol, o nevoeiro que nos embarga o horizonte, os violetas ou os carmins da apoteose de cores num céu em horas de poente...

                       

Os ruídos da rua, o canto dos pássaros, o latido doa cães, tudo o que nos circunda e cria e define o nosso mundo no mundo, desde o cheiro da nossa casa, ao perfume que usamos...ao choro e ao riso das crianças que amamos...

Tudo isso entra pela nossa pele, pela nossa alma e nos invade a sensibilidade e nos molda a maneira de ser e estar na vida. Porque o mundo, o vasto mundo onde a nossa pequenez também cabe, e, de que, também faz parte, esse, trespassa-nos pelos olhos, confunde-nos pela avalanche e diversidade de noticias, e, é-nos fornecido, imposto quase com sadismo, especialmente, pela televisão.

E, não é necessário para nos aturdirem que se fale de qualquer um grande cataclismo.

 Não!

Se bem repararmos a notícia, não visa, muitas vezes informar. Ela é expressa de forma a hostilizar. Ela não descreve ou adverte, ela agride, acusa. Ela explora a emoção fácil, provocando, e explorando posteriormente o conflito que ela própria cria.

                        

Há relativamente pouco tempo, uma mulher pariu prematuramente seis crianças duma gravidez de risco que suportou com humildade cristã e muita coragem.

Ainda me pergunto se terá sido lícito querer levar por entrevistas, inequivocamente dirigidas nesse sentido, a opinião pública a condenar a decisão dos pais das crianças!

Em matéria tão delicada, não me pareceu o mais certo.

Os bebés corriam risco, só que quem aceitou o risco de não escolher, também se arriscou...e, como diz o povo: resolver os problemas dos outros, é fácil para nós: - é só dar sentenças! – Difícil é decidir sobre os nossos próprios problemas.

Ocorreu-me então aquela velha anedota da senhora viuva dum homem considerado muito decidido, que se suicidou para não ir à guerra.

Muito contristada ela explicava: - coitado ele matou-se, não foi por medo.

Matou-se para não morrer!...

 

                                          Maria José Rijo

@@@@@

Revista Norte Alentejo

Fevereiro/Março – nº 18                       

Crónica

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 21:11
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3 comentários:
De Dolores a 4 de Outubro de 2007 às 00:49
Que bella cronica!
Esta revista para onde escreveu, ficou com lindos textos seus, era capaz de apostar (ainda escreve para lá? - não vim nenhuma com a data de 2007) que ninguém escreve textos tão belos como estes que aqui tem mostrado.

LINDO!

Ah... novidade - o meu maridinho está a fazer-me uma pasta com todos os artigos - on-line - (demorei a convence-lo - ele é que percebe esta maquina - eu só sei ler e escrever comentários - sou muito básica com estes bichinhos)
Vou coleccinar todos.

Agora vou dormir, ja tenho muito soninho.
Beijinhos
até amanhã.

Um abraço virtual

DO LO RES


De Luis Miguel M. a 4 de Outubro de 2007 às 20:08
Acabei de encontrar este seu blog.
Li e reli alguns dos textos aqui apresentados e devo dizer que tem aqui uma colecção excelente.
Nunca tinha ouvido nem lido nada desta autora. Maria José Rijo escreve "como Dios manda" - que quer dizer claramente que domina perfeitamente o português - na verdade constatei que é uma apaixonada pelas palavras.

Admiro pessoas com esta categoria. Não basta saber escrever bem - tem de haver também a paixão pelo que se diz.
Maria José Rijo é uma dessas pessoas raras cuja sensibilidade encanta - eu estou encantado.

Parabéns.
Voltarei

Luis Miguel M.


De Gustavo Frederich a 4 de Outubro de 2007 às 20:17
Em véspera de feriado e fim de semana passei para ver as actualizações e estou encantado por este texto.
Gosto da forma como fala da vida, também penso nela - nesta forma - não tão profunda.

Gostei verdadeiramente.
Gosto da sua sensibilidade - sabe, penso que Maria José Rijo deve de ser uma pessoa encantadora aprecio o gesto da sua sobrinha - eu teria feito o mesmo (se fosse minha tia, obviamente).

Desculpe este comentário já tão extenso.
Com amizade

Gustavo Frederich


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