Terça-feira, 30 de Agosto de 2011

Fui do mando da cidade

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.859 – 24 de Outubro de 1986

A La Minute

FUI DO MANDO DA CIDADE

 

Fui à feira!

Fui a Santarém – à Casa do Campino – onde ela está a decorrer

desde 18 de Outubro até 21 de Novembro, para quem a queira e possa visitar.

Bem organizada – pessoal correctíssimo, amável, eficiente.

Feira viva e colorida.

 

Há mostra de tudo!
Bordados, cestas, estanhos, cobres, latões, latas, barros, trapos, tecelagens,
brinquedos de madeira – dos antigos – articulados com guitas e arames –


pintados de cores berrantes, filigranas… e, a par com esta variedade incontável
de maneiras de utilizar os materiais, por mais pobres que sejam – em que a mão
do português é mestra e perita – está também Portugal do Sul ao Minho, a
compita – nas “Tasquinhas”.

“Dons Rodrigos” e outras

Quase se poderia almoçar só de perfumes e rematar com a

fragrância do “café Delta” – que também lá está
com presença de marca.

Mas… a tudo isto fui do vosso mandado e vos trago estas notícias.

Acompanhei as meninas funcionárias do Turismo em que a Câmara deliberou apostar para nos
representarem, com a cozinha de “A Nossa Gente”, estreada no S. Mateus.

Fui preocupada e esperançosa como a Avó que leva a neta ao baile. Voltei contente.

Vi a representação de Elvas apreciada, visitada com interesse e aprovação, louvada
até, algumas vezes – muitas vezes.

 

O Sr. Secretario de Estado, e demais entidades que fizeram a inauguração,

provaram com delicia as azeitonas que tão amavelmente a “Cooperativa agrícola do Caia”

 

ofereceu ao Turismo para propaganda da nossa terra, receberam o nosso cartão de visita e
falaram com respeitosa atenção com os nossos artesãos que para eles cantaram.

Trago “de lá” este recado para dar à cidade que mandatou o Presidente da Câmara

que assim nos orienta.

 

Fomos convidados – Elvas foi convidada especialmente – para estar
presente na “Feira da Agricultura 1987”.

Com esta missão cumprida ficamos a sonhar com a “Casa da Cultura” 
a “Universidade Popular” e… outros “recados” que a cidade nos dá e que,
se em verdade tiram à Câmara o descanso, lhe dão a força que há outras pessoas
que, como ela, se empenham a desejar que se cumpram programas sonhados e, se
sonhem programas para cumprir.

 

Maria José Rijo

 

estou: 24 de Outubro de 1986
música: Feira da Agricultura - 1987-Santarem

publicado por Maria José Rijo às 23:09
| comentar | ver comentários (1) | Favorito
partilhar
Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

Postal nº 11 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

.

As matanças são tarefas próprias do tempo frio de Inverno.

Quando a Primavera chega e o cuco canta junto às ribeiras,

já os cardos estão espigados e as papoilas em flor.

Na hora da merenda, à meia tarde, “condutando”

(que deverão render para todo o ano), saboreiam-se

os enchidos e espraiam-se os olhos pelos campos em

redor, onde o silêncio

 mais a solidão geram o pão em bebedeiras de luz.

.

              Maria José Rijo

.

@@@@@

Colecção de Gastronomia - A matança do Porco

 

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 14:47
| comentar | Favorito
partilhar
Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Postal nº 10 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

PAIO BRANCO

Vazios secam ao sol, em fileiras, os alguidares lavados,

Esperando o regresso à penumbra das despensas, onde já

Moram os tradicionais paios brancos, pendurados para secar.

“Acamam-se” os lombos bem direitinhos, enterrados em

Sal durante 12 horas, após o que se penduram uma hora ou

Duas, para escorrer, em sitio arejado. Seguidamente

Sacodem-se, limpam-se e untam-se com um nadinha de

Banha para escorregarem melhor ao serem “vestidos” na

tripa do porco, já cortada no tamanho conveniente.

Para conseguir atar uma extremidade do lombo com um

Cordel que, passado por dentro da tripa, enrolado numa

Colher de pau, facilitará a tarefa.

Os paios são cosidos num dos lados e no outro atados,

Deixando-lhes uma argola de fio para serem pendurados

No ar.”

                      Maria José Rijo

                  

@@@@@@

Colecção de Postais de Gastronomia - A Matança do Porco

estou:

publicado por Maria José Rijo às 20:41
| comentar | Favorito
partilhar
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Postal nº 9 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Sentam-se ao fim as mulheres para dois dedos de

conversa enquanto saboreiam para “desenratar”

uma sopa de grão amaciado com tempero de azeite,

cebola, uns raminhos de salsa, uma folhinha de louro,

um dentinho de alho e a mistura de cardos –

colhidos e ripados, mesmo ali, no campo lavrado,

rente ao monte – e escaldados para não escurecerem

o caldo do cozido.

.

                               Maria José Rijo

@@@@@@

Colecção de Gastronomia- A Matança do Porco

estou:

publicado por Maria José Rijo às 18:40
| comentar | Favorito
partilhar
Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Postal nº 8 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

 

A pouco e pouco a casa deixa de ressumar a gordura.

Já não se assam na lareira as presinhas que serviam para

avaliar do acerto do tempero das carnes dos enchidos.

Agora a farta “parreira” que um fuminho morno vai

“curando” lentamente regala de orgulho o pessoal

que trabalhou na empreitada.

Tranquila, como se tivesse feito um seguro de família,

a dona da casa  ferece algumas “provas” aos mais chegados

a quem mostra com vaidade o seu fumeiro.

                                Maria José Rijo

@@@@@

Colecção de Postais de Gastronomia -

            A Matança do Porco

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 17:10
| comentar | Favorito
partilhar
Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

Postal nº 7 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

CARNES FRITAS 

Lombos e lombinhos são as peças nobres do porco; delas

se conservam alguns suculentos nacos, enterrados na banha,

onde são fritos com entrecosto e algum toucinho da “barbela”,

cortado em pequenos bocados – a banha da fritura

torna-se a “manteiga de cor”, porque fica rosada e gostosa

pela massa de pimento, o alho pisado, o sal, o louro e o vinho

branco que serviram de tempero às carnes – mas o seu mais

honroso destino é serem ensacados na pele das banhas e das

tripas grossas e transformadas  em anafados paios, esses

verdadeiros ex-líbris da matança.

                                Maria José Rijo

@@@@@@

 Colecção de Gastronomia - A Matança do Porco

 

estou:

publicado por Maria José Rijo às 20:57
| comentar | Favorito
partilhar

.Maria José Rijo

.pesquisar

 

.Junho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
23
24

25
26
27
28
29
30


.posts recentes

. Fui do mando da cidade

. Postal nº 11 - Colecção d...

. Postal nº 10 - Colecção d...

. Postal nº 9 - Colecção de...

. Postal nº 8 - Colecção de...

. Postal nº 7 - Colecção de...

. Postal nº 6 - Colecção de...

. Postal nº 5 - Colecção de...

. Postal Nº 4 - Colecção de...

. Postal Nº 3 - Colecção de...

.arquivos

.tags

. todas as tags

. Dia de Anos

. Então como é ?!

. Em nome de quem se cala.....

. Amarga Lucidez

. Com água no bico

. Elvas com alguma rima e ....

. 28 de Fevereiro...

. Obras do Cadete

. REGRESSO

. Feição de nobreza

.links

.Contador desde- 7-2-2007

Nova Contagem-17-4-2009 - @@@@@@@@@@@@@@@@ @@@@@@@@@@@@@@@

@@@@@@@@@@@@@@@ A Seguir-nos por aqui. Obrigado @@@@@@@@@@@@@@@@ free counters
Free counters @@@@@@

.Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

.ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

.LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@