Domingo, 25 de Novembro de 2007

Mais uma visita

          Acontece qualquer coisa fora do usual, e, aqui vamos nós em procura de alguém com quem comentar o facto, na tentativa de esclarecer ideias.

           É evidente que, quem vive só, nem que seja pelo telefone, chama alguém com quem possa trocar impressões, quando as situações não lhe parecem muito lineares. Se, porventura não tiver um destinatário especial para o assunto que o surpreende, ocupa ou preocupa e tiver a possibilidade de, por outra forma, procurar quem o entenda, não deixará de o fazer.

           É o caso.

           Comecei por dizer: acontece qualquer coisa fora do usual...

            Reparo agora, na falta de rigor, como me expressei – é que o meu problema resulta de ter verificado como vai sendo – normal – o Senhor Primeiro MinistroPrimeiro-Ministro José Sócrates mostrar-se desatento à cortesia, à maneira polida, que deveria utilizar, quando em funções, se dirige aos seus pares, quer na Assembleia da Republica, quer a visitantes do nível dos que compunham a Cimeira da União Europeia.

            Porque na Assembleia da Republica,

                                           

 só escuta palmas do seu Partido, enfurece-se, perde a compostura e vocifera acusando todos de dedo em riste como se fora o senhor do mundo num juízo final. Depois, em jeito de menino de rua, volta, não volta, trata todos por – vocês! 

           Quando bem disposto, alegre, disse para, visitantes do nosso país - como se estivesse no encerrar de um piquenique, marcando um outro : - espero por vocês, em treze de Dezembro! – Fazendo pensar ter caído em desuso a simples forma:- espero por vós, ou, espero-vos...

           É que, não estando o “vocês” errado – porque não está - do ponto de vista protocolar é um tanto desastrado.

            Deselegante, para quem tem diplomas de cursos superiores e obrigações de Estado.

           Estas coisas, entristecem os portugueses.

            Entristecem, e por mim falo, porque todos gostamos de ser representados por pessoas que possamos admirar e, não é o facto de andarem bem vestidos, terem boa figura, usarem fatos e gravatas que custam mais do que alguns salários mínimos juntos, que os tornam estimáveis ou respeitáveis.

                           

          Não. Não é isso!

           Nós, já nem perdemos tempo a pensar porquê o dinheiro que para algumas classes nunca falta para outro nível de portugueses, mal chega para sobreviver...

           Já só pedimos que nos representem com dignidade e boa educação, porque neste plano inclinado, qualquer dia, em jeito de anedota aparecem a dizer que não pagam pensões, porque se acabou o cascanhol, o pilim, ou coisa semelhante. E, ficam-se a rir tão divertidos como se mostram na

Assembleia, a falar de miséria, doença e toda a parafernália de problemas que assolam o País...

Quando um político vem à televisão dizer que outro berra, esquece que refere os seus “pares” e, consequentemente reconhece que se a berrar se comunicam, “berrar” – lhes é – comum ou próprio e, assim se declara da espécie dos “berrantes”, porque dos “falantes” são as pessoas que, como nós, com paciência e boa educação aturamos estas pamplinadas.   

Se dissesse gritar – falava verdade - e, não se rebaixava a si  próprio, nem ofendia  o Parlamento representação de um país – de todos nós .

Se quando a oposição fala, o Senhor Primeiro-ministro, não exibisse o sorriso de escárnio de quem só se gosta de escutar, a si próprio, e mostra não saber dialogar, mas sim, a coberto do poder – achincalhar, esmagar... se...se...se... talvez...

Assim... salvo raro excepções, lamento muito mas não me posso sentir representada pelos actuais políticos. Lamento que gente arrogante, sem respeito pelo “outro” me represente.

Revejo-me no povo, que povo sou, mas não na “picorrilha”no que ela possa representar de grosseira provocação seja em representantes de Poder Local ou Central.

Penso que, como eu, a maior parte dos portugueses, já que da maioria dessa classe, não se pode orgulhar por serem bons políticos, por encararem os graves problemas do país como se seus fossem... pelo menos gostaria de os admirar por darem exemplo de boa educação, civismo e civilidade.

É, no mínimo o que se lhes pode pedir, para que nos reste, sempre, o orgulho de sermos portugueses.

                                                                  Maria José Rijo

@@@@

Jornal O DESPERTADOR

Nº 220 – 14 – Novembro -2007

@@@@@

Muitos Beijinhos para a DOLORES 

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 19:00
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4 comentários:
De Dolores Maria a 25 de Novembro de 2007 às 23:44
Ufa... finalmente...
Desculpem... mas estava a ficar muito...
muito preocupada ...
(Este meu feitio é um pesadelo para mim,
agora este blog faz parte da minha vida e
- como as crianças - espero sempre as novidades)
Desculpem a minha ansiedade.

Éste é sem sombra de duvidas um Bom texto.
O meu Avelino gostou imenso.

Os meus Parabéns e estou-lhe muito grata
pelo seu beijinho, depreendo que já esteja
melhor.
Antes assim.

Para a Tia Zé (minha tia virtual)
Um grande beijinho

DO LO RES


De aquimetem a 26 de Novembro de 2007 às 12:58
Mas que certa e oportuna reprimenda num cavalheiro que sem saber como - na minha terra dizia-se sem saber ler, nem escrever - chegou a 1º ministro ! Por alguma coisa cursou na moderna....
Além do "tu cá tu lá" ele como democrata faz questão em tratar todos por igual... Aprendeu com os meninos da rua e rebeldes!
Parabéns e bom início de semana


De Maria José a 6 de Dezembro de 2007 às 18:56
Aquimetem - também - a agradecer o seu"gostoso" comentário!
Hoje, resolvi treinar no meu computador novo, para perder o medo...já que o velho, como a dona, começa com quexas.Então, para não me parecr com o senhor 1º - estou a cumprir os deveres de boa educação agradecendo as boas palavras dos amigos que já ganhei.
Obrigada
Maria José


De Frederich a 26 de Novembro de 2007 às 16:06
Este texto é perfeito.
A Senhora tem um olhar agudo sobre
a verdade dos factos.
É bem verdade tudo o que aqui consta.
Acredite que eu muitas vezes prefiro nem
dizer que sou português, não por vergonha de ser
português, obviamente que não, mas simplesmente
porque me sinto envergonhado pelo ridiculo
que muitos politicos fazem.

Aceito e até assino por baixo do que aqui comenta.
Mais uma vez tras a lume um texto verdadeiro,
onde a honestidade da sua escrita, lucida, me dá
uma ideia de como está portugal neste momento.

Bem haja pelos seus artigos.
Seu amigo

Gustavo Frederich


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