Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

À Laia de resposta

Olá a todos!

 

Aqui estou para tentar responder às perguntas que me têm sido dirigidas, e que, me envergonho ter deixado, até agora, sem resposta.

Sei que entenderão que a minha dificuldade se insere na inabilidade com que uso a Internet. A minha cabeça está arrumada como as dispensas antigas, cheias de caixas e caixinhas rotuladas e arquivadas em prateleiras, onde, mais ou menos, com o tempo e paciência descubro o que procuro, e, onde por vezes fico horas a remexer até naquilo de que me esquecera e de súbito se me apresenta.

Pois bem a Internet não me permite esses tempos compassados, intromete-se, dá-me respostas a perguntas que não fiz! – Pestaneja, isto é: apaga-se-me no écran! – Desaparece-me, em suma confunde-me e, embora a admire, confesso que me atrapalha. Temo-a. Está fora do meu ritmo, do compasso do meu tempo.

Daí que só me abalance a “visitá-la”, mas não – a “usa-la” – sem a presença da Paulinha, o que, só acontece, com a frequência possível a quem, como ela, tem responsabilidades profissionais, de família, etc,etc …

Assim, que hoje, usando a sua disponibilidade, possa eu satisfazer a vossa – tão honrosa curiosidade e interesse pelo que me respeita.

 

Começo então:

Nasci em Moura há 81 anos.

                                                   ((  com 10 anos )) 

Fiz instrução primária na aldeia de Santa Victória e, o liceu em Beja e casei na Vila de Cuba, na bela Igreja de São Vicente, há 60 anos.

Tive a dolorosa e inesquecível experiência de ser uma das quatro ou cinco crianças que bem alimentadas, bem vestidas e calçadas faziam parte do grupo das trinta ou mais, que descalças e mal agasalhadas foram minhas companheiras de infância, e me ensinaram com a sua humildade o amor e o respeito pelas migalhas que tantos desprezam, e, nas suas vidas eram o essencial.

Desse tempo, guardei as rezas e benzeduras. Manifestações de simplicidade e pureza expressas em crendices, é certo! – Mas carregadas de humanismo e fé na Vida, que bem madrasta lhes era.

Do liceu, a aprendizagem de alinhar à esquerda, como qualquer zero sem valor, perdidas as prerrogativas vividas embora, sem nítida consciência, na escola.

Ao longo de toda a vida a procura de mim como gente igual a toda a gente entre acertos e desacertos mas, sempre, como disse Lutero, sentindo que, “ainda que o mundo termine amanhã deverei plantar hoje as minhas macieiras…”

                       (( a receber um prémio de Poesia nuns Jogos Florais))

Aos 22 anos estive 40 dias internada numa maternidade, de onde saí jovem, como era, mas adulta, como se houvessem sido anos os dias contados.

E, a partir daí o recurso aos meus amores de infância, a escrita, a pintura, o artesanato.

Resumindo: O trajecto perfeito de quem sendo oficial de muito ofício – acabou não sendo mestre de nenhum.

   (( Com o marido José Rijo, numa das suas exposições de pintura e artesanato ))

Meu Marido, companheiro de 44 anos fez editar dois livros meus. Edições de 500 exemplares que entre amigos e conhecidos se consumiram e paramos por aí porque se o primeiro só teve louvores da crítica, essa não foi a sorte do segundo e, ele não suportava a ideia de que eu pudesse sofrer.

O amor tem destas cegueiras…

Sem ele, qualquer aventura dessas, deixou de ser viável.

Creio, no entanto, que o mais importante é fazer o que julga ser certo. Tudo é acessório e, já nos ultrapassa.

      ((Na fotografia com o ilustrador do livro Manuel Jesus na

 Cessão de autógrafos no lançamento do livro Rezas e Benzeduras ))

Aconteceu a edição das “Rezas” por homenagem do jornal onde, de há muitos anos colaboro – com o patrocínio “café Delta”.

 

Feito a resenha biográfica respondo ao resto:

Conheci a Maria Isabel Mendonça Soares, no casamento de minha irmã, há 60 anos, porque ela era prima de meu cunhado.

Estreitamos relações por afinidades de gostos, numa amizade que perdura, durante a “tal” permanência na maternidade onde a sua companhia foi um presente do céu.

Foi ela que me induziu a escrever histórias infantis para a então Emissora Nacional, mais de duas dezenas, o que aconteceu, espaçadamente, ao longo de anos, até ao 25 de Abril.

A Matilde Araújo, foi professora na Escola Técnica de Elvas, nos anos 56, 57, por aí. Acontece que tendo meu marido sido aluno do Colégio Militar e, tendo na tropa adquirido a qualidade de professor de ginástica, juntava essa actividade à sua profissão, facto que trouxe a Matilde ao nosso convívio e amizade que também tem resistido ao tempo e persiste.

 

Quanto aos postais de gastronomia, foram editados por uma Câmara a que pertenci – sem filiação partidária –       (( com a Secretária de Estado da Cultura  Dra. Teresa Patricio Gouveia )) 

              (( com o Dr. Mario Soares - aquando da Inauguração da

                                    Sala Eurico Gama  ))

como vereadora da Cultura e Turismo – por um escasso mandato – de que não me arrependo mas me vacinou contra maus olhados e sortilégios… por convicção – sem precisar de benzeduras.

 

Eis a traços largos, a história que responde às vossas perguntas e apreço e que com gratidão por todos – que muito gostaria de conhecer e a quem deixo um grande abraço – dedico hoje, um pouco mais, a Frederich , Dolores e à Dina – que está de parabéns porque acaba de festejar o aniversário da sua primogénita – e, que, como gente de casa tenho o gosto de encontrar dia a dia.

Também retribuo o “beijo nas mãos” aos que por suas mãos, escrevem para mim palavras belas que não saberei merecer mas me fazem sentir ainda útil e me ajudam a viver.

Também esclareço que não estou constipada, estou, é verdade, sentindo alguma dificuldade em acertar o andamento entre duas realidades irrefutáveis e coexistentes – a idade e o pensamento.

 

Falta-me agradecer, o que faço agora, pensamentos, poemas e orações que me têm dado a aprender e muito apreciei.

Se antes as tivesse sabido tê-las-ia acrescentado, às que conheci enriquecendo assim o livro.

Grata

                                      Maria José Rijo

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 22:39
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5 comentários:
De Dolores Maria a 10 de Novembro de 2007 às 00:38
Li e reli e voltei a ler.
Vi e observei bem as fotos.

GOSTEI e agradeço ter realçado o meu nome.
Grata estou eu por ter tido o prazer e a alegria
de nesta rede imensa de desconhecidos a ter
encontrado por aqui.
Nós - os seus leitores é que temos de agradecer
a esta linda Senhora - que é Maria José Rijo
(a minha tia virtual) - a alegria de podermos
ler este blog cheio de sabedoria, cultura e tantos
horizontes que se abriram para mim.

Pela minha parte só tenho de agradecer-vos
este blog e dar graças a Deus por ter cruzado
o meu caminho.

(( mas hoje também era uma reza e benzedura
não é verdade?))

Ahh e não falou da outra sua amiga escritora.
Não contou como a conheceu.
Pode contar a esta bisbilhoteira?

Fico aguardando as gastronomias.
Muitos beijinhos e devo dizer que era uma
linda criança, de ar lavado e esperto.

Ainda bem que já não tem a constipação.

Beizinhos e até amanhã.

DOLORES e Avelino


De Gustavo Frederich a 10 de Novembro de 2007 às 00:47
Perfeito.
A sua forma de encontrar esta beleza só pode
ser um dom.
Não me canso de ler os seus textos - a minha
biblia de onde retiro lições de vida, de alma e
coração.
Eu - como todos - temos de agradecer a alegria
de a ler, só incensiveis não entendem assim.

Eu venho cá muitas vezes porque gosto GOSTO
da forma como conversa com quem lê, da forma
como se dá em cada texto.

Eu agradeço o bem que me faz ler os seus textos.
É gratidão que sinto.

Hoje deixo-lhe aqui um beijinho
até amanhã

Gustavo Frederich


De Alberto Mateus a 10 de Novembro de 2007 às 18:18
Maria José Rijo é uma alma boa,
sensível, e escreve como se tivesse
Deus a seu lado.
Certamente terá pela beleza da sua "voz".

Eu agradeço-lhe ter este blog onde todos possamos
saciar a nossa cede de cultura.
Parabéns

Alberto Mateus


De Dolores a 10 de Novembro de 2007 às 18:22
Vim ver outra vez e dizer que as fotos
são muito lindas.
Foi sempre uma pessoa muito bonita - as fotos são
a prova das minhas palavras.

Beizinhos

DO LO RES


De Flor do Cardo a 10 de Novembro de 2007 às 22:14
Eu - nós - os leitores seus... todos nós...
é que temos que agradecer
os seus textos todos
anos a fio escrevendo para este jornal
Linhas, desta cidade.

E eu, li todos, tenho-os todos.
É um belo livro, pode crer.

Seu admirador

Flor do Cardo


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