Domingo, 7 de Janeiro de 2018

Dia de Saudades

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publicado por Maria José Rijo às 14:35
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Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

Minha Mãe

 

.

Deu-me a vida e o mundo
Seus sonhos
Semeou-os em mim
E
, eu
neles vivia, me via e me revia
E, sendo ela tudo para mim
Nela tudo fui
No amor que em mim floria
Ela, não mo dizia
Mas, eu sabia!
Sabia que era assim
Bastava ver
Como ela olhava para mim...

Minha Mãe partiu
Levou meu mundo com ela

Deixou-me neste vazio
Sem tempo e sem idade

Como que suspensa por um fio
a balouçar sobre a eternidade


Maria José Rijo

 

 

 

estou: A minha Mãe

publicado por Maria José Rijo às 00:17
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

“ Miscelânea “

            Relativamente á amnistia, tão falada, contestada, etc., etc., etc., - aconteceu como nunca se duvidou que iria acontecer ...

            Quem manda, manda! – o resto é conversa .

            E... Conversa, foi.

            Quanto às “honestas” convicções dos felizes “laureados” também se ouviu da boca de um deles a repetida afirmação de que: - tudo foi como devia ser e que é legítimo matar etc., etc., etc.,

            O entrevistador da Antena Um (atónito!) repetiu a pergunta para que não restassem dúvidas mas, a resposta não sofreu alteração.

            Exemplar!

            Dizia-me há dias minha Mãe, com a invejada lucidez dos seus quase 96 anos: não acredito que pensem amnistiar Otelo sabendo as mortes que provocou.

            Não acredito!

            Alimentando o seu espírito, quase só pelas lembranças que revive e pela atenta escuta da Rádio Renascença - nada lhe escapa – e á luz da sua sólida  formação moral não se furta a emitir com segurança as suas opiniões.

            Cá pela casa: “amigos, amigos, negócios à parte” – disse-se – e muitas outras coisas vão sendo ditas “sem tabus”...

            Na casa dos vizinhos houve eleições.

            Resultados surpreendentes.

            Porque o que parecia certo – aconteceu.

            Pois é!

            Só que ás vezes não basta ganhar.

            Confortável é ganhar de forma convincente.

            Não sendo esse o caso, como convencer ???

            No sábado os jornais saíram à rua falando da morte de Vergílio Ferreira.

            Falando – não é certo.

            Saíram, contando o luto da literatura portuguesa.

            Do Brasil acrescentaram; da língua portuguesa.

            Rádio, televisão, Jornais foram relatando episódios, comentários.

            Fizeram-se entrevistas. Mesas redondas.

            Vergílio Ferreira já tinha partido mas, mais do que nunca estava vivo entre nós.

                   

            Foi curioso seguir com atenção as primeiras opiniões e comentários.

            Delas se depreendia a amizade, a admiração, até o nível cultural de quem as formulava. Depois quando já não era surpresa – ficou tudo menos livre, menos espontâneo, menos sincero.

            Já tudo tinha um ar erudito e elaborado.

Citaram-se livros, acontecimentos, factos da sua vida.

            Ouviu-se Vergílio falando de si próprio.

            Lembrei-me então de uma delicada história que me contou um amigo seu.

            Lembrei-me das “Cartas a Sandra”.

                                 

            Essa “Sandra” de quem os amigos lhe davam notícias escrevendo-lhe, ou, contando-lhe quando com ele se encontravam: “Vi a Sandra” – continua linda, etérea”.

            “Cartas a Sandra” estava anunciado como último dos seus livros.

            Se eu pudesse mudar alguma coisa no destino de alguém teria feito que Vergilio Ferreira tivesse escolhido para título do seu último livro: - “encontro com Sandra”.

            Enquanto apontava estas ideias que muitas vezes me apanham desprevenida e até me surpreendem – ouvi a notícia da morte duma grande escritora francesa: Marguerite Duras.

            Tem uma obra enorme que lamentavelmente conheço mal.

            “Hiroxima meu Amor” – é quase só a minha referência. No entanto há frases, há pensamentos seus que valem como definições de obras e, até, de vidas.

            Foi Marguerite Duras quem afirmou: “ Não preciso ser célebre se não tiver liberdade para dizer o que penso”.

            Apetece-me, hoje, acreditar que foi pensando em seres assim reais, ou, “Sandras” mais reais ainda – porque sonhadas – que personagens criados por Vergilio Ferreira dizem frases como:

            “Vou-te amar até no infinito da tua perfeição”

            ou:

            “Eu te baptizo em nome da Terra dos astros e da perfeição”.

            É que Marguerite disse o que “Sandra” se calhar, também poderia ter dito:

            “é terrível escrever

            é o que chamo de maravilhosa desdita”.

            Frente a coisas tais, a gente encanta-se e diz humildemente: Ámen!

 

                               Maria José Rijo

 

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.341 – de 8 de Março de 1996

Conversas Soltas

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 01:35
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