Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

REZAS E BENZEDURAS I

                                            

                                                                    .................

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.403 – 23-Maio-1997

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Livro Publicado pelo Jornal Linhas de Elvas

-- Para adquirir algum exemplar deve contactar o Jornal Linhas de Elvas

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A magia é, sem dúvida, uma linguagem.

Uma forma primitiva - a mais remota, talvez - que o homem usou na tentativa de comunicar com os fenómenos da Natureza que, não sabia, nem podia, entender ou controlar.

                       “Rezas e Benzeduras” são como que ritos de magia, que pretendem alcançar poderes sobre o que se deseja ou teme ver acontecer.

 

 

 Os povos primitivos exteriorizavam a força dessas íntimas intenções com manifestações mais ou menos subjectivas dos seus pavores, alegrias, ambições, desejos, medos.

                       Eram cultos totémicos.

                       Sendo a caça fonte do seu sustento, já no paleolitico, ao reproduzirem nas paredes rochosas das fundas cavernas, onde se acoitavam, os animais que almejavam aprisionar - com esse inocente feitiço - “rezavam” - um desejo e um propósito: - caçar!

                       Ao invocar a chuva e as tempestades, mimando-as com movimento dos seus corpos - para as provocar, quer para as acalmar - terão, talvez - criado as primeiras danças.

                       Mas, também aí “rezavam” uma intenção, faziam uma prece.

 

 

Ao repetir, com cadência e ritmo, sons que pretendiam exprimir alegrias ou desespero - terão - sem que o pensassem dado origem ao canto e à poesia mas ainda assim “rezavam” - um anseio intimo.

                      “Rezavam” frente ao desconhecido.

                      “Rezavam” frente ao misterioso.

                      E, se através dos tempos, o Homem, com o evoluir da Ciência foi dando respostas ao desconhecido...

                      A arte, terá enterrado as suas raízes nas funduras do misterioso a que não dá respostas mas, procura interpretar numa linguagem que a ciência não decifra.

                      Entre a Arte e a Ciência - cresce e vive o homem como entre o Céu e a Terra - procurando equilibrio e sentido entre caminhos de  Razão e cultos de Beleza.

                      Irradiando da sua mente medos e crendices foi deixando cair os idolos. Mantém porém, velhos cultos, remeniscências de magias primitivas nascidas de pavores do desconhecido.

                 Aos nossos dias, chegaram ainda - belas como lendas - poéticas lenga-lengas - onde uns laivos de saber transparecem, por vezes.

                Elas são um testemunho da intuição e da imaginação criadora do Homem onde o profano e o divino se entrelaçam.  

                                        (Desenhos de Manuel Jesus) 

 

              São Rezas e Benzeduras que urge defender e preservar como sinais inequívocos, que são, dos caminhos que, a inteligência Humana já percorreu e desvendou.

               Sabe-se hoje, perfeitamente, a influência da lua em muitos fenómenos da Natureza.

               Nas mares, por exemplo.

 

               Na aldeia onde andei à escola, era costume a mãe, ao 3º dia de nascimento do filho, segurar a criança nos braços e “ oferece-la” à lua entre os umbrais da porta da rua, aberta dizendo:

 

                              Lua, luar

                             Aqui tens o meu menino(a)

                             Ajuda-mo a criar

                             Tu és a mãe

                             Eu sou a ama

                             Abençoa-o tu

                             Que eu lhe dou a mama.

 

                             Temiam, não o fazendo, receber a vingança da lua que “entrando” na criança a poderia até matar.

                            Superstição? - Crendice? - Ingenuidade? - Ignorância? - Um pouco de tudo, talvez! - Mas, também beleza e poesia que amassadas com amor são parte de leão na alma do povo, na alma da gente.

 

 

                            Maria José Rijo 

 

 

 

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estou: Livro Rezas e Benzeduras - I
música: Rezas e Benzeduras - I

publicado por Maria José Rijo às 21:52
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7 comentários:
De Dolores a 16 de Outubro de 2007 às 00:15
Que texto lindo.
ADOREI - ADOREI - ADOREI ....

Gosto imenso dete tipo de assuntos, a magia
atrai-me bastante.
Está LINDO - o texto, as imagens, o assunto.
A Senhora escreve tão bem - chego a ficar
arrepiada com as frases que escreve.

Bem dita seja pela forma como aborda e escreve
os assuntos... todos os assuntos.
Que cabeça bonita e tão grande coração, tão grande
memória de tudo o que é vida, recordação...

Parabéns - hoje e sempre - por cada dia
por este blog - que me deixa TÂO FELIZ!

Beijinhos
Minha amiga virtual

até amanhã

DO LO RES


De Margarida Paiva a 16 de Outubro de 2007 às 12:11
Simplesmente perfeito.
Este blog é a coisa mais bonita que poderia ter
encontrado nesta janela para o mundo.

Muitos parabéns pela beleza da sua alma.

Margarida Paiva


De Luis Miguel F. a 16 de Outubro de 2007 às 12:13
Este livro é uma maravilha.
Tenho um que me ofereceram.
Foi um amigo de Elvas - e é um livro
muito bem feito e de textos muito bons.

Indico vivamente para que comprem
e leiam.

Com amizade

Luis Miguel França


De Mateus Alferes a 16 de Outubro de 2007 às 15:35
Muito Interessante.
Realmente a Senhora tem aqui artigos excelentes.
Este é um deles, o livro todo deve ser uma
pequena maravilha.
Os meus Parabéns.

Com muita admiração

Mateus Alferes


De Dolores Maria a 16 de Outubro de 2007 às 15:36
Passei
para reler o texto da magia...
e dizer mais uma vez
que ADOREI.

Beizinhos

DO LO RES


De Miguel Batista a 16 de Outubro de 2007 às 17:24
Minha Senhora
Estes textos são do melhor que existe.
Os meus Parabéns.
Sou muito interessado por estes assuntos.

Os meus Parabéns

M.B.


De Marília M. Pedroso. a 13 de Outubro de 2009 às 03:02
Sra. Maria José Rijo.
Saudações !
Encantei-me com a sua pessoa, e com a tão extraordinária arte, de descrever no papel, os seus sentimentos, a sua grandeza d'alma.
A sensibilidade e a emoção, que expressa em cada linha de seus textos, nos deslumbra, nos faz refletir sôbre à nossa vida. Aflora as lembranças da nossa infância, dos avós, com as suas tradições.
Belíssimo Blog, parabéns, e que Deus á abênçõe !

Marília Montanha .


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