Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

“Exortação Ao Meu Anjo”

Este é o titulo de um poema de José Régio, do qual, mais do nunca, me vem à lembrança algumas estrofes. Nesta época um tanto conturbada, ou, politicamente confusa – também assim se poderá dizer – que a nossa cidade vive.

Cada um de nós, crentes ou não crentes, por certo já viveu, pelo menos uma vez, qualquer circunstância que nos fez invocar a ajuda de uma qualquer divindade ou entidade que consideramos acima das nossas capacidades humanas.

Pois quer o tivéssemos feito, quer não, parece-me ser este, também, o momento certo para que cada um de nós exorte o seu anjo e lhe reze usando o poema de Régio

 

“Quando a verdade, que é nua,

Me cegar como um sol, e eu me voltar para onde há lua,

E procurar jardins convencionais e plácidos,

Queima-me com os teus olhos ácidos!

 

Quando eu julgar, falando dizer tudo,

Faz ante mim sorrir teu lábio mudo!

Quando eu me poupe a falar,

Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!”

 

 

Penso que a prepotência, a falta de senso de justiça e tudo o mais que atropela e ofende a nossa dignidade como elvenses, pessoas de bem que somos, e como cidadãos de direito, clama a uma só voz que - se nos acomodarmos – nos recusarmos a falar – a agir, - como é nosso direito e nosso inadiável dever – o “nosso anjo”nos  aperte a garganta e nos obrigue a gritar:

Senhor Vereador Rondão Almeida

Soberano, aqui é o Povo.

O Povo que exige ser respeitado nas suas escolhas.

Presidente de Câmara, não é lugar vitalício!

A sua hora, passou.

Acredito que, quando o ouvíamos repetidamente afirmar com ênfase:

- “no meu reinado!  no meu reinado!”se tratava apenas de uma figura de retórica.

Não nos leve a crer que se tratava de íntima convicção,

porque – isso - seria assustador…

Está na hora de se afastar com a dignidade que ainda lhe for possível – depois dos lamentáveis episódios de que foi protagonista, querendo ocupar um cargo que  já não lhe pertence - até porque, também a “comenda” que lhe foi atribuída acresce as suas obrigações de civilidade.

Talvez assim., ainda possa ser recordado com alguma simpatia e gratidão que, ao logo de vinte anos, por certo, também terá merecido, e, não exclusivamente, por aqueles que, por seu desígnio, a nossa Câmara tão ostensivamente endeusou …

Preocupada, como todos os elvenses, mas ainda confiante num desfecho digno

 

 

Maria José Rijo


publicado por paula-travelho às 12:17
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2 comentários:
De fafita a 22 de Agosto de 2014 às 16:16
forma sublime de "regiar" o reinado. O monstro parece estar adormecido. Será que finalmente Elvas vai seguir em frente como Municipio livre de abutres ?
Parece que ainda rondam grilos lá para as bandas das Sochinhas.
oxalá nunca mais voltem a cantar por estas paragens
que tanto os envaideceram e tantos euros nos custaram.
Que a nova mocinha nos faça rapidamente esquecer a velha SENHORA que há 20 anos embruxou Elvas.
Beijinhos, tia Zé


De Xavier Martins a 23 de Agosto de 2014 às 20:44
Ora, Ora... mas que bem...
Adorei este artigo... já tinha lido mas não tinha
tido oportunidade de escrever...
Pois bem...
Finalmente os elvenses abriram os olhos que
estavam fechados a cera...
20 anos foram muitos anos e tudo o que é demais
cansa até à alma...
E foi o que aconteceu... agora parecem mais
libertos... mas os vulcões ainda não estão
extintos... a lava ainda se solta... raiva, odio e
e a vingança... ainda vão brotar como as flores
na primavera...
Que não se acautelem os elvenses...

Quanto ao seu artigo devo dizer que está
claramente fantástico, como sempre...
Também concordo que é a hora dos dois
protagonistas da guerra politica de Elvas
se afastem para sempre - o tempo fechou para
eles e já devem de estar a ver que os amigos
já não são os mesmos - nem em qualidade,
nem em quantidade.
Bom... mas cada um sabe o que faz e o que diz...

Os meus parabéns a Si minha amiga
e á cidade e aos elvenses que mostraram a
coragem que pareciam ter perdido...

bem haja

Xavier Martins


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